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Nebulous: «Estamos cansados de ser penalizados por este amor que é a música»

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Os nortenhos Nebulous afirmaram em entrevista ao Underground's Voice que estão determinados a realizar menos concertos em prol de uma gestão financeira mais equilibrada.

Questionados sobre a sua agenda para os próximos tempos, que inclui apenas uma participação no Wacken Metal Battle, os ex-Endamage são peremptórios ao reconhecer que estão "cansados de ser penalizados por este amor que é a música" e que vão optar por uma filosofia pouco habitual no plano das bandas mais jovens.

"Faremos as coisas na mesma, por este gosto que nos consome, mas desta vez vai apenas consumir esse desejo de fazer música  e partilhá-la com todos e não vai consumir as nossas carteiras", atiram, sugerindo que a alternativa é usufruir das potencialidades da Internet.

O grupo entende ainda que a imparcialidade dos agentes ligados à música nacional prejudica os projectos emergentes, havendo tendência para a sobrevalorização da música internacional e dos nomes nacionais já consagrados.

"O valor nacional não é reconhecido e digo isto em dois sentidos. Um deles é a comparação do produto nacional com o internacional de uma forma que não é imparcial. Outro é o reconhecimento estabelecido. (...) Existem bandas nacionais no circuito que já estão estabelecidas (...). Não lhes tiro o mérito, tiro-lhes o chapéu, mas é necessário haver um equilíbrio entre esses nomes e os novos que têm capacidades mas precisam de apoio. A aposta é sempre nos mesmos numa forma de jogar pelo seguro e confesso que começo a ficar cansado."

Os Nebulous são um projecto composto por elementos de Braga, Guimarães e Porto que resulta da evolução de vários projectos, nomeadamente dos Endamage (formados em 2004). São uma espécie de reencarnação do referido colectivo depois de os seus elementos terem operado profundas remodelações na sua música. Com excepção do baterista Marcelo Aires [Colosso, Heavenwood, ex-Oblique Rain], transitam dos Endamage para este projecto o vocalista Snake, os guitarristas Vítor e Pingas e o baixista Rui Silva.

A 14 de Outubro lançaram o seu álbum de estreia homónimo disponível pelo Bandcamp. É composto por nove faixas pautadas pelo experimentalismo de uns Meshuggah (totalmente dissociadas do death metal dos Endamage) com gravação de Pedro Mendes nos Ultrasound Studios, em Braga. A mistura e masterização ficaram a cargo de André Rodrigues em estúdio próprio. Contaram ainda com o apoio do Grave Studio. Já o artwork foi concebido por David Rodrigues que assina ainda uma banda desenhada alusiva ao conceito de "Nebulous".

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Entrevista Nebulous

A RAIVA EM CÁLCULOS
"Este é um estilo com maior complexidade a nível de composição e execução"

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Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. A filosofia destes nortenhos pode muito bem ter sido essa quando decidiram colocar termo a um percurso de oito anos enquanto Endamage e agora surgirem com uma proposta musical totalmente distinta e a roçar a imparidade em Portugal. Fãs de "degeneração" rítmica, apressem-se a escutar os Nebulous. Fieis discípulos dos Meshuggah, têm agora um álbum de estreia pleno de consistência e com indicadores de que são capazes de desenvolver uma identidade própria mesmo dentro de um estilo cada vez mais testado. E quem se chega à frente para explicar esse novo e promissor avatar é o vocalista André Macedo, conhecido no meio musical como Snake.

Relate-nos o exacto momento em que decidem: é desta que temos que mudar de sonoridade e designação?
Não foi premeditado, foi a evolução natural das coisas. Eu envolvi-me no projecto depois de Insanus, onde era vocalista, ter cessado actividade e desde aí que já nos vínhamos adaptando a nível musical como banda porque os nossos gostos musicais sempre foram coincidentes, felizmente. Lançámos uma música como Endamage e passámos para a composição do álbum, processo esse que se dividiu em três fases distintas a nível sonoro. Começámos por misturar um pouco dos dois, em seguida algo mais como as referências denotadas na própria review da SounD(/)ZonE, como Periphery, mas isso porque também estávamos a descobrir o djent, por assim dizer. Meshuggah já era o expoente máximo mas depois fomos abalroados por Vildhjarta, Tesseract, Uneven Structure, Monuments e outras bandas que têm um som mais fiel àquilo que gostamos. O resto foi o culminar de um ano e meio ou quase dois de trabalho, entre composições e estúdio. Ficámos imenso tempo fora dos palcos e das atenções do público, mas voltámos em força com nova identidade, pois não faria sentido ser de outra maneira.

