photo logopost_zps4920d857.png photo headerteste_zps0e0d15f7.png

Mostrar mensagens com a etiqueta Breve História do Metal Português. Mostrar todas as mensagens

Passatempo: ganhe um exemplar de «Breve História do Metal Português»

O autor Dico está a promover um passatempo que consiste em oferecer um exemplar de "Breve História do Metal Português" a quem enviar até amanhã (18 de Abril), às 14h00, a frase mais criativa sobre esta obra inédita. As respostas devem ser enviadas para livrobhmp@yahoo.com.

"Breve História do Metal Português" é a obra que faltava no meio nacional. Esta encontra-se disponível para encomenda a 16€ (portes incluídos) exclusivamente através do e-mail livrobhmp@yahoo.com. Também disponível está uma página oficial do livro no Facebook e Twitter. A presença em livrarias será anunciada posteriormente.

"Breve História do Metal Português", da autoria do jornalista, cronista e ex-músico Eduardo Almeida (mais conhecido por Dico) com edição da associação cultural A Causa das Regras, serve-se de 200 páginas para explicar, pela primeira vez num único volume, a génese do metal em Portugal. Dividido em dois capítulos, e com base num estudo feito através de entrevistas, trabalhos académicos e muitos sítios online, a história do metal nacional é relatada desde os  seus primórdios, nos anos 60, até ao boom do rock português, nos anos 80, culminando no final da década de 90. "Desde a semente dos The Playboys, passando pela afirmação dos Arte & Ofício, até ao surgimento do underground ou da consagração dos Moonspell, este livro nada deixa ao acaso", sugere nota de imprensa.

Segundo nota de imprensa, "o leitor ficará surpreendido pela influência que figuras como Júlio Pereira, José Cid, Fernando Girão ou o maestro Miguel Graça Moura exerceram no desenvolvimento do Heavy Rock Português".

"Breve História do Metal Português" exibe também várias fotografias a preto e branco e um caderno a cores.

A obra começou a ser concebida há cerca de dois anos e foi publicada parcialmente e em exclusivo na SounD(/)ZonE. A 20 de Dezembro de 2012 foi publicada em e-book para download gratuito. Dado o sucesso da iniciativa, passou a formato físico com conteúdos extra em relação ao digital.

Dico foi editor dos periódicos PCMais, ANA Aeroportos, Logista News e Prime Negócios. Colaborou nas revistas Riff, Blast! e Versus Magazine. Fundou os influentes blogues Metal Incandescente, A a Z do Metal Português e Reflexões Musicais. Nos últimos seis anos escreveu artigos de opinião para cerca de vinte sites, e-magazines e blogues. Foi baterista de bandas como os Dinosaur ou os Sacred Sin, tendo com elas gravado os clássicos "Dinosaur" (demo-tape) e "Darkside" (álbum). Foi o primeiro coach profissional a implementar em Portugal o coaching para músicos. Fã de metal há 31 anos, está envolvido no underground há 26. Tem 42 anos.

Ler mais »

Dico apresenta «Breve História do Metal Português» este mês no Club Noir

No dia 13 de Abril, Dico, autor da obra inédita "Breve História do Metal Português", lançada no último mês de Março, vai estar no Club Noir, em Lisboa, para uma sessão de apresentação.

Em mais uma noite de The Dead Sessions, desta feita especialmente dedicada ao metal português, as actividades iniciam-se pelas 23h00 prosseguindo com o DJ Jó [Theriomorphic] até às seis da manhã. A entrada custa dois euros. 

"Breve História do Metal Português" encontra-se disponível a 16 euros (portes incluídos) exclusivamente através do e-mail livrobhmp@yahoo.com. Também disponível está agora o site oficial do livro e suas páginas no Facebook e Twitter. A presença em livrarias será anunciada brevemente.

"Breve História do Metal Português", da autoria do jornalista, cronista e ex-músico Eduardo Almeida (mais conhecido por Dico), tem edição da Associação Cultural A Causa das Regras e serve-se de 200 páginas para explicar, pela primeira vez e com tanto detalhe num só volume, a génese do metal em Portugal. Dividido em dois capítulos, e com base num estudo feito através de entrevistas, trabalhos académicos e vários sítios online, a história do metal nacional é relatada desde os  seus primórdios, nos anos 60, até ao boom do rock português, nos anos 80, culminando no final da década de 90. "Desde a semente dos The Playboys, passando pela afirmação dos Arte & Ofício, até ao surgimento do underground ou da consagração dos Moonspell, este livro nada deixa ao acaso", sugere nota de imprensa.

Ainda segundo a mesma nota, "o leitor ficará surpreendido pela influência que figuras como Júlio Pereira, José Cid, Fernando Girão ou o maestro Miguel Graça Moura exerceram no desenvolvimento do Heavy Rock Português".

"Breve História do Metal Português" exibe também várias fotografias a preto e branco e um caderno a cores.

Esta obra começou a ser concebida há cerca de dois anos e foi publicada parcialmente e em exclusivo na SounD(/)ZonE. A 20 de Dezembro de 2012 foi publicada em e-book para download gratuito. Dado o sucesso da iniciativa, passou a formato físico com conteúdos extra em relação ao digital.

Dico foi editor dos periódicos PCMais, ANA Aeroportos, Logista News e Prime Negócios. Colaborou nas revistas Riff, Blast! e Versus Magazine. Fundou os influentes blogues Metal Incandescente, A a Z do Metal Português e Reflexões Musicais. Nos últimos seis anos escreveu artigos de opinião para cerca de vinte sites, e-magazines e blogues. Foi baterista de bandas como os Dinosaur ou os Sacred Sin, tendo com elas gravado os clássicos "Dinosaur" (demo-tape) e "Darkside" (álbum). Foi o primeiro coach profissional a implementar em Portugal o coaching para músicos. Fã de metal há 31 anos, está envolvido no underground há 26. Tem 42 anos.

Leia entrevista exclusiva com o autor aqui.





Ler mais »

Dico: autor de «Breve História do Metal Português» debate novo livro e underground luso

Dico, autor da obra inédita "Breve História do Metal Português" (já disponível aqui), concedeu uma entrevista à página nacional Undeground's Voice, em que debate o seu recente projecto, pontos marcantes do mesmo e estabelece uma comparação entre o passado e o presente do underground nacional.

O autor do influente blogue Metalincandescente começou por dizer que o livro que agora edita preenche uma lacuna incompreensível no mercado luso. "Sempre houve livros editados sobre rock português, fado, música popular portuguesa, pop, biografias de músicos e de bandas... mas nada sobre metal. Porquê?", começou por questionar.

