photo logopost_zps4920d857.png photo headerteste_zps0e0d15f7.png

Mostrar mensagens com a etiqueta review. Mostrar todas as mensagens

RACKSEED - «The Winter Is Coming» [review]

 photo rackseed5_zpsfc40ad32.jpg

Quatro anos de existência e estes portuenses cumprem a sua estreia nos registos discográficos. São seis os temas que denunciam desde logo os seus moldes underground (quer estilísticos, de produção ou até mesmo no que toca ao formato do encarte) mas nada que impeça que se descodifique em pleno o potencial em bruto que aqui está.

Depois de uma introdução baseada em teclados e orquestrações, com as pretensões de soar épica mais ou menos atingidas, o tema título irrompe com a fúria de um death/black metal típico de uns Norther ou Wintersun mas sem melodia tão açucarada. Até porque os Rackseed têm uma empatia muito forte pela negritude do black metal (o sinfónico) e o death metal mais solto  e balançado que popularizou bandas como Hypocrisy ou Amon Amarth. É certo que as estruturas não são tão catchy como a destes monstros suecos, mas o ambiente criado pelos teclados e a dinâmica rítmica são suficientes para um resultado final interessante de seguir. Já para não falar na voz espessa e intimidatória de Dim (uma das grandes surpresas deste disco).

É certo que aqui e ali podem ser operadas melhorias na escrita (afinal, esta é uma estreia), sobretudo no que respeita a algumas linhas de guitarra ou teclados, mas esta meia hora de música mostra uma banda segura e com atributos para crescer sem dificuldades num próximo disco. 
  

Classificação: 6.5 [N.C]

Data de lançamento: 21 de Dezembro de 2013
Nota de estúdio: gravado por Dim Soturi nos seus home studios; misturado e masterizado por por Tiago Antunes.
Estilo: death/black metal
Origem: Porto (Portugal)
Formação: 2009

Alinhamento:
1. "From Chaos Came Winter" (2:01)
2. "The Winter Is Coming" (4:23)
3. "Shadow Of Infamy" (5:08)
4. "Cold Pain" (5:07)
5. "Burying Of An Era" (4:35)
6. "Sacrifice" (5:09)
Duração: 26 minutos

Elementos:
- Dim (voz/guitarra)
- Alexandra Cardoso (baixo)
- Tiago Cunha (teclado)
- Mortiferum (bateria)

Discografia:
- "The Winter Is Coming" (EP - 2013)



Ler mais »

Review - An X Tasy - "III"

AN X TASY
"III"
[CD - Last Man Standing Records]

Antes de outros destaques, a salientar o ritmo regular de edições em que estes algarvios finalmente entraram, visto que com onze anos de carreira só em 2009 lançaram o seu primeiro trabalho. Com "III" chegam à marca do terceiro longa-duração, precisamente, e com consequentes ganas para mostrar que o bom aspecto de "The Calm Before The Storm" não foi obra do acaso.

Doze novas faixas sugerem o mesmo espírito rockeiro da anterior colecção de temas, mas a rispidez e fibra da interpretação mantêm-se mais protuberantes, havendo maior primazia da distorção do que propriamente das melodias tocantes. Aliás, é nas qualidades dos guitarristas Nuno Gonçalves e Bruno Pereira que reside a grande alma deste quinteto de Faro. Parecem perfeitamente absortos pelo espírito oitentista, mas com perfeita amplitude para soarem enquadrados nos tempos mais modernos - como é o caso de "Message", um exercício a roçar o pop/punk norte-americano, ou "Deep Slashes", com um riff principal a soar mais a Lamb Of God e Pantera do que a outra coisa qualquer.

Pelo mesmo prisma da diversidade, a voz de Rafael Rodrigues deve tanto ao metal como ao rock, numa dinâmica entre registos limpos e berrados muito constante. No entanto, é na expressividade da sua performance, mais do que na técnica, que reside a sua maior virtude - escutemos a semi-acústica "Asphalt Ashtray", onde em certos momentos apercebemo-nos de algumas limitações.

De resto, "III" é um manifesto muito puro de obstinação, crer, competência e discernimento. Sediados fora dos grandes centros urbanos, é louvável conseguirem sobreviver durante uma década com esta vitalidade e o seu rock atinge cada vez maior maturidade para ser difundido aos quatro ventos. [7.5/10] N.C.