Deixaram de acreditar no death metal melódico que praticaram durante oito anos?
Obviamente que não deixámos de acreditar porque ainda somos fãs de bandas nesse espectro. Há coisas que nunca mudam, mas, de facto, encontrámos no djent uma amplitude que talvez não teríamos com o death melódico que assumíamos naquela altura. Até porque, efectivamente, nós não somos os Endamage, por assim dizer, porque eu sou “novo” (vocalista) e o Marcelo Aires (baterista) também. Ainda que o Marcelo tenha entrado numa fase mais conclusiva do projecto, houveram adições na mentalidade musical da banda.

Embora seja uma opção perfeitamente legitima, até porque tudo está em constante transformação, como se processa tão drástica mudança? Foi algo consensual internamente ou ainda houve um extenso período de reflexão?
Como já referi, foi uma evolução natural. Descobrimos o djent ao mesmo tempo, começámos a descobrir bandas em conjunto e fomos moldando a nossa identidade à medida que a íamos redescobrindo. Não houve qualquer tipo de pressing ou como referiram também na review ao álbum, agimos sem “presunções de que assim vamos soar mais fixes e intelectuais”.

O que é que vos atrai nuns Meshuggah que, por exemplo, já não vos atrai nuns At The Gates, Dark Tranquillity ou In Flames?
Não as posso comparar porque são bandas completamente díspares e não deixámos de apreciar aquelas que eram uma influência na sonoridade que fazíamos. Acreditamos é que Meshuggah, já que se referem a eles, são algo diferente de tudo aquilo que se faz. É uma sonoridade singular. Complexidade rítmica e polirrítmica, existência de ambientes envolventes e de carácter forte, apresentados num bloco sonoro de vergar qualquer um. Sem rodeios e em carne crua.

Em termos técnicos como se processou a transformação do vosso som? Ou seja, enquanto intérpretes, que bases tiveram que assimilar para conseguir desenvolver uma sonoridade como a dos Nebulous?
Foi um autêntico quebra-cabeças. Uma extensão da vida académica, mais concretamente, da Matemática. [risos] Porque, de facto, andamos sempre com um caderno de base para podermos apontar os tempos ou as vezes que tocávamos um certo riff e mil outras coisas que achávamos relevantes ao processo como a estrutura de cada tema, por exemplo. Depois chegámos a uma altura em que se tornava mais fácil obter resultados e as coisas foram fluindo, obviamente. Como havia dito, foi uma descoberta ou redescoberta enquanto músicos.

Já agora, como reagiram as pessoas em vosso torno, especialmente aquelas que preferiam a sonoridade dos Endamage?
Sabíamos que iríamos chocar de frente com aqueles que se identificavam com os Endamage e poderíamos perder alguns seguidores, mas o que é certo é que poderíamos angariar outros e não é possível agradar a todos. O que fizemos foi desenvolver o que achamos que se tornou num amadurecimento musical a todos os níveis e uma proposta mais abrangente, com um projecto completamente pioneiro e diferente do que se ouve em Portugal. Para nossa surpresa, temos tido uma aceitação enorme! Posso dizer que já temos mais de 350 downloads do álbum e ele foi lançado em Outubro. Por isso, parece bom presságio. A confirmação ao vivo com três datas fortes também foram determinantes. Estivemos em Madrid com os Uneven Structure, The Algorithm, Weaksaw e Against The Waves. Os mesmos projectos partilharam o palco connosco no dia seguinte, em virtude do Bracara Extreme Fest, e logo a seguir adicionando bandas do panorama nacional como os W.A.K.O. que são um projecto de excelente valor, com cartas dadas e que se enquadra perfeitamente connosco. Tivemos depois um concerto com Leprous e Blindead no TOCA, em Braga. Em todos os concertos as reacções foram tão positivas que nós não temos palavras para descrever a gratidão que sentimos para com todos os que nos estão a apoiar. O facto de o álbum ser gratuito também abriu portas além-fronteiras e os seguidores estrangeiros têm subido de forma bastante saudável. Isso é muito importante. Numa avaliação geral, podemos dizer que, a sentir diferença, foi para muito melhor!

