"Novae" é o registo que apresenta os post-rockers valecambrenses Juseph. A sua edição foi independente e ocorreu em Setembro último. Agora é possível ouvi-lo na íntegra no Bandcamp.
"Novae" é composto por cinco faixas produzidas por Makoto Yagyu [If Lucy Fell], com assistência de Fábio Jevelim, nos Black Sheep Studios, em Sintra. O artwork é assinado por Pedro Sobast [Catacombe].
Os Juseph fundaram-se em 2009 e desde então já subiram ao palco com os Crushing Sun, Men Eater, Lululemon, E.A.K., Aspen ou Process Of Guilt, tendo mesmo participado no Milhões de Festa 2012.
Os
lisboetas O Quarto Fantasma são a banda de abertura do concerto dos noruegueses
Electric Eye a 26 de Outubro (próximo sábado) no Sabotage Club, na capital
portuguesa. O início do espectáculo está agendado para as 22h30 e o ingresso custa
5 euros.
O
Quarto Fantasma encontra-se a promover o seu álbum de estreia, "A
Sombra", editado a 24 de Maio pela Raging Planet, cujo catálogo inclui os
Bizarra Locomotiva, Peste & Sida, Riding Pânico, Sinistro, entre outros. A
gravação e mistura estiveram a cargo do norte-americano Chris Common [Omar
Rodriguez Lopez, These Arms Are Snakes, Pelican] nos Cork House Studios, com
masterização de Fernando Matias [Bizarra Locomotiva, Linda Martini, f.e.v.e.r.]
no The Pentagon Audio Manufacturers.
O
trio formou-se em 2010 e explana um rock maioritariamente experimental pautado
por dinâmicas que vão quase do silêncio até intensas explosões sónicas. A
estreia nas edições foi feita com o EP "Arder", em 2011, que incluiu
uma versão de "Canção de Embalar" de José Afonso.
Os Riding Pânico vão transportar o seu post-rock para o palco do Ponte
Party People 2013 que decorre no Parque da Ponte, em Braga, a 13 de Setembro. A
entrada é livre (mais informações aqui).
O colectivo lisboeta encontra-se em plena fase de promoção do seu
terceiro registo de originais, "Homem Elefante", editado em Junho
pela Raging Planet e Lovers & Lollypops.
Já a 25 de Outubro, os Riding Pânico deslocam-se ao Musicbox, em
Lisboa, para participar no Jameson Urban Routes ao lado dos If Lucy Fell e dos
norte-americanos No Age.
Os
post-rockers franceses Happening lançaram em formato digital o EP acústico "Wild
Vision". Esse registo sucede a "Birth", também um EP, editado há
algumas semanas.
Os
Happening fundaram-se em 2012 com elementos dos Arteries Shaking e Pin-Up
Explosion e reclamam influências dos Thrice, Karnivool, Architects, Feed The
Rhino, La Dispute e Touche Amore.
Já se encontra disponível para escuta e download gratuito o EP de estreia do grupo de post-rock instrumental portuense
Before And After Science. Intitula-se "Vital Signs Of A Fallen World"
e é composto por dois temas misturados nos Estúdios Sá da Bandeira, no Porto,
por Cláudio Tavares [Atlast, ex-For The Glory, ex-Solid] e masterizado no mesmo
local por João Brandão [Throes, The Shine]. O artwork é baseado no trabalho fotográfico de Ivo Madeira e Benjamim
Daniel. Uma versão física estará disponível em Agosto.
Em nota de imprensa, os Before And After Science caracterizam o seu
trabalho como "uma sonoridade exploratória do binómio peso-melodia que se
desenha em crescendos de beleza atmosférica e cinematográfica". Na
ausência de letras, sublinham a "forte sugestão conceptual do título em
compensação" que sugere um "universo ecléctico de interpretações
auditivas".
Os Before And After The Science formaram-se em 2009 e apresentam como
principais influências bandas como os Caspian, Russian Circles e Explosions In The
Sky.