Data de lançamento: Setembro de 2013
Nota de estúdio: produzido por Carlos Rocha e Rafael Rodrigues; gravado por Carlos Rocha nos Eyeball Studios (Loulé); masterizado por Miguel Carvalho (D'Alma Productions).
Estilo: rock/metal
Origem: Faro (Portugal)
Formação: 2002
Artwork: Ruben Azevedo (Radesign)

Alinhamento:
1. "Opening Act: The Dawn" (0:41)
2. "Tutti Sacro" (5:03)
3. "The Great Depression" (3:48)
4. "The Path" (3:31)
5. "Giant With Feet Of Clay" (6:46)
6. "The Den" (4:02)
7. "Interlude: The Dusk" (0:34)
8. "Blank Letter" (4:03)
9. "Neighbloodhood" (4:35)
10. "Message" (4:56)
11. "Asphalt Ashtray" (4:58)
12. "Deep Slashes" (16:17)
Duração: 59 minutos

Elementos:
- Rafael Rodrigues (voz, guitarra)
- Nuno Gonçalves (guitarra, voz)
- Bruno Pereira (guitarra)
- João Bernardo (baixo)
- Ricardo Botequilha (bateria)

Discografia:
- "Even The Most Honest Man Sometimes Tells Some Lies" (Ed. digital - 2009)
- "Even The Most Pacific Man Sometimes Has To Kill" (EP - 2011)
- "The Calm Before The Storm" (CD - 2012)
- "III" (CD - 2013)




Ler mais »

Review - Nebulous - «Nebulous»

NEBULOUS
"Nebulous"
[CD - Ed. de Autor]

Será difícil precisar, mas talvez este seja mesmo um trabalho inédito em Portugal em termos de conceito musical. Sem dúvida que existem casos próximos - como os dos Colosso, Kneel, Clutter, Stampkase ou mesmo algo tão recôndito como os extintos Psy Enemy -, mas certamente que é difícil encontrar quem leve tão à risca a percepção rítmica e progressiva dos Meshuggah cá no "burgo". E destituindo qualquer surpresa, a acrescentar que estes são, nem mais nem menos do que os Endamage com o baterista Marcelo Aires [Colosso, ex-Oblique Rain] que entre 2004 e 2012 tocaram death metal melódico.

Alterações de formação e interesses musicais terão levado a tão drástica transfiguração. Legítimo? Com certeza, até porque a música é, antes de mais, sinónimo de liberdade. Arregaçaram as mangas e enfebrecidos por uma forte inspiração noutra área, criaram um disco repleto de estruturas complexas, groove esmagador, dissonâncias sinistras, arranjos muito bem debuxados, num invólucro geral que transpira profissionalismo.

Quando se referia outras aproximações no plano nacional, a diferença está em que os Nebulous conservam a agressividade e os principais maneirismos (de forma muito hirta) das deidades suecas já referidas e que, no fundo, criaram todo este movimento math/djent/progressivo. Normalmente em termos internos a melodia assume importante papel e houve casos em que bandas com os mesmos princípios nem saíram da garagem. Assim se explica então o posicionamento favorável dos Nebulous neste contexto musical. 

Todavia, e pelos mesmos motivos, os Nebulous não estão a desenvolver algo susceptível de abanar as estruturas do género, mas de certo que se estreiam num patamar de excelência capaz até de camuflar as suas origens (e isto sem qualquer complexo de inferioridade) e fazê-los parecer oriundos dos Estados Unidos ou Inglaterra, onde o género tem maior expressão.

Aparentemente há pouco a dizer quando assim é (quando a "novidade" é apenas a segurança e solidez na interpretação). Mas fique-se consciente de que estes bracarenses não se limitam a ser uma cópia fiel dos Meshuggah. Há lugar a uma predisposição para dinamizar o seu som com algumas passagens vocais limpas - confira-se "Hyperborea" e "Sorah" - e um estado de espírito progressista mais típico dos Textures, sendo que os Tesseract e Uneven Structure nunca se esfumam desse imaginário. Indo ainda mais atrás em toda a loucura polirrítmica que se enfatizou no novo milénio, "Nausea" parece uma discreta homenagem aos Mnemic.  E o melhor de tudo é que não enveredam pelo tecnicismo muitas vezes exacerbado de uns Periphery ou Animals As Leaders.

Pesados os prós e contras, em termos de identidade os Nebulous poderão não ter dado um passo em frente comparativamente à sua anterior encarnação, mas deram um passo enorme em termos de concepção de escrita e dinamismo. Se há lugar para mais uma banda de "math qualquer coisa djent"? A verdade é que os "pequenos" pormenores deste disco fazem crer que há aqui muito mais do que um "sonho molhado" à moda sueca, entre compassos esquisitos e presunções de que assim vamos soar mais fixes e intelectuais. [8/10] N.C.