"Por outro lado, em simultâneo, verifiquei que a crença de que o metal português havia surgido apenas nos anos 80 estava profundamente enraizada no underground em concreto e nos agentes musicais em geral. Fãs jornalistas e mesmo os ditos 'especialistas' acreditavam nisso. Entendi que era urgente desmistificar esta crença e trazer a realidade à tona", argumentou.

O ex-baterista dos Sacred Sin e Dinosaur adiantou também algumas passagens curiosas de "Breve História do Metal Português": "As cenas mais hilariantes são, sem dúvida, as que António Garcez protagonizou nos Arte & Ofício e Roxigénio. Uma delas foi num concerto com os Roxigénio, em que o público o insultava por cantar em inglês, gritando-lhe 'vai cantar para a América'. Como resposta, Garcez tirou o 'material' para fora e vociferou ao microfone: 'A América está aqui!'."

O lisboeta de 42 anos lamenta ainda que a evolução da oferta e das tecnologias tenha roubado um pouco do "romantismo, a magia e a espontaneidade" dos agentes do underground nacional.

"Falta [em Portugal] uma estrutura editorial mais forte, com mais empresas. São precisas mais editoras, com maior capacidade negocial, de licenciamento e distribuição, especialmente no estrangeiro", defende Dico.

"Por fim, uma abordagem mais original à música, à estética e às letras por parte dos grupos certamente colocaria o nosso underground nas bocas do mundo", vaticina, acrescentado que "falta quebrar barreiras mentais" e "realizar projectos de formas nunca pensadas".

Leia a entrevista na íntegra aqui.

Ler mais »

«Breve História do Metal Português»: livro inédito já disponível

A obra que faltava no meio nacional já se encontra disponível para encomenda por 16€ (portes incluídos) exclusivamente através do e-mail livrobhmp@yahoo.com. Também disponível está agora uma página oficial do livro no Facebook e Twitter. A presença em livrarias será anunciada posteriormente.

"Breve História do Metal Português", da autoria do jornalista, cronista e ex-músico Eduardo Almeida (mais conhecido por Dico) e edição da associação cultural A Causa das Regras, serve-se de 200 páginas para explicar, pela primeira vez num único volume, a génese do metal em Portugal. Dividido em dois capítulos, e com base num estudo feito através de entrevistas, trabalhos académicos e muitos sítios online, a história do metal nacional é relatada desde os  seus primórdios, nos anos 60, até ao boom do rock português, nos anos 80, culminando no final da década de 90. "Desde a semente dos The Playboys, passando pela afirmação dos Arte & Ofício, até ao surgimento do underground ou da consagração dos Moonspell, este livro nada deixa ao acaso", sugere nota de imprensa.

Ainda segundo a mesma nota, "o leitor ficará surpreendido pela influência que figuras como Júlio Pereira, José Cid, Fernando Girão ou o maestro Miguel Graça Moura exerceram no desenvolvimento do Heavy Rock Português".

"Breve História do Metal Português" exibe também várias fotografias a preto e branco e um caderno a cores.

Informa-se que as encomendas feitas até 1 de Março, e que davam direito a dedicatória do autor, serão expedidas entre os dias 18 e 22 de Março.

Esta obra começou a ser concebida há cerca de dois anos e foi publicada parcialmente e em exclusivo na SounD(/)ZonE. A 20 de Dezembro de 2012 foi publicada em e-book para download gratuito. Dado o sucesso da iniciativa, passou a formato físico com conteúdos extra em relação ao digital.

Dico foi editor dos periódicos PCMais, ANA Aeroportos, Logista News e Prime Negócios. Colaborou nas revistas Riff, Blast! e Versus Magazine. Fundou os influentes blogues Metal Incandescente, A a Z do Metal Português e Reflexões Musicais. Nos últimos seis anos escreveu artigos de opinião para cerca de vinte sites, e-magazines e blogues. Foi baterista de bandas como os Dinosaur ou os Sacred Sin, tendo com elas gravado os clássicos "Dinosaur" (demo-tape) e "Darkside" (álbum). Foi o primeiro coach profissional a implementar em Portugal o coaching para músicos. Fã de metal há 31 anos, está envolvido no underground há 26. Tem 42 anos.

Leia entrevista exclusiva com o autor aqui.

Site oficial do livro




Ler mais »

Dico: «Breve História do Metal Português» em versão papel, encomendas já disponíveis

O sucesso da versão e-book, lançada a 20 de Dezembro último, terá dado o mote para a publicação, hoje confirmada, de "Breve História do Metal Português" em suporte papel. A edição é da associação cultural A Causa das Regras e já se encontra disponível a 14€ para pré-encomenda aqui (exemplares com dedicatória) ou 16€ após lançamento (ambas opções com portes incluídos).

Esta versão, também a disponibilizar em livrarias, apresenta-se revista e aumentada em relação à versão digital, contendo agora mais de 200 páginas (em contraponto com as 80 do e-book). Nestas poder-se-ão agora encontrar fotografias a preto e branco, caderno a cores, novas biografias, entre diversas outras informações.

O seu autor, o jornalista, cronista e ex-músico Dico, consegue com esta obra preencher uma lacuna na história do heavy metal nacional, apresentando um relato inédito e detalhado da origem do género nos anos 60 e consequente desenvolvimento até aos anos 90. O resultado baseia-se em entrevistas com músicos, trabalhos académicos, fanzines, sites, blogues, entre outras fontes.

Entre muitas curiosidades e verdades desvendadas, estará a influência de figuras como Júlio Pereira, José Cid, Fernando Girão ou o maestro Miguel Graça Moura no desenvolvimento do heavy rock português, ou ainda o surgimento das primeiras bandas do então denominado movimento "Ié-ié", ainda no tempo de Salazar e Marcello Caetano.

Ler mais »

Entrevista - Dico [Breve História do Metal Português]

"Este trabalho é um ponto de partida, não de chegada"

Dois anos e mais de um milhar de horas depois cá está: a primeira obra que explica a origem do metal português, através de quase meio século. O seu autor praticamente dispensa apresentações. Experiente e talentoso no domínio da escrita e compulsivo estudioso do underground, não teve, no entanto, tarefa fácil para reunir e tratar toda a informação (a maioria desconhecida do grande público) contida nesta obra agora disponível em e-book e para download gratuito. A verdade é que "Breve História do Metal Português", lançado a 20 de Dezembro, já se tornou um sucesso e o seu carácter inédito justificou plenamente a conversa com Dico.