Olhando para o longo percurso de Valério Paula, seria
afiançável a qualidade inequívoca deste trabalho. Músico desde 1992 e com
colaborações que vão desde Ana Malhoa, a membros dos Desire, The Firstborn e
Switchtense, para além dos seus Skewer e este que é já o quarto registo dos
Under The Pipe, o mentor desta entidade suscita a ideia de que há ainda algum
caminho por palmilhar.
Sendo o post-rock uma fonte que tem brotado abundantemente
nos últimos tempos - até mesmo em Portugal - saber-se-ia à partida que qualquer
investida neste campo teria que ser acautelada. E feita justiça, este não é um
trabalho inglório mas percebe-se que alguns problemas de base minam a
verdadeira alma que algumas boas ideias aqui sugerem. A começar imediatamente
pela produção. Sendo caseira, pressupõe-se algumas limitações, mas a sonoridade
de bateria (aparentemente programada) com um rácio de compressão elevadíssimo
chega ao ponto de dificultar a audição das harmonias de guitarra e quebra,
inevitavelmente, o ambiente etéreo e relaxante que são a grande marca de uma
banda do género.
Sendo difícil ignorar a qualidade da gravação e passando
apenas à composição, recuperamos a consciência de que passeiam-se boas ideias
ao longo destes sete temas, mas talvez não o suficiente para as consideramos à
altura de uns Mogwai ou Explosions In The Sky. E se isso for pedir muito
podemos olhar até para os nacionais The Allstar Project, Riding Pânico ou Catacombe.
Música instrumental com intentos atmosféricos exige camadas sensoriais mais
profundas, maior aura e cintilância e outra capacidade para nos embrenhar em
cenários paralelos. Até mesmo mais tempo para se poderem desenvolver (sente-se
que alguns temas terminam antes sequer de atingirem o seu clímax).
Como conclusão, merece-nos referir que qualquer presunção de
experiência do seu autor fica algo beliscada pelo aspecto algo descuidado deste
registo sonoro. Se tivermos em conta que não há altura para se aprender,
estamos certos que esta jovem entidade tem toda a margem de manobra para progredir.
E munida das devidas condições de estúdio pode, definitivamente, ganhar uma
nova alma que merece. [4.5/10] N.C.
Data de lançamento: 27 de Maio de 2013
Nota de estúdio: produzido em estúdio caseiro; masterizado
por Nicholas Deringa (excepto "Long Way To Die" por Valério Paula).
Os
Riding Pânico estão de volta e trazem-nos “Homem Elefante”, um álbum cheio de
emoções, experimentalismo e de grande qualidade. Shela e João Nogueira
falam-nos do novo registo, do processo criativo, das mudanças e do futuro que
se avizinha bem risonho para a banda lisboeta.
Passaram-se cinco anos desde "Lady Cobra", o vosso último registo. O que
levou a esta demora?
Acho que está relacionado com o facto de existir
"Pânico" no nome da banda. É sempre uma incerteza, nunca se sabe bem
o que vai acontecer, mas há uma coisa que é sempre certa: assim que metemos na
cabeça que vamos fazer um disco, as músicas fluem como devem. Isto já deve
estar relacionado com o facto de existir "Riding" no nome! Talvez tenha demorado um pouco demais, mas estamos
muito satisfeitos com o resultado.
Quais são as maiores diferenças entre
"Lady Cobra" e "Homem Elefante"? Sentem que mudaram muito a
sonoridade?
Como já foi referido, passaram-se cinco anos. É
normal e de esperar que muita coisa mude. Mudaram as nossas influências, as
nossas "mãos", os nossos instrumentos, saiu o Miguel e entrou o Fábio
que, como alguém disse, "foi como ter saído o 'camião dos bombeiros' e
entrado uma 'máquina de algodão doce'"...
Falem-nos um pouco sobre o novo álbum. Como começaram a aparecer as ideias
para conceber "Homem Elefante"?
Não querendo cair num lugar comum, mas sendo
inevitável, começámos a juntar-nos para tocar. O Fábio aparece com uma série de
riffs de guitarra, o Jorge sai-se com outros, o Jonas transforma-se num 'monge
mau', etc., etc.. Comparativamente ao que
aconteceu para o "Lady Cobra", acho que foi praticamente igual.