Data de lançamento: 14 de Outubro de 2013
Nota de estúdio: captação por Pedro Mendes nos Ultrasound Studios, em Braga; mistura e masterização por André Rodrigues; apoio do Grave Studio.
Estilo: math/djent/progressivo
Origem: Braga/Guimarães/Porto (Portugal)
Formação: 2012
Artwork: David Rodrigues

Alinhamento:
1. "Abnegation" (2:50)
2. "Dharma" (3:45)
3. "Nausea" (4:30)
4. "Hyperborea" (2:57)
5. "Gaea" (3:44)
6. "Sorah" (3:35)
7. "Ethereal" (5:52)
8. "Benighted" (4:08)
9. "Contemplation" (1:50)
Duração: 33 minutos

Elementos:
- Snake (voz)
- Vítor (guitarra)
- Pingas (guitarra)
- Rui Silva (baixo)
- Marcelo Aires (bateria)

Discografia:
- "Nebulous" (CD - 2013)




Ler mais »

Review - My Deception - "Sinful Twilight"

MY DECEPTION
"Sinful Twilight"
[CD - Ethereal Sound Works]

 photo mydeception_capa_zps9093a403.jpgCom seis anos de dura labuta no underground nacional, os My Deception concretizaram o objectivo de editar um disco de estreia. "Sinful Twilight" será um óbvio sinal da obstinação destes quatro sintrenses e uma tentativa de recordar que o gothic rock ainda tem (boa) representação em Portugal.

Nesta rodela sonora salta à vista a coesão da interpretação e produção. No entanto, perde-se algum entusiasmo ao longo da audição à medida que os clichés vão surgindo, nomeadamente no que respeita aos coros sintetizados. O gothic rock de inspiração "metálica" ("Infernal Temptation" e "Neverending Darkness" são ocasionalmente mais pesados, invocando Crematory e Paradise Lost) é um género tendencialmente conservador e que vive grandemente do efeito contagioso das suas melodias e refrões. Digamos que a fasquia fixou-se bem no alto com trabalhos dos HIM, Lacrimas Profundere, The 69 Eyes ou Charon, mas mesmo em Portugal existe a sombra deixada pelo genial disco de estreia dos Icon & The Black Roses, já para não falar da discografia histórica dos Heavenwood e mesmo de uma geração mais recente composta pelos Secrecy e Urban Tales.

Todavia, nada disso torna o resultado deste trabalho constrangedor, mesmo que seja difícil ultrapassar o choque de termos um álbum do género a jogar demasiado pelo seguro e que até nem consegue render um potencial hit. Não obstante, e sem grandes contemplações, percebe-se que os My Deception conhecem perfeitamente os terrenos que pisam e será apenas uma questão de tempo até encontrarem uma fórmula que torne a sua música numa experiência transponível para a posteridade. A competência técnica e interpretativa está toda lá. [5/10] N.C.  

 photo mydeception_zps372d7775.jpg
Data de lançamento: 26 de Junho de 2013
Nota de estúdio: gravação, mistura e masterização por Sean Rose [Icon & The Black Roses] nos E-Studios
Estilo: gothic rock/metal
Origem: Sintra (Portugal)
Formação: 2007

Alinhamento:
1. "Daylight My Deception" (4:40)
2. "Nothing Inside" (7:15)
3. "Infernal Temptation" (3:51)
4. "Cold Life" (5:44)
5. "Decades Alone" (0:57)
6. "Ode To Nothingness" (5:20)
7. "Neverending Darkness" (4:45)
8. "Sinful Twilight" (5:48)
9. "Sacrifice (versão dos London After Midnight)" (5:53)
Duração: 44 minutos

Elementos:
- Peter Davis (voz/guitarra/sintetizadores)
- Luís Correia (guitarra)
- Rui Kristo (baixo)
- Bruno Ramos (bateria)

Discografia:
- "The Age Of No Devotion" (EP - 2009)
- "Sinful Twilight" (CD - 2013)



Ler mais »

FOR THE GLORY - «Lisbon Blues» [review]


E para celebrar data tão simbólica como os dez anos de carreira, nada melhor do que arremessar aos "leões" um novo disco. Mas preferencialmente um disco especial. Para os lisboetas For The Glory, já pouco causa mais surpresa do que a sua própria convicção inabalável enquanto pessoas e músicos, o que não significa que não consigam manter-se estimulantes e frescos.

Ao quarto longa-duração, os For The Glory fazem o que seria basicamente expectável, caso não acreditássemos que aqui tudo acontece de forma puramente visceral. Recuaram um pouco no tempo, pegaram na fúria mais descontrolada da estreia "Drown In Blood" - como em "110" - e no groove transversal a toda a sua discografia e dão-lhe ainda maior ênfase de forma a parirem temas tão corpulentos e abrasivos como "Lisbon Blues" ou tão intensos e viciantes como "Darktimes".