O que leva uma pessoa, mesmo que ferrenha amante do metal, a abraçar um projecto tão exigente e arrojado como o "Breve História do Metal Português"? Como e de onde surgiu o primeiro impulso?
Foi o amor intenso pelo metal que me levou a fazê-lo. Mais do que um estilo de música, para mim este género musical é amor puro, é paixão intensa, é uma forma de vida, de estar, de sentir. Faz parte de mim e da minha personalidade. Além disso, é o meu refúgio, nas melhores e nas piores horas da minha vida. Ouvir metal e escrever sobre ele acaba mesmo por ser uma terapia. Não conseguiria viver sem ele. Há 30 anos que oiço metal e há 26 que estou profundamente envolvido no underground, quer como divulgador, músico, jornalista, crítico, cronista ou investigador/escritor. Quando te envolves a fundo no underground já não consegues sair, por mais desiludido e descrente que estejas com o movimento ou por mais que julgues já não valer a pena. O underground torna-se parte da tua essência. Foram estes sentimentos que presidiram a este projecto. Além disso, o processo de pesquisa do livro veio satisfazer um aspecto que para mim é fulcral: a investigação. O gosto pela investigação e o prazer que sinto na aplicação dos seus métodos foi algo de grande valor que a universidade me deixou. Este projeto permitiu-me aliar estas duas paixões. Por outro lado, a génese de "Breve História do Metal Português" reside no blogue “A a Z do Metal Português”, enciclopédia online especializada em biografias de bandas nacionais de metal. Trabalhei nesse projeto mais de dois anos. Entretanto, apercebi-me que os fãs mais novos nunca haviam ouvido falar de bandas como NZZN, Ferro & Fogo, Alarme, Arte & Ofício, Xeque-mate, Roxigénio, etc. Achei que era minha obrigação contribuir para que estes nomes, que produziram música fabulosa, chegassem ao conhecimento dos mais jovens. Em simultâneo, conheci o melómano Aristides Duarte, autor dos livros Memórias do Rock Português e do blogue “Rock em Portugal”. Os seus livros foram uma revelação para mim, no sentido em que descobri bandas como os Hosanna, Hobnob, Xarhanga, Psico, Complexo, entre outras. Mais do que isso, nunca teria pensado que os Pop Five Music Incorporated ou os Objectivo haviam composto temas pesados. Quando, através de um leitor da SoundZone descobri que o próprio José Cid também o havia feito, fiquei siderado. Foi uma surpresa total.

Quais terão sido os maiores desafios? A falta de documentação?
Sim, esse foi um dos principais desafios. Não é fácil encontrar documentação e alguma da que existe, em especial na Internet, não é de grande qualidade. Há informação incorreta, incompleta e frequentemente contraditória. Por vezes, elementos do mesmo grupo apresentam versões diferentes sobre determinado facto ou situação da sua biografia, pelo que foi necessário intensificar o esforço de investigação visando “tirar as teimas” e chegar à verdade. Nesse sentido, as entrevistas foram essenciais. Por outro lado, debati-me permanentemente com a falta de tempo e de concentração. Perdi a conta às vezes que não conseguia trabalhar mais do que dez ou quinze minutos sem ter que ir aspirar a casa, lavar a loiça, estender a roupa ou fazer o jantar. [risos] A seguir ao nosso actual Governo, as tarefas domésticas são o mais abominável inimigo da produção intelectual! [risos]

Quantas horas e pessoas estima que estiveram envolvidas na concepção deste projecto?
Quanto ao tempo investido não tenho dúvidas que terão sido bem mais de 1.000 horas distribuídas por todas as fases do trabalho, incluindo a parte de publicação na SoundZone, com todas as alterações e correcções feitas ao longo do tempo. Quanto à idealização, investigação, redacção, organização, edição e revisão eu fui o único responsável, o livro é uma obra 100% minha. Depois, obviamente a SoundZone esteve envolvida, com as inúmeras actualizações e correcções que fui pedindo para fazerem. Nesse processo demonstraram uma paciência que muitos santos não têm! [risos] O Ernesto Martins, da Versus Magazine, ocupou também um papel essencial quanto à publicação dos resumos na revista. Houve ainda pessoas que deram sugestões e obviamente que não me posso esquecer dos músicos entrevistados, sem cujo contributo o livro não seria tão rico.  

A opção do e-book foi prioritária ou alternativa à falta de condições para uma edição física?
Foi a última opção, a alternativa que me vi obrigado a aceitar devido aos preços proibitivos que a paginação e a impressão profissionais comportam. No entanto, estou cada vez mais empenhado em realizar o sonho de fazer uma edição impressa. Diversos leitores têm-me incentivado nesse sentido, além de que o número de downloads efectuados justifica plenamente que dê esse passo. Assim, já iniciei a busca de eventuais patrocinadores. Só será possível editar o livro em papel caso reúna o valor necessário para tal. Em treze dias 733 pessoas descarregaram o e-book. Se considerarmos que esses treze dias se situaram entre 20 de Dezembro e 1 de Janeiro, época em que as pessoas estão de férias, andam atarefadas na compra de presentes, nos saldos, no planeamento e usufruto das festas e em viagens, o balanço é claramente positivo. As minhas expectativas foram amplamente superadas. Foi arriscado lançar o e-book em pleno Natal, mas o número de downloads não deixou dúvidas quanto ao interesse do público. Estes números legitimam o anseio de publicar o livro fisicamente.

Qual acha que é a retribuição pessoal e colectiva por concluir este projecto?
A minha principal retribuição é o pioneirismo, o facto de ter sido o primeiro a escrever uma obra deste género, com o grau de exigência que se lhe reconhece. Existem alguns jornalistas e especialistas que há muito poderiam ter escrito uma obra do género mas nenhum ainda o fizera. Por outro lado, as magníficas horas que passei a ouvir música fabulosa a que nunca tivera acesso trouxeram-me um gozo indescritível. Investigar e redigir esta obra foi algo que não posso traduzir em palavras. Este livro é como um filho para mim. Deu-me um imenso gozo torna-lo realidade. Em termos de retribuição colectiva penso que o interesse do público fala por si. Já várias pessoas me deram efusivos parabéns pela obra, afirmando que já tardava algo deste género em Portugal. Já me disseram que constitui um marco no metal português e não há dúvidas de que assim é, modéstia à parte. Espero que o livro traga às pessoas uma boa experiência de leitura e de aquisição de novos conhecimentos.