Já agora, o que significa o título?
Não existe nenhum conceito definido por trás
dele. O álbum aparece agora mas foi um processo do qual fizeram parte não só os
Riding Pânico mas também todas as pessoas com quem tocámos que nos inspiraram a
criar este "monstro" com "coração de manteiga".
Que impacto tiveram as mudanças de line-up?
Acho que de alguma maneira já respondemos a essa
questão. O Chris, tal como todos os outros que passaram pela banda, deixaram o
seu contributo. Aprendemos uns com os outros e a memória que fica é a de
querer fazer, querer tocar, querer partilhar a música com amigos e depois
com o público. O impacto foi maior nas nossas vidas, com as amizades que
fizemos, do que propriamente na banda.
Os Riding Pânico são uma banda muito acarinhada no espectro underground
nacional. Como surgiu este projecto?
Dois gajos conhecem-se em 2003 e sacam uns
riffs... até hoje.
Quais são as vossas influências e como lidam com elas no processo de
gravação de um álbum?
A influência do Jorge é o BB, a do BB é o Shela, a do Shela é o Makoto, a
do Makoto é o Fábio, a do Fábio é o Jonas e a do Jonas é o Jorge...Nem sempre é fácil lidar com estas influências todas
mas nada que duas cervejas não resolvam.
Sabe-se que têm alguns projectos paralelos. Falem-nos um pouco do que está a
acontecer com esses mesmos?
If Lucy Fell e Men Eater estão de "licença sabática" e Paus está bem,
muito obrigado.
Agendaram alguns concertos de apresentação ao novo álbum. Há mais planos nesse
contexto para 2013?
Para já temos agendadas datas a 5, 6, 20 e 28 de Julho no Texas Bar
(Leiria), Fábrica da Pólvora (Barcarena), GNRation (Braga) e Milhões de Festa
(Barcelos), respectivamente. A 10 de Agosto vamos ao Festival Esvoaça
(Esposende).Mas o objectivo é sempre
tocar o máximo possível.
O que acham do panorama musical hoje em dia com a explosão da música em
formato digital?
Para uma banda como a nossa que não vende muitos álbuns, é uma mais-valia.
Interessa-nos muito mais que o nosso som seja ouvido pelo maior número de
pessoas e que isso se traduza em concertos ao vivo, do que aparecer no Top+
porque vendemos não sei quantas dúzias de cópias. Daí lançarmos o "Homem
Elefante" apenas em vinil para quem gosta de comprar o objecto físico.
Esperamos que digitalmente se propague por essa rede fora e que nos
proporcione, no mínimo, a oportunidade de voltarmos a gravar um novo disco.
Parece que foi ontem mas cinco anos passaram desde “Lady
Cobra”, o primeiro longa-duração dos lisboetas Riding Pânico. Pelo meio, muitos
projectos, algumas mudanças de formação mas nada abalou este muito acarinhado
colectivo.
“Homem Elefante” é um álbum mais minimalista, simples e directo
que os seus antecessores. Apesar disso, percebe-se logo, aos primeiros acordes
de “Zulu”, que não perderam a sua identidade e qualquer conhecedor da banda consegue
identificá-la.
Há algum peso, não muito. Há também mais intensidade que
propriamente passagens melódicas e introspectivas. As sete faixas espalhadas em
cerca de 36 minutos deste curto álbum complementam-se de uma forma quase
perfeita.
Depois de uma introdução poderosa, “Dance Hall” e “Código
Morte” marcam uma toada mais pausada. É impressionante o quanto cresceram estes
músicos desde o seu primeiro EP. Soam tão mais maduros e disciplinados. Uma
prova disso mesmo é “Monge Mau”, uma das faixas mais bem conseguidas do disco
(não que haja alguma menos conseguida), pois mistura tudo o que há de melhor na
sua sonoridade.