Apesar de também podermos ficar rendidos à mensagem altruísta e anti-racista de "No Color" ou à dinâmica combusta de "Old Wounds", a verdade é que ouvir um disco dos For The Glory é como voltar diariamente a casa ao fim de um dia trabalho, com todos os maneirismos previsionais e monótonos da situação, e encontrar a mesma purga, mas sempre a mais eficaz. E sobretudo para quem inala a atmosfera eivada das grandes cidades. De um modo geral, até como o próprio título indica, este é um disco mais umbroso e melancólico. Tipicamente português, mas não resignado. 

Os For The Glory atingiram aquele patamar de maturidade que os coloca reféns da feliz inevitabilidade de não conseguirem falhar. Respiraram, respiram e continuarão a respirar hardcore.


Classificação: 8/10 [N.C.]
Data de lançamento: 16 de Setembro de 2013
Edição: Rastilho Records
Nota de estúdio: gravado e masterizado por Jacob Bredahl [ex-Hatesphere]
Estilo: hardcore
Origem: Lisboa (Portugal)
Formação: 2003
Artwork: Ricardo "Congas" Dias e Samuel Lucas

Alinhamento:
1. "Intro" (1:35)
2. "No Color" (2:52)
3. "The Key" (2:56)
4. "Lisbon Blues" (2:48)
5. "Life Is A Carousel" (2:10)
6. "110" (1:01)
7. "Darktimes" (2:09)
8. "Restless Souls" (2:02)
9. "Old Wounds" (3:02)
10. "D.W.F." (2:36)
11. "Never See Me Fail" (3:14)
Duração: 26 minutos

Elementos:
Ricardo Dias (voz)
Sérgio Bernardo (guitarra)
João Reis (guitarra/voz secundária)
Rui Brás (baixo/voz secundária)
Pedro Conceição (bateria)

Discografia:
"Drown In Blood" (CD - 2004)
"Survival Of The Fittest" (CD - 2007)
"Some Kids Have No Face" (CD - 2011)
- "Lisbon Blues" (CD - 2013)

Ler mais »

Review - Primal Attack - "Humans"

PRIMAL ATTACK
"Humans"
[CD - Hellxis Records]

Com os Seven Stitches a viveram ainda na ressaca de "When The Hunter Becomes The Hunted", que já data de 2010, ainda que tenham oficializado a escrita de um sucessor em Abril do ano passado, o vocalista Pica parece não dar-se bem com tempos mortos e encetou um novo projecto idealizado pelo guitarrista Miguel Tereso. Daí surge, há cerca de um ano, aquela que pode facilmente traduzir-se numa das bandas mais rápidas a atingir a maturação em solo nacional, à semelhança do que tivemos com os Switchtense, Echidna, Revolution Within, W.A.K.O., entre outros. Para isso contaram ainda com o contributo do guitarrista Tiago Câmara [Spoiled Fiction], do baixista Miguel Miranda e do baterista Miguel Ferreira.

Mas o que provoca tal ebulição? À primeira vista, não se afastam muito do que tem sido a forte tendência interna: thrash metal moderno com forte cariz hardcore, embora esse último elemento não esteja aqui tão presente, sendo suplantado pelo groove típico de bandas como Pantera ou Machine Head.

Do ponto de vista da criatividade não há muito que possamos apontar neste disco. Ao invés, é a precisão da composição (muito desenvolta, ágil e conectada) que resulta num punhado de excelentes riffs e solos (Miguel Tereso poderá ser mesmo uma das maiores surpresas a sair do metal nacional recentemente no que toca à arte de manobrar a guitarra), confluindo para temas de enorme eficácia, sobretudo ao vivo. A relativa simplicidade de alguns riffs e cadências rítmicas são trunfo para essa mesma eficácia, ficando os refrões espampanantes relegados para segundo plano ("Time To Reset" é a faixa que fica mais perto desse efeito).

Apesar de marcos como "Safe And Strong" e "Strange Attraction" pela viralidade dos seus riffs, ou "No Respect" pelo arranque desenfreado da guitarra e uma dissonância a meio que nos remete para o universo de uns Voivod, "Humans" é um disco que vale pelo seu todo e que é capaz de surpreender pela coesão da interpretação, dos arranjos e da produção. Parece evidente que a banda está mais preocupada em criar música que cause estragos ao vivo do que inovar. Essa pode ser uma faca de dois gumes, já que os mais ávidos por algo refrescante poderão sair desiludidos, mas a coesão com que se apresentam, logo num disco de apresentação, faz dos Primal Attack uma das bandas a seguir de perto no plano doméstico. [7.8/10] N.C.