"O que fizemos foi desenvolver o que achamos que se tornou num amadurecimento musical a todos os níveis, com um projecto completamente pioneiro em Portugal"

Nos últimos tempos, pelo menos aparentemente, os Endamage já não estariam tão activos. Isso fez-vos também pensar que alguma coisa teria que ser mudada, até mesmo tendo em vista o mercado?
O EP “Apotheosis” foi lançado em 2008 e desde há uns tempos para cá que Endamage tinha perdido algum terreno, muito por causa de não existir trabalho novo para mostrar. Depois entrei no projecto e começámos a pensar no futuro, mas não foi só por essa razão que as coisas mudaram radicalmente. Foi mais pela sonoridade que esmiuçámos há pouco. Digamos que até foi uma mudança que veio em boa altura porque ajudou na captura do foco. Não estivemos activos porque virámos atenções para as composições. Não aceitámos propostas de concertos e não tínhamos intenções de fazer qualquer aparição até termos o álbum pronto. No geral, não olhámos para a questão como “o mercado” porque o que gostamos de fazer é conviver como bons amigos que somos e partilhar a música que nos caracteriza e da qual tiramos um prazer enorme. Gostamos é de gerir aquilo que fazemos da melhor maneira, mas se o álbum tivesse saído com a sonoridade dos Endamage, seríamos os Endamage. Não foi isso que aconteceu.

Portugal começa a ser um bom consumidor dessa nova tendência de metal progressivo "polirrítmico"?
Acreditamos que ainda há muito a evoluir porque em Portugal existe um destaque mais forte nas vertentes tradicionais. Felizmente que as coisas vão mudando e acho que temos o dever de apresentar o melhor de nós para mudar as opiniões do público nacional.

Sentem mais dificuldade em compor nesse formato? Há o cliché de dizer que este é um género mais cerebral... será que há alguma ponta de razão nisso? Ou colocando a questão de outra forma: compor com os Endamage era mais intuitivo? 
Começando pela "sub-pergunta": sim, com os Endamage era mais intuitivo, mas se falarmos de Nebulous, depois de estarmos imersos naquilo que é o djent, acaba por ser automático, tal como era nos tempos em que compúnhamos death melódico. De qualquer das maneiras, este é um estilo com maior complexidade a nível de composição e execução, o que requer um cuidado mais específico.

Apesar das claras influências de Meshuggah, há outras. Em algum momento sentiram pairar o fantasma de que poderiam ser "crucificados" por seguirem de forma mais ou menos denunciada a banda sueca?
Sinceramente, acredito que transparecemos as excelentes influências que temos, mas conseguimos ir buscar uma personalidade própria. E não me vou alongar muito porque sou suspeito para afirmar o que quer que seja. Entretanto, não temos medo da “crucificação”. Temos de estar preparados para tudo e saber filtrar o que interessa para progredir sempre mais. Obviamente que temos influências de Meshuggah, mas quem é que não tem? Creio que até existe um orgulho colectivo em o afirmar.

Qual foi o grande desafio a escrever e gravar "Nebulous"? Algo digno de registo, algum episódio caricato?
Não me recordo de nada em específico ou que tenha sido extraordinário. Quiçá sejamos extremamente aborrecidos ou estou a ter um colapso cerebral! [risos]

A opção de editarem o disco apenas em formato digital já foi argumentado por vós como sendo uma forma de contornar gastos avultados para uma banda ainda jovem e ao mesmo tempo acompanhar a mudança dos tempos, em que a internet suplanta o poder das editoras... ou será assim mesmo? Não se sentiriam mais confortáveis a fazer parte de uma editora neste momento do que ter que fazer todo o trabalho de promoção? Chegaram sequer a sondar alguma?
Este tema é talvez o que tem criado mais burburinho em torno dos Nebulous, mas nada em aspecto negativo, sempre com carácter sugestivo. Para desmistificar a questão, posso dizer que tivemos alguns problemas em relação aos timings de lançamento do álbum e tendo em conta tudo aquilo por que passámos e o tempo que todos, inclusive nós, tivemos de esperar para que as coisas saíssem com o melhor que podíamos oferecer, decidimos não sondar editoras. Primeiro porque não achamos que uma editora vai apostar num projecto tão recente, que à vista comercial não oferece um valor significativo que dê resposta a tal aposta, e depois porque, de facto, vivemos numa realidade que se tem vindo a moldar com os avanços tecnológicos. A nossa ideia foi tornar o álbum acessível a todos, sejam eles nacionais ou internacionais, para que possa ser difundido de forma intensiva. Isto vai ajudar a criar bases fortes para que se vá construindo o projecto de uma forma forte e ambiciosa. Mais tarde, num futuro trabalho, quem sabe? Para já, o foco está no uso da Internet como meio de difusão e plataforma de contacto para quem nos segue.