Entre muitas outras coisas, parece ter tido a necessidade de desvendar certos equívocos ou "verdades escondidas" sobre a origem do rock/metal nacional. Acha que estão esclarecidas todas as dúvidas neste livro?
Certamente que não, haverá factos a que não tive acesso. Há sempre coisas novas a descobrir. Houve músicos que se revelaram inacessíveis e que poderiam trazer informação preciosa à concepção do trabalho. De igual forma, não tive acesso a revistas da época que poderiam trazer mais luz e informação a nível geral. Mas este trabalho é um ponto de partida, não de chegada.

Conhecia a maioria das bandas abordadas ou teve algumas surpresas? Passou a ser fã de alguma?
Tive muitas surpresas, como os Hosanna, Psico, Psicágono, Rocka, Pentágono, Heavy Band, Leonel Auxiliar, Cesário Esmifroaço & Caos Aparente ou Fluxus. Tornei-me grande fã dos Xarhanga, Beatnicks, Bico D’Obra, Heavy Band ou Psico. Por outro lado, desde criança que conhecia o José Cid e os Go Graal Blues Band, mas os temas pesados que gravaram apanharam-me completamente de surpresa. Foram descobertas incríveis.

Apesar do título "breve" este acaba por ser um documento muito completo. O que faltará a este livro?
Como disse, houve músicos que não quiseram dar o seu contributo. Alguns investigadores também não. Nessa medida, haverá sempre dados que permanecem desconhecidos. Por outro lado, o termo “breve” refere-se também ao facto de, após o boom do rock português, eu ter optado por não incluir as biografias dos agrupamentos, fazendo ao invés uma retrospectiva geral do nosso movimento underground. Seria impraticável nesta obra biografar as centenas de grupos que se formaram nos anos 80 e 90. Esse era o objectivo da extinta enciclopédia online “A a Z do Metal Português”, da qual também fui o criador, mas não de "Breve História do Metal Português".

Que planos de promoção existem para difundi-lo em massa?
Já enviei centenas de press releases para revistas, jornais, sites, webzines, e-magazines, programas de rádio e programas de TV. Já foram publicadas várias notícias, houve referências à obra pelo menos numa rádio e já fui contactado para dar mais entrevistas. A promoção está a correr dentro do esperado para esta época do ano, mas agora, com o término das festas, julgo que o número de referências ao livro irá aumentar significativamente. O site brasileiro Whiplash.net publicou uma notícia que foi lida por 498 leitores, o que é bastante encorajador.

Como definiria este trabalho em termos de linguagem e estilo literário? Ou seja, as pessoas podem ficar descansadas que as 80 páginas são facilmente digeríveis?
Acho que sim, é um livro com linguagem jornalística e acessível. Sem dúvida que existem passagens em que a abordagem tende a ser mais académica, mas essa é a excepção e não a regra. Entendo que, no geral, é uma obra de leitura fácil.

No próprio decorrer da fase inicial do projecto, editado na SoundZone, houve quem apontasse algumas lacunas, nomeadamente em relação aos anos 90. Está preparado para as críticas daqueles que acreditam que a sua banda foi injustamente excluída?
Sim. Estou certo que os músicos entendem que é impossível referir todas as bandas, há sempre nomes que vão ficar de fora. Não é exequível agradar a todos. No entanto, mais tarde, caso se justifique a publicação de uma edição aumentada, ou o lançamento em formato físico se torne realidade, com certeza que mais bandas poderão ser referidas.

Houve também quem já apontasse a questão gráfica. Terá sido esta uma preocupação ou desistiu logo da ideia por não lhe ser uma área familiar?    
O “grafismo” resume-se à formatação normal do Word, é tão simples quanto isso. Não sei paginar e não encontrei quem me paginasse o e-book por um valor razoável. Assim, optei por fazer o lançamento assim mesmo. Essencialmente, a obra vale pelo conteúdo, pela informação e pela pesquisa. Quem souber valorizar esses factores e reconhecer a inegável importância de "Breve História do Metal Português" no contexto do som pesado nacional não levará em conta o aspecto gráfico.

O Dico continua ligado ao metal basicamente como cronista e agora termina um projecto de longa-duração e que poderia ser o culminar perfeito de uma longa carreira. No entanto, do que se lhe reconhece, não deverá parar por aqui...
[risos] Bem podem dizê-lo. Para mal dos meus detractores/inimigos, ainda tenho muito para fazer no underground. Vão ter que me aturar mais uns bons anos, espero. Como dizia atrás, esta edição é um ponto de partida, não de chegada. No âmbito do underground tenho alguns projectos para 2013 mas dos quais falarei em altura oportuna.

O underground actual é algo que ainda o entusiasma?
Temos uma cena forte e actualmente as nossas bandas não ficam a dever absolutamente nada ao que de melhor nos chega do estrangeiro, pelo menos em termos de execução, composição, gravação e produção. Há bandas magníficas, com excelentes músicos. Hoje, graças à Internet, a promoção do metal luso é efectuada de forma muito mais intensa, rápida e eficaz, fazendo chegar os nossos grupos aos quatro cantos do mundo. No entanto, continua a faltar algo que os distinga verdadeiramente, que lhes dê um cunho único. Esse aspecto que lhes falta é um maior grau de originalidade e um posicionamento de leaders, not followers. É preciso arriscar novas sonoridades, novos elementos musicais, novas abordagens que permitam a mais bandas portuguesas alcançar um grau de exposição internacional análogo ao dos Moonspell. Não podemos continuar a inspirar-nos no que já está feito, é essencial realizar algo inovador. Por outro lado, uma estrutura editorial mais forte e com mais peso no mercado certamente agilizaria o processo de internacionalização do metal luso. Temos quase tudo para que um dia a cena metálica nacional seja tão influente no mundo como a finlandesa, por exemplo, mas ainda há muito caminho a percorrer e trabalho a realizar.

Nuno Costa

Descarregue "Breve História do Metal Português" aqui

Ler mais »

E-book: «Breve História do Metal Português» já é sucesso de downloads

"Breve História do Metal Português" já circula intensamente pela Internet. Obra inédita em Portugal, cujo autor é Dico (jornalista, cronista e ex-músico), explica em detalhe a origem do metal português e está disponível desde 20 de Dezembro em formato e-book para download gratuito.