Data de lançamento: 19 de Julho de 2013
Nota de estúdio: não disponível
Estilo: thrash/groove/hardcore
Origem: Lisboa (Portugal)
Formação: 2012

Alinhamento:
1. "Safe And Strong" (4:36)
2. "Strange Attraction" (4:23)
3. "Despise You All" (5:04)
4. "Not Enough" (3:08)
5. "Time To Reset" (4:30)
6. "Mindwalker" (3:57)
7. "No Respect" (4:57)
8. "Road To Nowhere" (3:32)
Duração: 34 minutos

Elementos:
- Pica (voz)
- Miguel Tereso (guitarra)
- Tiago Câmara (guitarra)
- Miguel Miranda (baixo)
- Miguel Ferreira (bateria)

Discografia:
- "Humans" (CD - 2013)


Ler mais »

Review - The Tangent - "Le Sacre Du Travail"

THE TANGENT
“Le Sacre Du Travail”
[CD – InsideOut Music]

The Tangent deverá ser um nome que dispensa apresentações entre os amantes do prog rock. Se não for o caso, aconselha-se vivamente que estes actualizem o seu conhecimento, pois estão a deixar passar uma das melhores bandas do género.

Apesar do título francês, “Le Sacre Du Travail” é um trabalho britânico, conforme indica o subtítulo “An Electric Sinfonia By Andy Tillison”. É já o oitavo álbum da banda, embora o primeiro com esta formação, que acolhe de volta os ex-membros Jonas Reingold (baixo) e Jakko M. Jakszyk (guitarra), assim como recruta o aclamado baterista dos Porcupine Tree, Gavin Harrison. Uma reestruturação devida a vários problemas, nomeadamente financeiros, mas que acabou por resultar muito bem, dado o brilhantismo deste álbum.

“Não se refere a um só estilo mas a uma abordagem que combina elementos de diferentes estilos” é o que a Wikipédia diz do rock progressivo. E bem que poderia ter a imagem de “Le Sacre Du Travail” a ilustrar estas palavras. A complexidade estrutural típica do género é rica em teclas – ou não fosse o instrumento principal do “cérebro” Andy Tillison o teclado – mas a sonoridade destas pende mais para o jazz do que para o rock. Uma sonoridade que o ocasional saxofone completa com um certo requinte.

A música clássica está representada não só no formato, nos andamentos de uma sinfonia. Os vários interlúdios ao longo dos extensos segundo e terceiro movimentos, adornados pela suavidade de uma flauta, são claramente de natureza clássica, enquanto que todo o quarto movimento é uma peça instrumental que entrelaça o clássico e o progressivo de uma forma arrebatadora. E o último movimento viaja umas largas décadas na linha temporal do prog rock, algures entre os anos setenta e oitenta, mas soando contemporâneo e sofisticado, como só uma grande obra consegue fazer.

Tratando-se de um álbum conceptual, onde cada movimento/tema dá continuidade ao seguinte, as três faixas bónus podem parecer algo desenquadradas. Mas ao mesmo tempo, e como foi referido antes, é pela diversidade que os The Tangent se distinguem. [9/10] R.L.

Data de lançamento: 24 de Junho de 2013
Nota de estúdio: produzido por Andy Tillison e Paul Brow.
Estilo: rock progressivo
Origem: Reino Unido
Formação: 2002

Alinhamento:
1. “1st Movement: Coming Up On The Hour (Overture)” (05:55)
2. “2nd Movement: Morning Journey & The Arrival” (22:54)
3. “3rd Movement: Afternoon Malaise” (19:20)
4. “4th Movement: A Voyage Through Rush Hour” (03:07)
5. “5th Movement: Evening TV” (12:06)
06. “Muffled Ephiphany” (faixa bónus) (04:05)
07. “Hat” (ao vivo Mexborough School 1979) (faixa bónus) (01:16)
08. “Evening TV” (radio edit) (faixa bónus) (04:28)
Duração: 1:13:14 

Elementos:
- Andy Tillison (teclas/vozes/guitarras/baixo)
- Jakko M. Jakszyk (guitarra/vozes)
- Theo Travis (saxofone/flauta)
- Jonas Reingold (baixo)
- Gavin Harrison (bateria)
- David Longdon (vozes/arranjos vocais)