Pelos resultados obtidos até ao momento em termos promocionais e de feedback que balanço podem fazer, embora o disco nem tenha uma mês que esteja disponível?
Esperamos ansiosamente pelas reviews! Ficámos muito gratos pelas palavras e apoio total da SounD(/)ZonE, mas ainda nos facultou mais vontade de ouvir outras opiniões. A informação já foi enviada correctamente e já tentámos furar em várias frentes. Aguardamos feedback. O público tem-se manifestado. Faltam os meios de comunicação.

"Nebulous" carrega também uma mensagem específica. É isso que sentem muitas vezes - vontade de se isolarem da sociedade para encontrarem o vosso rumo, tal como a personagem do disco?
O tema é bastante actual e  talvez o seja sempre porque é cíclico. Quem é que nunca questionou a sociedade em que vivemos, onde a realidade é manipulada por uma evolução que se crê necessária mas que esmaga a sua raça progenitora, destituindo valores e implementando novas regras? Este mundo que muda as pessoas e onde parece que não somos mais do que peões num jogo de xadrez.... Perdemos sentido do que é necessário ou acessório e não medimos consequências. Damos por nós a questionar se a nossa humanidade se diluiu. Num meio onde o livre-arbítrio desvanece, perdemos o nosso verdadeiro significado vital. É essa procura que o sujeito faz, na ânsia de que vai encontrar, se existir, um significado puro, na sua forma mais natural.

Apesar da edição apenas digital não descuraram o aspecto gráfico, com lugar até a uma curta BD da autoria de David Rodrigues. Quer falar-nos da ideia?
Claro. Não é por não existir a edição física que o conjunto do trabalho tenha de denegrir. O David Rodrigues foi uma escolha acertada. Já tínhamos acompanhado o trabalho dele e achámos que ele conseguiria retirar tudo o que pretendíamos do tema. E tendo em conta toda a história e conexão entre os temas, fez todo o sentido fazer algo diferente e optar por um formato apelativo, visto que não iríamos apresentar o formato físico. Assim, é apenas mais um ponto forte e convidativo para que as pessoas tenham curiosidade. No final, é de notar a dimensão que a banda desenhada dá à música. Deu-lhe forma!

Actuar com os Uneven Structure foi uma ocasião especial tendo em conta as proximidades musicais que partilham? Será que surgiu daí algum laço que vos possa levar, pelo menos, até França?  
Foi tudo pensado para que fosse possível. Estivemos atentos à tour e também chegámos perto da SWR Inc. que são nossos compatriotas. Dessa forma, e com a ajuda deles, o sonho foi possível e tivemos a oportunidade de partilhar duas datas com uma banda que é, sem dúvida, uma referência enorme para nós e com outras que são já conhecidas no espectro. Mais que isso, tivemos grande momentos para mais tarde recordar. Weaksaw que também estiveram presentes, por exemplo... são grandes malucos! Rimo-nos à brava a ensinar-lhes calão português e eles calão Francês. [risos] Quem sabe se não surge alguma novidade, até porque essas ligações obviamente que continuam numa era em que a Internet torna a distância bem mais pequena.

E de agora em diante, o que esperar dos Nebulous. Concertos? Ou existe ainda outros planos "secretos" na manga?
Temos uns pontos que queremos fazer, mas mais a nível interno e de exposição. Contudo, estamos receptivos para qualquer data, desde que tenha as condições necessárias. Aproveito para deixar aqui o apelo aos promotores e todos aqueles que de alguma maneira fazem o espectro musical rodar: respeitem as bandas e os músicos porque eles dão tudo o que têm. Portanto, é como digo, não pedimos mundos e fundos, mas as condições para que corra tudo pelo melhor, tanto para nós como para quem nos dá o voto de confiança, na certeza de que garantimos o melhor dos Nebulous! Para ser mais concreto em relação a datas, a única certeza é a de que vamos participar no Wacken Metal Battle Portugal. Portanto, as datas estão livres. É só preencher. Fica a dica.