Em entrevista a publicar brevemente na SoundZone, o seu autor explica todo o processo e faz um balanço positivo dos resultados até ao momento. "Em treze dias 733 pessoas descarregaram o e-book. Se considerarmos que esses treze dias se situaram entre 20 de Dezembro e 1 de Janeiro, época em que as pessoas estão de férias, andam atarefadas na compra de presentes, nos saldos, no planeamento e usufruto das festas e em viagens, o balanço é claramente positivo. As minhas expectativas foram amplamente superadas", referiu o fundador do mítico blogue Metal Incandescente.

Dico deseja ainda que a receptividade actual ao projecto dê o mote para uma edição em papel, adiantando que já iniciou a busca por patrocinadores, e confessa que redigir esta obra foi algo que lhe proporcionou "um gozo indescritível". "Foi algo que não posso traduzir em palavras. Este livro é como um filho para mim."  

Ler mais »

Dico lança «Bíblia» do Metal Português em e-book

"Breve História do Metal Português" é o primeiro registo a relatar em pormenor o surgimento do rock/metal nacional nos anos 60 e seu desenvolvimento até aos anos 90. O seu autor é Dico, conhecido jornalista, cronista e músico, fundador de blogues como Metal Incandescente e A a Z do Metal Português, e ex-baterista dos Sacred Sin e Dinosaur, que nos últimos dois anos se dedicou à concepção desta obra.

"Breve História do Metal Português" baseia-se numa aprofundada investigação feita através de trabalhos académicos, fanzines, sites e blogues, bem como em entrevistas realizadas a músicos.

Dividido em dois capítulos distribuídos por mais de 80 páginas, abrange a génese do estilo em Portugal, desde o tempo da ditadura até ao boom do rock português, em 1983, culminando com a consagração dos Moonspell já nos anos 90. Entre muitos outros detalhes, será desvendado quem são os verdadeiros criadores do género em Portugal, com menção para a surpreendente influência de figuras como Júlio Pereira, José Cid, Fernando Girão ou o maestro Miguel Graça Moura.

Este é um registo extensivo e apurado das quatro reportagens publicadas em exclusivo na SoundZone nos últimos dois anos e conta com prefácio do editor da SounD(/)ZonE, Nuno Costa.

Lançado em formato digital, "Breve História do Metal Português" está já disponível para download gratuito aqui

Ler mais »

Breve História do Metal Português

"Breve História do Metal Português" - Parte 2 - Os anos 70
"Breve História do Metal Português" - Parte 3 - Os anos 80 - (Tomo 1)
"Breve História do Metal Português" - Parte 4 - Os anos 90

Parte 3 - Os anos 80
Tomo 2: A emergência do Underground
Texto redigido ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

A segunda metade dos anos 80 contrastou com a primeira no que se refere aos espetáculos de grandes nomes do Heavy Metal internacional realizados em terras lusas. De facto, desde 1984 até ao final da década os espetáculos de grandes bandas em Portugal foram apenas dos Iron Maiden + WASP (05/12/1986), Century (agrupamento francês de Hard Rock maioritariamente praticante de baladas), Bon Jovi + Dan Reed Network (29/11/1989), Gary Moore + Cruise (13/05/1987), Motörhead + Girlschool + Destruction (03/04/1988), Iron Maiden + Helloween (20/09/1988), todos no pavilhão de Cascais; e Saxon, no Festival Rock Benfica, realizado no Estádio da Luz (09/07/1988). Bizarro q.b., o cartaz incluía ainda nomes como Bryan Adams ou Bonnie Tyler.

Entre 1988 e 1989, como que prevendo a queda do Muro de Berlim e posteriormente o fim da URSS, estrearam-se em Portugal algumas bandas oriundas da Cortina de Ferro, cujos espetáculos foram maioritariamente organizados pelo Partido Comunista Português (PCP).

O primeiro desses eventos aconteceu a 25 de janeiro de 1988 no antigo Cinema Alvalade, em Lisboa, com os Século XX (apresentados em Portugal sob esta designação, para que os fãs mais facilmente assimilassem o impronunciável nome verdadeiro do grupo), provenientes da então URSS. O quinteto, desconhecido em Portugal, atuou perante uma sala repleta, com níveis de histerismo inimagináveis. Assistia-se à expressão máxima da rebeldia fervilhante de uma juventude ansiosa por espetáculos de bandas estrangeiras.

A10 de setembro desse ano os thrashers Paradox, oriundos da República Federal da Alemanha (RFA), atuavam na Festa do Avante, no Seixal, sucedidos no mesmo evento, exatamente um ano mais tarde, pelos Everest, oriundos da URSS. Multidões uivantes e fanáticas marcaram essas atuações memoráveis. Nesta fase, também os Minotaur, conterrâneos dos Paradox, atuaram em Lisboa, a 8 de abril de 1989. À parte estes grupos, apenas os franceses Agressor e os holandeses Thanatos, numa vertente mais underground, subiram aos palcos nacionais na segunda metade dos anos 80.

A oferta de espetáculos ao vivo de bandas nacionais fervilhava, percorrendo os agrupamentos ao circuito constituído pelo mítico Rock Rendez Vous (RRV), coletividades, sociedades recreativas, liceus (hoje conhecidos como escolas secundárias), juntas de freguesia e Voz do Operário, em Lisboa.

Conceitos emergentes
Por volta de 1983/1984 o termo Heavy Metal era já bastante usado. Surgem pela primeira vez os conceitos de “underground”, que define um movimento musical oposto ao mainstream, muito menos visível (aliás, a tradução do termo para português é “subsolo”), ideologicamente oposto ao comercialismo e alimentado por nichos de mercado cujos agentes atuam apaixonadamente numa lógica do it yourself, ou seja, “faz tu mesmo”.

Surge ainda o tape-trading (gravação e troca de cassetes áudio e vídeo pelo correio com fãs de todo o pais e do Mundo), o record-trading (troca de vinis com outros fãs usando o mesmo método) e a reprodução comercial maciça, embora ilegal e amadora, de concertos gravados em vídeo e posteriormente reproduzidos, a pedido, em cassetes VHS. Eram milhares os títulos disponíveis nesses catálogos, abrangendo espetáculos de inúmeras bandas, das maiores estrelas mundiais aos mais obscuros coletivos underground. Estes documentos eram ansiosamente procurados pelos fãs, contendo frequentemente verdadeiras raridades. À semelhança das cassetes de áudio e dos vinis, as cassetes VHS eram trocadas entre penpals de todo o mundo. Extremamente populares, estas formas de intensa divulgação impulsionaram o Underground de forma inimaginável numa altura em que a Internet não passava de ficção científica para as populações em geral, embora já fosse usada de forma experimental, embora tímida, pelos meios académicos e militares norte-americanos em “circuito fechado”.