Discografia:
- “The Music That Died Alone” (CD – 2003)
- “The World That We Drive Through” (CD – 2004)
- “Pyramids And Stars” (CD ao vivo – 2005)
- “A Place In The Queue” (CD – 2006)
- “Going Off On One” (CD/DVD ao vivo – 2007)
- “Not As Good As The Book” (CD – 2008)
- “A Place On The Shelf" (CD – 2009)
- “Down And Out In Paris And London” (CD – 2009)
- “Going Off On Two” (CD/DVD ao vivo – 2011)
- “COMM” (CD – 2011)
- “Le Sacre Du Travail (The Rite Of Work)” (CD – 2013)



Ler mais »

Review - The Mezmerist - "The Innocent, The Forsaken, The Guilty"

THE MEZMERIST
"The Innocent, The Forsaken, The Guilty"
[CD - Shadow Kingdom Records]

São tidos como um dos maiores "mistérios" da música de peso norte-americana dos anos 80. Formaram-se no início da referida década e por um único membro, Tommy Mezmercardo. Pouco mais se sabe para além de que lançaram EPs em 1983 e 1985 e que basicamente se esfumaram, o que deu azo que a estes registos estivessem altamente cotados no eBay.

E para colocar fim a esta espécie de inflação resultante do estatuto de "gemas perdidas", a Shadow Kingdom Records coloca em Setembro no mercado estes dois EPs num único registo. Heavy/doom metal que deve influências a nomes igualmente ancestrais como Coven e Cirith Ungol ornamentado pelo psicadelismo de Paul Chain. Os Mercyful Fate, principalmente no que respeita a vozes, é outro dos motores destes The Mezmerist, enquanto uns Black Sabbath mais arrastados e uns Led Zeppelin menos pesados vagueiam muito por alto por aqui.

Certo é que, à data que foram lançados, estes EPs tinham outro significado. Para além de alguma tentativa frustrada de soarem "fantasmagóricos" (com umas vozinhas agudas a roçar o cómico), pouco há a registar para além do ritmo mais enérgico de "No Family, No Friends" e a endiabrada "The Jam Song", ou a prestação aqui e ali mais característica de Bill Ward (sim, o baterista original dos Black Sabbath) e o baixo virtuoso de Steve Conrad. De resto, escasseiam riffs verdadeiramente memoráveis e coabita um quê de minimalismo amador em vários momentos deste material. Pena que só em "The Jam Song" mostrem verdadeiramente a audácia que provavelmente os ia tornando numa referência incontornável. Outros tempos, é certo, mas ainda assim há gemas muito mais influentes que saíram daquela e de outras eras. [5/10] N.C.

Data de lançamento: 3 de Setembro de 2013
Nota de estúdio: indisponível
Estilo: heavy/doom metal psicadélico
Origem: Los Angeles (Estados Unidos)
Formação: 1980

Alinhamento:
1. "The Forsaken" (3:01)
2. "Dead Ones Cry No More" (6:55)
3. "Arabian Nights" (3:33)
4. "Victim Of Environmental Change" (5:51)
5. "Kingdom Of The Dead" (3:58)
6. "No Family, No Friends" (4:13)
7. "The Jam Song" (8:56)
Duração: 36 minutos

Elementos:
- Tommy Mezmercardo (voz/guitarra)
- Roger Abercrombie (baixo)
- Steve Conrad (baixo)
- Bill Ward (bateria)
- JR (bateria)

Discografia:
- "EP" (1983)
- "EP" (1985)
- "The Innocent, The Forsaken, The Guilty" (CD - 2013)



Ler mais »

Review - Kneel - «Interstice»

KNEEL
"Interstice"
[CD - Edição de autor]

Perdemos de vista Pedro Mau desde 2008, altura em que os Kneeldown deram por finda a sua actividade. Porém, aos poucos se percebeu do seu inconformismo e não demorou até começar a canalizar a sua criatividade para um novo projecto. Kneel - percebe-se perfeitamente a associação ao seu antigo grupo - é uma entidade autónoma e fidedigna para com aquilo que é a actual visão técnica e criativa do músico nascido na pacata cidade alentejana de Ponte de Sor.

Pedro Mau interpreta todos os instrumentos - excepto as vozes, cortesia do convidado Filipe Correia [Concealment, Wells Valley]. A captação, mistura e masterização e até mesmo o artwork estiveram a seu cargo - estará numa fase implacável de expressão e dinamismo. Sem corrermos muitos riscos de falhar o palpite, digamos que Kneel é a versão mais negra, dissonante, psicadélica e, no fundo, aperfeiçoada dos Kneeldown, embora esses últimos só a espaços muito comedidos demonstrassem os elementos aqui referidos - numa clara distinção (só agora mais perceptível) do que era o papel de Pedro Mau na extinta banda. Salvaguardadas as devidas distâncias, este é, para todos os efeitos, um novo mundo para o músico.