A ponta final do disco chega-nos com “Blueberry Surprise”,
“Nunca Digas Banzai” e “Parece Que Perdeste Alguém”, este último recheado de
intensidade e uma mistura de sentimentos dominada pela melancolia. Este trio de
faixas serve para nos dar o golpe final e deixar-nos completamente de queixo
caído e a salivar por mais.
Pena realmente que o disco seja curto mas a verdade é que
não há aqui nada para encher. Tudo foi pensado e escolhido a dedo. É muito bom
ouvir um disco feito por um grupo de indivíduos apaixonados por música. É ainda
melhor ver os Riding Pânico de regresso ao trono do post-rock em Portugal. [9/10] M.M.
É já esta sexta e sábado que decorre no Centro Cultural e Recreativo de
Bidoeira de Cima, no concelho de Leiria, o Crossover Festival 2013. Da ementa fazem parte
seis bandas nacionais e uma internacional, com sonoridades que vão desde o
metal moderno até ao rock e post-rock.
Assim, abrem o festival os Horse Head Cutters, Braço de Ferro e os espanhóis
V3ctors. No dia seguinte sobem ao palco os Last Hangover, Rooster Claw, These
Are My Tombs e Clutter.
Os bilhetes encontram-se para pré-venda até quinta-feira no Café Le
France, em Carnide (Pombal, Leiria) a 2 euros (um dia) ou 4 euros (dois dias). No
dia os ingressos custam 3 euros e 5 euros.
O início dos espectáculos está agendado para as 22h00.
Os
post-rockers Catacombe estarão de volta ao estúdio dentro de poucos dias para
registar o sucessor de "Kinetic", de 2011. Segundo o grupo de Vale de
Cambra, liderado por Pedro Sobast, o terceiro registo da banda deverá sair no
Outono.
No início do ano os Catacombe associaram-se à editora italiana
Bylec-Tum [God Is An Astronaut, Jakob, PG. Lost] para uma edição especial do
seu EP de estreia, "Memoirs". Editado originalmente em 2008, o
registo está agora disponível em cassete e CD digipack com um tema inédito ("Jardim da Sereia") e nova
capa pela fotógrafa Maria do Carmo Louceiro.
A banda está também a disponibilizar um pack especial com t-shirt, CD, cassete e
postal por 12 euros (mais portes de envio) através do e-mail
catacombe.band@gmail.com. A edição em cassete pode também ser adquirida por
bylec-tum@libero.it.
Liderados
pelo veterano Valério Paula, os Under The Pipe lançaram o seu primeiro trabalho
em formato físico, o EP "After Sound Comes Silence", no passado dia
27 de Maio pela Ethereal Sound Works.
O
sucessor de "Start Over Again", de 2011, apresenta sete temas com
"um som mais forte, rápido e enérgico", segundo a banda de post-rock
oriunda do Barreiro.
Os
Under The Pipe formaram-se em 2010 e contam também com os EPs "Past And Future",
de 2011, e "Fix You, You Are Not Alone", de 2012. Valério Paulo
regista um passado ligado a géneros como o thrash, grunge e black metal, tendo
trabalhado com elementos dos Desire, The Firstborn e Switchtense e mais
recentemente feito parte dos Skewer.
São
seis as datas agendadas para este mês de Março no âmbito da promoção ao álbum
"Heavy Water". A primeira é já hoje no Bacalhoeiro, em Lisboa.
Os
post-rockers lisboetas vão ainda levar o seu álbum de estreia, editado em Abril
de 2012 pela Raging Planet, a Barcelos (CCOB, dia 28), Porto (O Meu Mercedes, dia 29), em Vila Real
(local a designar, 30), Bragança (local a designar, dia 30) e Viana do Castelo
(Freguez, dia 30).
"Heavy
Water" foi gravado por Makoto Yagyu [PAUS, Riding Pânico, If Lucy Fell] e
Fábio Jevelim nos estúdios Black Sheep, em Sintra. A masterização esteve a
cargo de Chris Common [These Arms Are Snakes].