O termo demotape, que significa “cassete de demonstração”, vulgariza-se a partir de 1983/1984 com a adoção maciça do formato (em que os grupos mostravam o seu potencial). Com efeito, a demotape veio permitir que os grupos amadores mostrassem o seu trabalho em cassete numa altura em que apenas os Tarântula, Ibéria e poucos mais gravavam discos no Portugal metálico.

A cena ao rubro
A 15 de dezembro de 1984 realiza-se em Santo António dos Cavaleiros o primeiro festival português de Heavy Metal, sucedido a 4 de outubro de 1986 pelo Metal Stage, na Amadora. Outros se lhes seguiram. Desde o ano seguinte até ao final da década o Underground metálico português sofreu um desenvolvimento exponencial, com o surgimento de inúmeras bandas - Sepulcro, Alkateya, Blizzard, Valium (mais tarde conhecidos como Casablanca), Satan’s Saints, Battalion, Devil Across, STS Paranoid, Cruise, Asgarth, The Vowers, Ibéria, Samurai, Thornado, Afterdeath, Shrine, Necrophiliac, Tao, Comme Restus, Dove, W.A.D.S., Unsilent, Massacre (pré-Enforce), Dissafected, Sepulchral (pré-Bowelrot e Disembowel), V12, Black Cross, Silent Scream, Agon, Fallen Angel, Massive Roar, Shrine, Necrophilia, Mercilles Death, Mortífera, Harum, Paranoia, Metal Brains, Procyon, The Coven, Ramp, Web, Wreck Age, Mantron, Thormentor, WC Noise, Dinosaur, Logon, Jarojoupe, Bachterion (pré-Filli Nigrantium Infernalium) ou Angel Sinner, entre muitas outras.

Na época surgiram vários clubes de fãs, entre os quais a Brigada Metal Power, o Guardians of Metal, o Império Metálico e o Heavy Metal Zombies Paranoid, além de inúmeros fanzines (junção dos termos anglo-saxónicos “fan”=fã e e “magazine”=revista). Os fanzines eram revistas amadoras, fotocopiadas, escritas e montadas de forma bastante artesanal, feitas por e para fãs numa lógica, desinteressada, do it yourself e de puro amor ao Metal. Entre os principais títulos surgidos na época contam-se nomes como “Metal Power”, “Profundezas do Metal”, “Algema Metálica”, “Metal Invaders”, “Último massacre”, “Devastação Metálica”, “Abismo”, “Hard’n’Heavy Fanzine”, "Juízo Final", “Purgatório do Heavy Metal”, “Metal Bible”, “Nuclear Mosh”, “Renascimento do Metal”, “Metalkraft”, etc, alguns deles editados pelos clubes de fãs.

Aliás, à parte o jornal português “Blitz”, fundado em 1984, e as revistas estrangeiras “Bravo” (alemã, publicação generalista de música), “Rock Brigade” (brasileira), “Heavy Rock” e “Metal Hammer” (espanholas), que chegavam a Portugal com um atraso compreendido entre os 6 e os 11 meses, o fã português a nenhum outro título tinha acesso no que se refere à imprensa profissional. Encontrar edições inglesas da “Metal Hamer ou da “Kerang!” era raríssimo.

O Rock Rendez Vous tornou-se palco de incontáveis espetáculos de Metal ao longo de toda a década de 80 até encerrar as portas, em 1990. Nalgumas matinés de domingo a programação ao vivo era substituída pela exibição de “telediscos” (como então se dignavam os agora chamados clips, ou videoclips) da MTV, num ecrã gigante, oportunidades únicas de que na época os fãs dispunham para aceder visualmente a temas de agrupamentos como Kreator, Iron Maiden, Helloween, Metallica ou Nuclear Assault, entre incontáveis outros. É essencial recordar que, então, não existia TV por cabo em Portugal e a Internet constituía uma miragem.

O programa “Lança-chamas”, do mítico António Sérgio, tornou-se uma imensa escola de fãs, músicos, radialistas e jornalistas especializados no Som Eterno. Aproveitando o advento das irreverentes rádios-pirata, surgidas às centenas em meados da década, os programas de autor especializados em Metal inspirados na genialidade de António Sérgio multiplicaram-se, impulsionando o movimento Underground. Formou-se toda uma nova escola radiofónica, independente, ousada e fervilhante de ideias. O Underground nacional encontrava-se ao rubro em todas as áreas.

No final da década emergiram novos programas radiofónicos, como “Boca do Inferno”, “Caminhos de Ferro” ou “Alta Tensão”. Na mesma altura o mercado vê surgir várias editoras independentes, como a Slime Records, a Skyfall, a Mortuary ou a MTM, que nos primeiros anos da década de 90 lançaram discos históricos como a dupla compilação em vinil The Birth of a Tragedy (MTM). Nas lojas de discos (à época designadas “discotecas”, embora em nada se relacionassem com os espaços dançantes do mesmo nome) reinavam as importações, dada a dificuldade em encontrar vários discos. Aliás, as discotecas One-off e Bimotor, em Lisboa, constituíam os principais “santuários” para os fãs adquirirem vinis, demotapes, fanzines e bilhetes para concertos, mesmo a nível underground. Era aí que passávamos inúmeras tardes a olhar embevecidos para as novidades na Década Dourada.

Dico
Ler mais »

Breve História do Metal Português

"Breve História do Metal Português" - Parte 1 - Os anos 60
"Breve História do Metal Português" - Parte 2 - Os anos 70 
"Breve História do Metal Português" - Parte 3 - Os anos 80 (Tomo 2)
"Breve História do Metal Português" - Parte 4 - Os anos 90

Parte 3 - Os anos 80
Tomo 1: 1980 / 1983 - O boom do Rock Português
(Resumo – os textos detalhados serão disponibilizados em breve)

Texto redigido ao abrigo do Novo Acordo ortográfico

Musicalmente, os anos 80 portugueses ficaram marcados pelo fenómeno que se designaria “boom” do Rock Português, iniciado no verão de 1980 por Rui Veloso através do seu álbum de estreia, Ar de Rock (apesar do curioso trocadilho com “Hard Rock” o registo apresenta estruturas eminentemente Blues Rock, algumas tendentes para o up-tempo mas sem enveredar por sonoridades pesadas). O seu pioneirismo vale-lhe o errado epíteto de “pai do Rock Português”, que inúmeros jornalistas musicais em particular e de cultura em geral vêm usando persistente mas ignorantemente nas últimas três décadas.