Logo na abertura "Murmurs" surpreende-nos pela abordagem rítmica sincopada, fazendo facilmente perceber que Mau está cada vez mais imerso e apaixonado por aquilo que é o universo experimentalista e inóspito dos Meshuggah ou The Dillinger Escape Plan. Com o passar dos temas, fica também claro que a intenção do autor não é encetar qualquer homenagem "parasítica" aos nomes citados, até porque nunca chega a ser tão intrínseco, como comprova temas como "Thrall" ou "Amend" - face da predilecção de Mau pelo thrash/hardcore de uns A Life Once Lost ou Trap Them.

A verdade é que ao longo de nove temas, Kneel acaba por mostrar uma notável mestria na arte de dominar ritmos inteligentemente balançados e mecânicos, o que conjugado com umas guitarras bem graves e directas, mais preocupadas em criar ambientes tensos e sombrios do que qualquer docilidade harmónica, e uma bateria com tendência para se desviar do óbvio, resulta num disco pouco apelativo para as massas, mas bastante sugestivo para quem procura mais do que um conjunto de temas arrumadinhos e formatados para servir hypes. A atitude independentista faz-se aqui sentir, sobretudo para aquilo que é comum no plano nacional. Dir-se-á que podem ir perfeitamente para o pote onde reinam os Concealment - já de si únicos nestas e noutras paragens. Acreditando que a obstinação e perseverança de Pedro Mau vão fazê-lo crescer ainda mais, podemos considerar que este é "apenas" um excelente ensaio para o que pode ser um dos projectos mais interessantes e letais a emergir de Portugal nos últimos tempos. [8/10] N.C.

Data de lançamento: 29 de Junho de 2013
Nota de estúdio: produzido, gravado, misturado e masterizado por Pedro Mau em estúdio caseiro, em Ponte de Sor (Portugal); masterização em colaboração com Daniel Cardoso; vozes captadas nos Malware Studios, em Sintra.
Estilo: groove/experimental/math/hardcore metal
Origem: Ponte de Sor (Portugal)
Formação: 2010

Alinhamento:
1. "Murmurs" (04:10)
2. "Amend" (03:37)
3. "Occlusion" (04:15)
4. "Lessening" (03:54)
5. "Absence" (02.05)
6. "Cloak" (05:42)
7. "Debris" (03:38)
8. "Thrall" (03:26) (vozes de apoio por Pedro Mau)
9. "Sovereignty" (04:56) (vozes de apoio por Pedro Mau, Pedro Lopes e David Jerónimo)
Duração: 36:11 minutos

Elementos:
- Filipe Correia (voz - convidado)
- Pedro Mau (guitarra, baixo, bateria)

Discografia:
- "Interstice" (CD - 2013)




Ler mais »

Review - New Years Day - "Victim To Villain"

NEW YEARS DAY
“Victim To Villain”
[CD – Century Media]

Com uma imagem entre o emo e o neo-goth e uma sonoridade rebelde q.b., os New Years Day conseguiram a atenção de uma grande editora (Century Media).

“Victim To Villain” é já o quarto trabalho da banda liderada por Ash Costello, segundo longa-duração – ainda que “longa-duração” não seja uma expressão literal: com cerca de 35 minutos distribuídos por onze temas, os New Years Day demonstram que têm isso em comum com o verdadeiro punk rock. Mas no geral, trata-se de rock ligeiro, que entra bem no ouvido e até fica por lá.

Os acordes iniciais de “Do Your Worst” que a vossa mente vai associar a um filme de terror, mas em breve desenvolvem num ritmo bastante espevitado; o trote sedutor de “I’m No Good”; as vibrações eléctricas de “Bloody Mary”; as guitarras mais sóbrias de “Victims”; o crescendo de liberdade de “Hello Darkness”; o toque dançante de “Death Of The Party”; a suavidade de “The Arsonist”; o mistério de “Angel Eyes”, em que Chris Motionless (Motionless In White), mais do que fazer dueto, assume uma cumplicidade com Ash; a ideia de cabaret de “Any Last Words”; a melancolia de “Tombstone”; ou o tom mais pesado de “Last Great Love Story”. Todos eles têm algo de orelhudo que, ainda que não propriamente extraordinário, vai mexer com o lado mais pop de cada “rockeiro”. [7/10] R.L.