Finalmente ao quarto álbum de
estúdio os Long Distance Calling decidiram-se a recrutar um vocalista a tempo
inteiro. O seu nome é Martin Fischer [Pigeon Toe, ex-Fear My Thoughts] e vem
acrescentar outra profundidade à banda. "The Flood Inside" é mais um
passo em frente na carreira destes germânicos que não mostram ter qualquer tipo
de medo em percorrer territórios musicais novos. A grande mudança em relação
aos álbuns anteriores é que neste 50% das músicas tem voz. Não só do já
referido Martin Fischer mas também do conhecido Vincent Cavanagh,
vocalista/guitarrista dos britânicos Anathema. Mas já lá vamos.
"Nucleus" abre o disco e
define-o perfeitamente. Riffs pesados seguidos de passagens melódicas e também
um toque de influência de rock progressivo clássico. É uma faixa muito forte
que serve para aguçar o apetite para o que vem de seguida. As primeiras vozes
são ouvidas em "Inside The Flood". Que surpresa agradável. Assentam
que nem uma luva na música. Ou será que é a música que assenta na perfeição na
voz? Martin Fischer possui uma voz límpida que faz lembrar algo entre Mike
Patton e Chris Cornell. A meio do disco, o tom muda um pouco e somos
presenteados com "Welcome Change" que conta com a voz de Vincent
Cavanagh. Ficaria bem, sem margem para dúvidas, em "We're Here Because
We're Here" ou em "Weather Systems".
No entanto, os grande destaques de
"The Flood Inside" são os instrumentais "Ductus" e
"Waves". São estes dois grandes momentos do disco que provam que os
Long Distance Calling querem experimentar e inovar, levando-os para outro nível
completamente diferente e superior. Cheios de elementos electrónicos, são
espaciais, groovy e épicos. A vontade
de carregar no botão de repeat é
imensa.
Em resumo, é mais um grande disco
dos Long Distance Calling. Está aqui provado que são incapazes de conceber um
mau disco. Após inúmeras audições, consegue-se perceber que "The Flood
Inside" é, de facto, muito diferente de "Satellite Bay",
"Avoid the Light" e "Long Distance Calling" mas não fica,
de todo, abaixo de nenhum deles. Estamos perante uma banda que continua a
evoluir, a desafiar-se e a não seguir modas. Continuam a apresentar trabalhos
inovadores e modernos. Isso é de louvar. [9/10] M.M.
Data de lançamento: 4 de Março de 2013
Nota de estúdio: produzido por Martin Meinschläfer nos Megaphone
Tonstudios (Alemanha)
A abertura de portas, anunciada para as 21h00, atrasou pelo
que a fila à porta da Sala 2 se estendia largos metros. Os bilhetes tinham
esgotado a meio da tarde e eram muitos os que queriam assegurar um bom lugar.
O concerto em si, esse sim, teve início à hora marcada.
22:00 em ponto e o belga Dirk Serries – a mente por trás dos Microphonics –
subiu ao palco. Como DJ, não é seu costume falar ao público, mas tratando-se da
sua última data na tour – a partir dali,
a primeira parte ficaria a cargo do americano Chris Brokaw – Serries achou que
deveria expressar o seu agradecimento a quem permitira que ele tocasse a sua
música, nomeadamente aos Mono, ao motorista e ao técnico de som.
Seguiu-se então meia hora sem interrupções de música
ambiental bastante envolvente, que deixou os presentes num transe relaxante. No
final, as despertarem, aplaudiram o artista com fervor.
Fervor que aumentou de intensidade um quarto de hora depois
com os tão aguardados cabeças-de-cartaz. O seu sexto longa-duração chegou às
lojas em Setembro do ano passado e ouvimos três das cinco músicas que compõem
este “For My Parents” – “Legend”, com que a actuação começou, “Dream Odyssey” e
ainda “Unseen Harbor”. No entanto foi o anterior “Hymn To The Immortal Wind”,
já de 2009, que teve mais destaque, tocando cinco temas que incluíram “Ashes In
The Snow”, “Follow The Map” e “Everlasting Light”, com que encerraram o tocante
concerto.