Nuno Costa

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Fredrik Thordendal [Meshuggah] poderá estar de regresso a solo em 2014

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Mais de quinze anos depois, Fredrik Thordendal poderá estar de volta com o seu projecto a solo intitulado Special Defects. O guitarrista dos suecos Meshuggah lançou o primeiro trabalho neste formato em 1997 sob o título "Sol Niger Within".

Nas últimas 24 horas, Dirk Verbeuren (baterista dos Soilwork) sugeriu nas redes sociais que um novo disco do projecto poderá estar já a ser trabalhado.

"Ouvi rumores de que o segundo capítulo de Fredrik Thordendal's Special Defects poderá ter desenvolvimentos em 2014... acreditam?"

Embora não existam detalhes mais concretos sobre um possível novo lançamento, a declaração de Dirk Verbeuren fica sustentada no facto do próprio estar registado como membro oficial do projecto no Facebook.

"Sol Niger Within" é um álbum composto por uma única peça musical onde se evidencia um experimentalismo insólito mas onde são indissociáveis as influências jazz e matemáticas dos Meshuggah. O disco contou com dez músicos, embora a base seja assegurada pelo baterista Morgan Agren e o teclista Mats Öberg (que chegaram a actuar com o mítico Frank Zappa).

Recentemente, os Meshuggah anunciaram o fim da fase de promoção a "Koloss", seu sétimo álbum, editado em Março de 2012 pela Nuclear Blast, e consequentes planos para um novo disco.

"Estamos basicamente no final da digressão de promoção ao 'Koloss'", começou por sublinhar o guitarrista Marten Hagström em entrevista à rádio chilena Radio Futuro, à margem de concerto do passado dia 12 de Novembro. "Vamos depois à Índia mais uma vez e ficamos livres. Podemos fazer alguns concertos de aniversário no próximo, mas apenas isso", apontou.

"Quando chegar a Dezembro vamos começar a olhar para um novo disco. Fazemos sempre isso - dois anos de digressão e dois de composição. Demora algum tempo até que um disco nosso comece a surgir. Portanto, estamos bastante entusiasmados. Quando fazemos algo durante muito tempo é sempre bom mudar - da estrada para o estúdio e quando estamos farto do estúdio voltamos à estrada."

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Mnemic: guitarrista abandona

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Victor Ray Salomonsen deixou de ser o guitarrista dos dinamarqueses Mnemic ao fim de dois anos de colaboração. Segundo comunicado extenso publicado no Facebook da banda, a decisão centra-se na vontade do músico em "perseguir novos horizontes musicais" e dedicar-se à sua condição de pai.

O colectivo de groove/math metal explicou ainda que tem estado inactivo nos últimos tempos, inclusive cancelando concertos, devido a instabilidade interna, sendo que Victor saiu no Verão, para além de "más vibrações" que o rodeava. Posto isso, dizem ter optado por uma pausa para "clarificar as suas mentes" e assim retomar a composição de um novo disco.

Entretanto, vários dos seus elementos vão manter-se ocupados com os Blood Eagle, One Way Mirror, The Modern Age Slavery e Empyrios. 

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Meshuggah já pensam em novo álbum

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Cerca de um ano e meio depois do lançamento de "Koloss", os mestres do "metal matemático" Meshuggah admitem que é altura de começar a pensar num novo disco.

"Estamos basicamente no final da digressão de promoção ao 'Koloss'", começou por sublinhar o guitarrista Marten Hagström em entrevista à rádio chilena Radio Futuro, à margem de concerto do passado dia 12 de Novembro. "Vamos depois à Índia mais uma vez e ficamos livres. Podemos fazer alguns concertos de aniversário no próximo, mas apenas isso", apontou.

As baterias estão sim apontadas para a composição de um novo álbum, o oitavo da carreira, que deverá iniciar-se em Dezembro próximo.

"Quando chegar a Dezembro vamos começar a olhar para um novo disco. Fazemos sempre isso - dois anos de digressão e dois de composição. Demora algum tempo até que um disco nosso comece a surgir. Portanto, estamos bastante entusiasmados. Quando fazemos algo durante muito tempo é sempre bom mudar - da estrada para o estúdio e quando estamos farto do estúdio voltamos à estrada." 