Dado que o riquíssimo historial do Rock português desde a segunda metade dos anos 50 – de que foram pioneiros, por exemplo, José Cid, fundador dos Babies; Daniel Bacelar ou Zeca do Rock, entre inúmeros outros – não se compadece com pura ignorância, o epíteto correto e justo a atribuir ao Rui Veloso será de “pai do boom do Rock Português”. Esclarecido que está este ponto, prossigamos.

O êxito retumbante de Ar de Rock inspira a formação de inúmeras bandas, ansiosas por conquistar uma parcela do sucesso que o músico do Porto logra alcançar. Em simultâneo, e perseguindo o mesmo objetivo, numerosos grupos de baile convertem-se apressadamente em bandas rock, não raras vezes sob pressão das editoras.

Criam-se vários selos, como a Roda Rock, a RCS, a Star, a Rotação ou a Materfonis, muitos deles praticamente sem condições de laboração, frequentemente de existência tão efémera quanto os agrupamentos cujos discos lançam. Aliás, neste período, se houve bandas que não editaram mais do que um single, também houve selos cujo historial de lançamentos se resume a esse disco. De forma natural mas instantânea, o fenómeno impulsiona a indústria musical como um todo.

Verifica-se a profissionalização das empresas de som e luz, bem como de management e booking. A oferta de espetáculos ao vivo aumenta exponencialmente. O retalho de instrumentos prolifera. Neste contexto, os concursos de Rock – na época também pomposamente conhecidos como “festivais de Rock”, embora o não fossem - grassam por todo o território nacional, assumindo crescente importância como mostra das novas bandas portuguesas. O Festival Só Rock, realizado em 1981 em Coimbra, é o mais emblemático desse início de década.

Cantar em português torna-se um imperativo de sucesso. Mesmo as bandas que sempre haviam usado a língua de Shakespeare como forma de expressão mudam a sua forma de comunicar para o Português. Segundo Aristides Duarte no 1º volume de Memórias do Rock Português as únicas exceções foram os prog-rockers Tantra (que, sempre tendo cantado em Inglês, lançam em pleno “boom” o álbum Humanoid Flesh, cantado em Inglês) e os Go Graal Blues Band. É nesta fase que surgem referências do Rock Português como GNR, Táxi, Rádio Macau, Adelaide Ferreira, Street Kids, Salada de Frutas, entre muitos outros. A Pop de artistas como os Heróis do Mar ou António Variações marca uma época.

A 18 de dezembro de 1980 Rui Veloso estreia em concerto o mais emblemático clube de Rock ao vivo alguma vez criado em Portugal: o Rock Rendez Vous (RRV), localizado na Rua da Beneficência, em Lisboa. Fundado pelo empresário Mário Guia, ex-músico de bandas como os Objetivo, o RRV torna-se o expoente máximo dos concertos em Portugal e a montra privilegiada dos novos grupos nacionais. Aí, tocam inúmeras bandas de Metal nacionais emergentes.

Nalguns domingos à tarde a programação ao vivo é substituída pela passagem de “telediscos” da MTV, num ecrã gigante, oportunidades únicas de que na época os fãs dispunham para aceder visualmente a temas de bandas como Kreator, Iron Maiden, Helloween, Metallica ou Nuclear Assault, entre incontáveis outras. É necessário recordar que, então, não existia TV por cabo em Portugal e a Internet constituía nada mais do que uma miragem.

No que se refere aos concertos internacionais nesta época a oferta aumenta timidamente, com várias bandas a visitar Portugal até meados da década: Ian Gillan Band (que já haviam tocado em Portugal a 1 de dezembro de 1979), Narazeth, Uriah Heep, Cheap Trick, UFO, Status Quo, Girlschool, Rainbow + Girlschool, Thin Lizzy, Whitesnake, Kiss + Helix, Diamond Head + Spider e, finalmente, Iron Maiden.
- Continua -

Os grupos que fizeram história
Na primeira metade dos anos 80, quando o conceito de Underground era ainda desconhecido em Portugal, várias bandas de Heavy Metal nacionais lançaram discos. Embora na sua maioria hajam obtido importante exposição mediática, hoje são, infelizmente, meras pérolas esquecidas. São elas que vamos conhecer.

Originalmente designados Conjunto Típico Torreense e atuando como grupo de baile, os CTT (ver vídeo) assumem esta designação em 1980, quando enveredam por uma linguagem Rock, na tentativa de aproveitar o boom do Rock Português. Aliás, o quinteto formado por Rui Plácido (voz), Monteiro e Hernâni (guitarras), Teixeira (baixo), Augusto Alves (teclados) e Gabriel Matos (bateria) passa brevemente pelo Heavy Metal com o lançamento do single Destruição, cujo tema-título se torna um êxito, com direito a teledisco (designação, à época, dos videoclips). No entanto, à parte uma ou outra passagem mais arrojada nos temas do seu repertório e o facto de abrirem o concerto das Girlschool a 10 de dezembro de 1981 no Pavilhão dos Olivais, em Coimbra, nada mais liga a banda ao Som Eterno.

O mesmo não podemos afirmar dos NZZN (Myspace) que, imbuídos do verdadeiro espírito do “Rock da pesada”, iniciam a carreira em 1980 tocando ao vivo temas dos Van Halen, Led Zeppelin, Black Sabbath ou AC/DC. Posteriormente enveredam pela composição de originais, editando os singles Vem daí (cujo tema-título alcança o lugar cimeiro do programa radiofónico “Rock em Stock”) e Tripe Fixe, bem como o LP Forte e Feio. Apesar da participação em icónicos programas televisivos e radiofónicos que lhes proporcionam significativa exposição mediática, traduzida em numerosos concertos, o grupo encerra funções em meados da década, realizando um único espetáculo de reunião a 30 de dezembro de 1994 no Ruína Bar em Albufeira, no Algarve.

Também formados em 1980, os não menos importantes ROXIGÉNIO (Myspace) têm no frontman António Garcêz (ex-Psico, ex-Pentágono, ex-Arte & Ofício) um dos seus maiores trunfos. Filipe Mendes (guitarra, ex-Psico, ex-Heavy Band), José Aguiar (baixo, baixista dos Tarântula há mais de 20 anos) e Betto Palumbo (bateria) completam a formação original, que sofre várias alterações. Para a história do Heavy Metal nacional ficaram variadíssimos concertos, com destaque para aquele dado na edição de 1982 de Vilar de Mouros; e os álbuns Roxigénio, Roxigénio 2 (que inclui o êxito «Stiff Nicked Obstinated») e Rock ‘n Roll Men (um fracasso comercial), além do single Song at Middle Voice.