A mistura instrumental de post-rock e shoegazing
com a sonoridade asiática, interpretada de corpo e alma pelo quarteto, enlevou
o público e fê-lo render-se por completo – ora movimentando o corpo ao ritmo e
sentimento dos temas, ora explodindo em aplausos e gritos de aprovação.
Um espectáculo bonito de se viver, tanto pela qualidade da
banda como pela emotiva resposta do público.
É já nos próximos dias 22 e 23 de Fevereiro que os japoneses Mono regressam a Portugal para actuações no Paradise Garage, em Lisboa, e no Hard Club, no Porto, respectivamente.
A banda japonesa tem-se afirmado nos últimos tempos como uma das maiores referências do post-rock e encantado multidões com a sensibilidade da sua música.
Com quatorze anos anos de carreira, o quarteto instrumental de Tóquio editou o seu sexto longa-duração em Setembro com o título "For My Parents". Este é classificado como um "aperfeiçoamento" de "Hymn For The Immortal", "em que as orquestrações adquirem uma importância distinta".
Ambas as datas terão suporte dos belgas Microphonics, liderados por Dirk Serries, nome de referência da música electrónica e ambiental.
Os bilhetes encontram-se à venda nos locais habituais por 20 euros.
O espectáculo de Lisboa, promovido pela Prime Artists, tem início agendado para as 21h00, enquanto que no Porto a promotora Amplificasom agendou o arranque para as 22h00.
Apesar de mais novos, emergiram sorrateiramente para se colocarem
bem firmes ao lado dos grande pioneiros do post-metal, os Neurosis. Como acontece com
muitas bandas, o seu início foi mais duro, rude e áspero, musicalmente falando,
e com o tempo foram-se tornando muito mais cerebrais mas paradoxalmente mais
emotivos.
Se há coisa que distingue os verdadeiros mestres dos seguidores
é a capacidade de manter a qualidade intocável. Com maiores ou menores
metamorfoses, o grupo de Umeå
teima em não desiludir os seus seguidores e "Vertikal" é mais um
portento de música envolvente, desafiante e poderosa.
Cerca de cinco anos se passaram desde o anterior "Eternal Kingdom", o que pode
induzir que a banda até estaria a necessitar de umas "férias". Ainda que
pelo meio tenha ficado um DVD ao vivo e um audio book, seria neste novo passo que estariam focadas todas as energias criativas. Não havendo propriamente altos e baixos na carreira do grupo, "Vertikal" é um disco mais imprevisível em relação ao seu antecessor e os Cult
Of Luna conseguem mais uma vez, como já quase ninguém, imprimir uma dinâmica
(mesmo que sempre numa torrente de música lenta) fantástica e um espírito psicadélico
absolutamente absorvente.
A maior
virtude dos Cult Of Luna mantém-se na capacidade de não deixarem estancar a
fonte criativa. Desta feita com uma imagética brutal inspirada no filme de
ficção-científica da época do expressionismo alemão, "Metropolis", realizado
por Fritz Lang em 1927, conseguem uma nova colecção de temas fiel ao seu carácter em que vão sustentadamente explicando, com uma classe evidente, o sentido do
conceito lírico, musical e visual deste disco. A música atinge ocasionalmente picos de psicadelismo e uma gigantesca dimensão negra que nos faz sentir verdadeiramente desconfortáveis. A culpa principal é de uma sublime "Vicarious Redemption" que
em dezanove minutos parece sugar-nos para outra realidade - espacial, sintética e asfixiante em tons sempre monocromáticos.
Por
tudo isso, e por quinze anos de carreira expressos em sete fantásticos discos,
parece-nos cada vez mais evidente que este será um nome para ficar cravado nos
anais da música ambiental e progressiva. [8.7/10] N.C.
Data de
lançamento: 29 de Janeiro de 2013
Nota de
estúdio: produzido pelos Cult Of Luna, gravado, misturado e masterizado por
Magnus Lindberg nos Tonteknik Recording
e The Vilhelm Room
Está disponível o segundo de uma série de quatro reportagens de estúdio em que o Johannes Persson [vocalista, guitarrista] e Magnus Lindberg [percussionista] abordam "Vertikal", sexto álbum dos post-rockers suecos Cult Of Luna, que estará disponível a partir de 25 de Janeiro pela Indie Recordings. Desta vez, os dois músicos focam-se na temática do álbum.