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Review - Nebulous - «Nebulous»

NEBULOUS
"Nebulous"
[CD - Ed. de Autor]

Será difícil precisar, mas talvez este seja mesmo um trabalho inédito em Portugal em termos de conceito musical. Sem dúvida que existem casos próximos - como os dos Colosso, Kneel, Clutter, Stampkase ou mesmo algo tão recôndito como os extintos Psy Enemy -, mas certamente que é difícil encontrar quem leve tão à risca a percepção rítmica e progressiva dos Meshuggah cá no "burgo". E destituindo qualquer surpresa, a acrescentar que estes são, nem mais nem menos do que os Endamage com o baterista Marcelo Aires [Colosso, ex-Oblique Rain] que entre 2004 e 2012 tocaram death metal melódico.

Alterações de formação e interesses musicais terão levado a tão drástica transfiguração. Legítimo? Com certeza, até porque a música é, antes de mais, sinónimo de liberdade. Arregaçaram as mangas e enfebrecidos por uma forte inspiração noutra área, criaram um disco repleto de estruturas complexas, groove esmagador, dissonâncias sinistras, arranjos muito bem debuxados, num invólucro geral que transpira profissionalismo.

Quando se referia outras aproximações no plano nacional, a diferença está em que os Nebulous conservam a agressividade e os principais maneirismos (de forma muito hirta) das deidades suecas já referidas e que, no fundo, criaram todo este movimento math/djent/progressivo. Normalmente em termos internos a melodia assume importante papel e houve casos em que bandas com os mesmos princípios nem saíram da garagem. Assim se explica então o posicionamento favorável dos Nebulous neste contexto musical. 

Todavia, e pelos mesmos motivos, os Nebulous não estão a desenvolver algo susceptível de abanar as estruturas do género, mas de certo que se estreiam num patamar de excelência capaz até de camuflar as suas origens (e isto sem qualquer complexo de inferioridade) e fazê-los parecer oriundos dos Estados Unidos ou Inglaterra, onde o género tem maior expressão.

Aparentemente há pouco a dizer quando assim é (quando a "novidade" é apenas a segurança e solidez na interpretação). Mas fique-se consciente de que estes bracarenses não se limitam a ser uma cópia fiel dos Meshuggah. Há lugar a uma predisposição para dinamizar o seu som com algumas passagens vocais limpas - confira-se "Hyperborea" e "Sorah" - e um estado de espírito progressista mais típico dos Textures, sendo que os Tesseract e Uneven Structure nunca se esfumam desse imaginário. Indo ainda mais atrás em toda a loucura polirrítmica que se enfatizou no novo milénio, "Nausea" parece uma discreta homenagem aos Mnemic.  E o melhor de tudo é que não enveredam pelo tecnicismo muitas vezes exacerbado de uns Periphery ou Animals As Leaders.

Pesados os prós e contras, em termos de identidade os Nebulous poderão não ter dado um passo em frente comparativamente à sua anterior encarnação, mas deram um passo enorme em termos de concepção de escrita e dinamismo. Se há lugar para mais uma banda de "math qualquer coisa djent"? A verdade é que os "pequenos" pormenores deste disco fazem crer que há aqui muito mais do que um "sonho molhado" à moda sueca, entre compassos esquisitos e presunções de que assim vamos soar mais fixes e intelectuais. [8/10] N.C.

Data de lançamento: 14 de Outubro de 2013
Nota de estúdio: captação por Pedro Mendes nos Ultrasound Studios, em Braga; mistura e masterização por André Rodrigues; apoio do Grave Studio.
Estilo: math/djent/progressivo
Origem: Braga/Guimarães/Porto (Portugal)
Formação: 2012
Artwork: David Rodrigues

Alinhamento:
1. "Abnegation" (2:50)
2. "Dharma" (3:45)
3. "Nausea" (4:30)
4. "Hyperborea" (2:57)
5. "Gaea" (3:44)
6. "Sorah" (3:35)
7. "Ethereal" (5:52)
8. "Benighted" (4:08)
9. "Contemplation" (1:50)
Duração: 33 minutos

Elementos:
- Snake (voz)
- Vítor (guitarra)
- Pingas (guitarra)
- Rui Silva (baixo)
- Marcelo Aires (bateria)

Discografia:
- "Nebulous" (CD - 2013)




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Stampkase: «Mechanorganism» disponível para download gratuito, banda procura novos elementos


Os açorianos Stampkase disponibilizaram para download gratuito através do Bandcamp o seu álbum de estreia "Mechanorganism", em virtude da celebração do primeiro ano do seu lançamento.