Na Nazaré, igualmente em 1980, surgem os ALARME (Myspace), fundados por Carlos Cavalheiro, ex-vocalista dos Xarhanga e 5 Napolitanos. Com a formação completa por Altino Borda D’Água (guitarra), Orlando Borda D’Água (baixo) e Vítor Bombas (bateria) o grupo vence no ano seguinte o Festival [NR: concurso de bandas] Só Rock, cujo prémio reverte na gravação e edição do single Desconto Especial, bem recebido em termos comerciais e com o tema «Autocarro Diariamente» no Lado B. A 11 de agosto de 1982 o grupo abre para os britânicos Dr. Feelgood na Praça de Touros da Figueira da Foz e a 3 de dezembro do mesmo ano faz a primeira parte do concerto dos Rainbow (com as convidadas especiais Girlschool) no Dramático de Cascais. Os Alarme dão por finda a carreira no ano seguinte, apesar das várias aparições televisivas e airplay radiofónico. Em 2009 a banda regressa ao ativo, lançando em janeiro do ano passado o álbum de estreia, Estamos Aqui!, que além do single do mesmo nome (com direito a videoclip) inclui regravações dos temas editados nos anos 80 e vários inéditos. Atualmente integram o grupo Carlos Cavalheiro (voz e baixo), Abílio Caseiro (guitarra) e Abílio Ferro (bateria).

Também fundados no início da década de 80 os BICO D'OBRA (ver vídeo), da Bairrada, incluem na formação Jorge Caetano (voz, baixo), José Arromba (guitarra), Arnaldo Nolas (teclados) e Filipe Fininho (bateria). Participam em 1981 na Grande Maratona do Rock Português, no Pavilhão do Cevadeiro, em Vila Franca de Xira, e na compilação Rock Português, do mesmo ano. Para a posteridade ficam os singles A Rasgar é C’a Gente S’Entende e Portugal / Os Fora da Lei, ambos editados pela Roda Rock, subsidiária da J.C Donas, com ligações à Valentim de Carvalho.

Algum êxito obtêm igualmente os AZVZ (ver vídeo), com a edição do single Passageiro da Noite e de um álbum. Integram a banda o vocalista Paulo, o guitarrista Rui, o baixista Zé Soares, o teclista Nando, o saxofonista Zé Luís Gutierres e o baterista Zé Luís. A 17 de abril de 2011 a banda sobe ao palco do Heritage Bar, em Loures, na apresentação do álbum de estreia dos Primeiro Instinto, para homenagear o falecido cantor original.

O início dos anos 80 vê também Francisco Landum (voz e guitarra, futuro Ibéria) formar os TNT (ver vídeo), cujo line-up se completa com C. Frederico (guitarra), C. Casimiro (baixo) e V. Cruz (bateria). O single de estreia, Tudo Bem, vale ao grupo um êxito significativo, não repetido com os singles Gatinha de Luxo e Miragem, embora o quarteto obtivesse ao longo da sua curta carreira bom airplay na rádio e TV, por via do teledisco de «Tudo».

Por outro lado, os VASCO DA GAMA (Myspace) formam-se em 1982 com Luís Sanches na voz, Carlos Jorge Miguel na guitarra, Tó Andrade no baixo e Gil Marujo na bateria. De carreira breve, porém marcante, deixam para a história do Som Eterno português o álbum homónimo, lançado em 1983 pela Discossete. Em 1988 a editora lança um 3-way split com três temas dos Vasco da Gama, as canções do primeiro single dos Ibéria e quatro temas dos Samurai. Entre os mais importantes espetáculos dos Vasco da Gama contam-se indubitavelmente a primeira parte dos Diamond Head e seus convidados especiais Spider no Pavilhão D’Os Belenenses, em Lisboa, a 11 de maio de 1984; e dois concertos a 21 e 22 de junho seguinte no Rock Rendez Vouz.

Mais obscuro é o único single que LEONEL AUXILIAR (ver vídeo) lança a solo pela Metrosom, em 1983, com os temas “Canção” e “Vídeo”, numa linha de Hard’n Heavy Progressivo, claramente à frente do seu tempo. Captado na Alemanha, o registo deveria incluir mais duas canções, entre as quais «Diabo à Solta», que a editora recusa. No single o cantor tem acompanhamento da banda alemã Frapan. Cidadão do mundo, em 1985 Auxiliar compõe 12 temas para um álbum que deveria intitular-se Guerrilha Urbana, tendo mesmo gravado algumas canções na Finlândia, que porém nunca chegam a ser editadas.

Também os FLUXUS gozam de modesta e breve exposição mediática não longa da sua curta carreira. Formados em 1981 incluem na formação Carlos (voz), Quim Zé e António (guitarras), Armando (baixo e assobios), Pratas (teclados) e João Lúcio (bateria). O único registo editado, o single Puto Quéque / Portuguese Woman (som selo Arnaldo Trindade / Orfeu), aborda a música numa linha Rock / Blues, com peso substancialmente acrescido no tema «Puto Quéque».

Menos glória ainda bafejou os STRATUS (ver vídeo), um dos inúmeros grupos forjados à pressa pelas editoras em pleno “boom” do Rock Português visando meramente o lucro fácil. Originária de Coimbra, a banda vê o seu curto trajeto resumir-se ao mal produzido single Um Chuto no Quarto, de 1982, escrito pelo líder, J. Carvalho, e editado pela Vimúsica. Segundo o blogue «Under Review» “o seu som era primário e mal produzido, podendo ser caracterizado por uma espécie de hard rock terceiro mundista, facto ainda mais acentuado pelo teor dos títulos das suas canções, letras das mesmas e até capa do single.” Ainda assim, abrem um concerto dos The Raincoats em Portugal, mas a aposta da editora na filosofia de “fazer depressa e mal” compromete irremediavelmente o percurso do grupo.

Finalmente, os CESÁRIO ESMIFROAÇO & CAOS APARENTE, influenciados pelo Heavy Metal e pelo Punk que nos chegava do Reino Unido assumem-se como uma das primeiras bandas nacionais a gravar uma demotape, homónima, de pendor comercial. Estávamos na primeira metade dos anos 80.

Dico
Ler mais »
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...