Data de lançamento: 11 de Junho de 2013
Nota de estúdio: produzido, gravado e misturado por Erik Ron nos Grey Area Studios, Califórnia; masterizado por Alan Douches em West West Side Music, Nova Iorque.
Estilo: pop/punk rock
Origem: Anaheim (Estados Unidos)
Formação: 2005

Alinhamento:
1. "Do Your Worst" (3:16)
2. "I'm No Good" (3:45)
3. "Bloody Mary" (3:13)
4. "Victim" (3:58)
5. "Hello Darkness" (3:21)
6. "Death Of The Party" (3:14)
7. "The Arsonist" (3:24)
8. "Angel Eyes" (com Chris Motionless) (2:57)
9. "Any Last Words?" (2:50)
10. "Tombstone" (1:45)
11. "Last Great Love Story" (3:17)
Duração: 34:52 minutos

Elementos:
- Ashley Costello (voz)
- Russel Dixon (bateria)
- Anthony Barro (baixo/coros)
- Jake Jones (guitarra)
- Nikki Misery (guitarra)

Discografia:
- “New Year’s Day” (EP – 2006)
- “My Dear” (CD – 2007)
- “The Mechanical Heart” (EP – 2011)
- “Victim To Villain” (CD – 2013)




Ler mais »

Review - Orphaned Land - "All Is One"

ORPHANED LAND
“All Is One”
[CD – Century Media]

Desde o início da sua carreira que os Orphaned Land apelam à tolerância política e religiosa, e dado o título e capa deste último trabalho, ainda antes de ouvirmos as letras já sabemos que a mensagem permanece a mesma. A música, no entanto, é que mudou.

Usando as palavras de Kobi Fahri, a banda decidiu que estava na altura de fazer algo menos complexo, com temas ligeiramente mais curtos e melódicos, e as letras sem abstratismos ou metáforas, de modo a não haver margem para segundas interpretações. E provavelmente pelo mesmo motivo, o tom gutural de Fahri é apenas ouvido numa música, e por breves momentos, numa letra que é mais sombriamente proclamada do que cantada (“Fail”).

A vivacidade do tema-título, criada tanto pelos sons do Médio Oriente como pelo coro turco de 25 vozes, não é propriamente o que se esperaria dos Orphaned Land, ainda para mais quando o riff base da guitarra eléctrica soa tão monocórdico. Mas não deixa de ser um tema bem estruturado e que, afinal, atingiu os seus objectivos: simplicidade e diversidade,

“Brother” e “Children” são ambas baladas tristes, mas a segunda tem uma sonoridade mais trágica, a primeira suavizada por violinos.

“Let The Truce Be Known” lembra levemente o doom de outrora, mas os restantes temas quase que parecem pertencer a uma banda diferente. Da mistura de metal com os sons arábicos, apenas estes ficaram e o metal foi substituído por um rock pouco progressivo. Dizer que este é o seu álbum mais comercial pode soar pejorativo e não é isso que se pretende, dada a qualidade da composição e interpretação, ao mais pequeno detalhe. Mas “All Is One” é, sem dúvida, o álbum mais acessível dos Orphaned Land e nem todos os fãs verão com bons olhos essa acessibilidade. [7/10] R.L.

Data de lançamento: 24 de Junho de 2013
Nota de estúdio: gravado em Israel, Turquia e Suécia; misturado por Jens Bogren.
Estilo: metal progressivo/oriental
Origem: Bat-Yam/Petah-Tikva (Israel)
Formação: 1991

Alinhamento:
1. “All Is One” (04:32)
2. “The Simple Man” (04:53)
3. “Brother” (04:55)
4. “Let The Truce Be Known” (05:31)
5. “Through Fire And Water” (04:08)
6. “Fail” (06:03)
7. “Freedom” (03:17)
8. “Shama'im” (03:56)
9. “Ya Benaye” (04:37)
10. “Our Own Messiah” (05:21)
11. “Children” (07:09)
Duração: 54:25

Elementos:
- Kobi Farhi (voz)
- Uri Zelha (baixo)
- Yossi Sassi (guitarras/bouzouki/cumbus)
- Chen Balbus (guitarras/Glockenspiel/teclas / programação)
- Matan Shmuely (bateria)

Discografia:
- “The Beloved’s Cry” (Demo – 1993)
- “Sahara” (CD – 1994)
- “El Norra Alila” (CD – 1996)
- “Mabool – The Story Of The Three Sons Of Seven” (CD – 2004)
- “Ararat” (EP – 2005)
- “The Never Ending Way Of ORWarriOR” (2010)
- “The Road To OR:Shalem” (CD ao vivo / DVD – 2011)
- “All Is One” (CD – 2013)



Ler mais »
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...