"Mechanorganism" foi editado de forma independente a 3 de Novembro de 2012 e é composto por dez faixas captadas entre os estúdios Ultrasound, em Braga, e os estúdios do Colégio Castanheiro, em Ponta Delgada. Foram engenheiros de som Pedro Mendes, José Miranda e Carlos Rijo. Já a mistura e masterização ficaram a cargo de Daniel Cardoso [Angelus Apatrida, Switchtense, Anneke Van Giersbergen].

O disco encontra-se ainda disponível em formato digipack com booklet de doze páginas ilustradas pelo artista britânico Colin Marks [Exodus, Kataklysm, Fleshgod Apocalypse] através da própria banda (stampkase@gmail.com) ou das lojas Rastilho e Banana Art Factory (em São Miguel).

Entretanto, os Stampkase anunciaram as saídas de André Viveiros [vocalista] e Bruno Moniz [guitarrista] num extenso comunicado disponível aqui. Com efeito, a banda abre audições a músicos de qualquer zona do globo (interessados devem contactar a banda através do Facebook ou pelo seu e-mail).

Os Stampkase fundaram-se em 2003 na ilha de São Miguel, e destacam no seu currículo a vitória no Concurso Angra Rock 2005 e actuações ao lado dos Mnemic, Dagoba, Fear My Thoughts, Exilia, Switchtense, Concealment, entre outros. A sua sonoridade é definida como um cruzamento entre Textures, Mnemic, Fear Factory e Lamb Of God.


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Illucinoma: projecto com Joe Tal [Textures] lança videoclip

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Os Illucinoma, projecto de metal moderno holandês em que marca presença Joe Tal (guitarrista dos Textures), apresentou nos últimos dias o videoclip para "Pickled Punch". Este faz parte do EP "The Evolutionist" que será editado a 14 de Novembro no Amsterdam Metalfest.

"The Evolutionist" comporta quatro temas que a banda descreve como uma mistura de metal moderno técnico com polirritmos, vozes agressivas e melodias ocasionais. 


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Entrevista Kneel

CAOS INTERCELULAR
"Acredito que a música não tem fórmulas pré-concebidas"


Talvez quem o ouvisse nos Kneeldown ou, ainda mais atrás, nos Windscream e Zeus Under My Eyes, ou ainda na Orquestra Municipal de Ponte de Sor, não imaginasse que estaria sentado à bateria uma das pessoas mais determinadas e "teimosas" (como o próprio classifica) do underground nacional. Pedro Mau, aos 33 anos, completa dezasseis anos de carreira. Ainda que o seu percurso seja discreto (pelo menos para o potencial que oferece) assumiu o fim dos Kneeldown como o início de uma nova era e muniu-se de toda a sua avidez pelo conhecimento para criar os Kneel de forma praticamente independente. Apenas Filipe Correia [Concealment] é factor externo neste imaginário dissonante e obscuro, onde cabem fortes influências dos Meshuggah ou A Life Once Lost. Não pretende seguir convenções e muito menos agradar a elites. É precisamente por isso que surge uma estreia "Interstice" pronta a surpreender muita gente.

Começando do "princípio": Pedro Mau é um elemento dos Kneeldown durante cerca de dez anos mas a banda dá-se por extinta em 2008. O que se passou, até porque já tinham conseguido algum reconhecimento?
Aconteceu o mesmo que acontece à maior parte das bandas que encerram actividade: as vidas mudam e os caminhos separam-se. Nunca ninguém dos Kneeldown sobreviveu da música e, como tal, o trabalho e a família acabam por tomar posições prioritárias. Continuamos todos bons amigos e o Nuno Pina [a.k.a. Skumalha, guitarrista] ainda está no activo com os Mordaça e o Duarte continua a tocar a solo.

Partir em busca de um projecto a solo não lhe "repeliu" em primeira instância, pensando que teria que acumular mais trabalho, ou, pelo contrário, pensou que iria trazer-lhe a liberdade criativa que sempre desejou?
Sempre fui um gajo bastante teimoso e foi com essa teimosia que abordei o desafio: se não consigo com os outros, consigo sozinho. A liberdade sempre existiu. Nos Kneeldown nunca “empatámos” a criatividade dos outros elementos. Tínhamos essa liberdade para compor e ajudávamo-nos mutuamente.