O
tema "I: The Weapon" também já está disponível para escuta pelo
SoundCloud (ouvir abaixo).
Os post-rockers de Vale de Cambra Catacombe associaram-se à
editora italiana Bylec-Tum [God Is An Astronaut, Jakob, PG. Lost] para uma
edição especial do seu EP de estreia, "Memoirs". Editado
originalmente em 2008, o registo estará agora disponível em cassete e CD digipack com um tema inédito ("Jardim
da Sereia") e nova capa pela fotógrafa Maria do Carmo Louceiro.
A banda liderada por Pedro Sobast está a disponibilizar um pack especial com t-shirt, CD, cassete e
postal por 12 euros (mais portes de envio) através do e-mail
catacombe.band@gmail.com. A edição em cassete pode também ser adquirida por
bylec-tum@libero.it.
Muitas bandas têm surgido, nos últimos anos,
dentro do post-rock. Umas que "inventaram" o género, outras que
seguem modas, outras que o "reinventaram" e ainda outras que apenas
tocam por paixão. Este estilo musical, felizmente, permite com que não
hajam muitas fotocópias. O experimentalismo é um prato forte dentro do post-rock
e muitas bandas sabem utilizá-lo a seu favor.
Os Late Night Venture são uma banda que
sabe muito bem o que faz e o que quer. Formados na Dinamarca em 2000,
país mais famoso pelo seu thrash e death metal, optam pela vertente
mais experimental e ambiental do género. Têm como principais referências
bandas como Mogwai, Explosions In The Sky e 65daysofstatic, e mesmo outras como
Junius, Sigur Ros e The Cure.
Como já foi dito, este quinteto apresenta-nos um
álbum bastante experimental e ambiental. Não se limitam a seguir as regras
básicas e têm todo o gosto em acrescentar pequenos elementos que engrandecem as
suas canções. Aqui e ali vamos sendo surpreendidos por algumas vozes que
funcionam muitas vezes como apenas mais um instrumento e também por
sintetizadores e teclas como os 65daysofstatic e Mogwai nos habituaram. Apesar
deste ser um álbum bastante leve, ainda somos brindados ocasionalmente com
algumas passagens mais agressivas onde as guitarras têm um papel fundamental e
ajudam a chegar ao clímax.
No final, ficamos com uma sensação de leveza e de
termos ouvido algo diferente. Uma lufada de ar fresco. "Pioneers Of
Spaceflight" é, como a maioria dos álbuns de post-rock, um disco que tem
de ser ouvido de princípio ao fim para fazer sentido. Um bom álbum para os
apreciadores do género. [7/10] M.M.
Data de lançamento: Outubro de 2012
Nota de estúdio: gravado
entre 2011 e 2012 nos estúdios Subversive e Windmill Park, por Morten
Søfting; masterizado por Magnus Lindberg.
O
grupo de post-rock britânico The Elijah disponibiliza, a partir de 1 de
Dezembro, em regime de pré-reserva através da Small Town Records, o CD/DVD
"Live At The Underworld". Este item ilustra o concerto que a banda
realizou no passado dia 16 de Dezembro em que a particularidade foi a presença
do quarteto londrino de cordas Niche.
Segundo
o guitarrista, Sean Harrison, a banda sempre desejou transpor para o palco os
seus elementos orquestrais, criados por norma através de software, até que
acabou por conseguir orçamento para tal. "Sabíamos que esta era uma
oportunidade única, por isso tínhamos que a filmar," concluiu.
Este
lançamento vem acompanhado de um making of, todos os videoclips da banda,
entrevistas exclusivas, entre outros.
A
data oficial do lançamento de "Live At The Underworld" está ainda por
designar.
Os
The Elijah encontram-se a promover o seu álbum de estreia, "I Loved I
Hated I Destroyed I Hated", gravado numa mansão abandonada sem recurso a ambientes
digitais.