Sabe-se também que é, em praticamente todos os aspectos, um "militante" do Do It Yourself. "Interstice" foi um esforço criativo mas também financeiro, como já teve oportunidade de confessar. Depois de todo esse esforço solitário o que deseja que seja o futuro dos Kneel?
O futuro acaba no momento em que acabas de dizer essa palavra… já é passado. Kneel surgiu porque tinha de surgir… mais cedo ou mais tarde. Era algo que tinha de fazer. Não há grandes expectativas para o que aí vem, até porque, sejamos sinceros, o que não falta aí são boas bandas com tudo o que é preciso para fazerem carreira e conseguirem sobreviver apenas da música. Kneel é solitário e aos olhos de um investidor (editora, promotora, etc.) não tem o mesmo valor que uma banda “real”… com músicos prontos a subir a um palco e mostrar o trabalho. Não considero que o esforço tenha sido o mesmo que quando temos de fazer algo de que não gostamos. A palavra “esforço” não se adequa aqui muito bem. Deu-me muito trabalho, isso sim, e gastei muito dinheiro. Mas fi-lo para mim, primeiro que tudo, e nada supera isso. Um dia de cada vez e veremos o que acontece.

Juntar alguns músicos para subir a um palco não passa definitivamente pelos seus objectivos? Não é possível que sinta algo "entalado" na garganta ao fim de um tempo?
É óbvio que existe essa vontade, mas existem demasiadas circunstâncias que dificultam essa concretização. Gostava de tocar Kneel ao vivo um dia, mas isso implicava arranjar músicos que conseguissem dar a dedicação necessária ao projecto. E sem ter a certeza de que essas pessoas o iriam fazer, prefiro ficar como estou. Já são catorze anos a lidar com essas situações de entradas e saídas de membros da banda e já aprendi quando devo ou não apostar em seguir em frente. Além disso, a falta de tempo que o quotidiano me oferece, dificulta ainda mais poder programar um esquema de ensaios regulares para solidificar o projecto. Seria preciso juntar as pessoas certas, na altura certa. Mas… nada é impossível.

Como é que se compõe um disco como "Interstice" sozinho, "fechado" num quarto? Foi assim? Como obtém, por exemplo, aquela confiança sobre algo que esteja a escrever e que lhe permita pensar: "Ok, está óptimo, posso seguir em frente"?
“Interstice” foi composto na totalidade, tirando as gravações de voz que decorreram nos Malware Studios do David Gerónimo dos Concealment, dentro de um mini-estúdio que fui construindo aos poucos numa pequena sala/camarim do auditório do Centro de Artes de Ponte de Sor, de onde sou natural. A Câmara Municipal e a Junta de Freguesia locais sempre me apoiaram e esta preciosa ajuda já dura quase há dez anos. Sem este espaço não conseguia fazer isto. É lá que tenho todo o meu material. Como existe deliberadamente um egoísmo saudável neste projecto, não houve muita preocupação em saber se o tema está bom ou mau para os outros. Queria que estivesse bom para mim, que ouvisse quatro ou cinco vezes e dissesse: “F***-se, isto está bom. Tem power!”.  Acho que a música devia funcionar assim… Quem cria a música tem de fazê-la para se sentir bem com ela, sentir que é genuína. Mas há quem trabalhe de outras maneiras e claro que respeito esses métodos de trabalho, mas eu funciono assim.

Executa todos os instrumentos em "Interstice" mas, no fundo, tanto quanto se lhe reconhece, o seu instrumento "natural" é a bateria. Como adquire conhecimento e se aperfeiçoa em relação a todos os instrumentos que interpreta neste disco?
Não me considero guitarrista nem baixista, mas “arranho” o suficiente para sacar umas notas e uns riffs! O know-how vem atrás dessa teimosia de que tenho falado, porque é preciso ser-se teimoso e persistente nestes caminhos. Aprender a tocar um instrumento requer dedicação e a teimosia é o teu melhor amigo quando queres fazer qualquer coisa. Depois temos essa maravilha da Internet que é o Youtube. Se não sabes fazer alguma coisa, vais lá e pesquisas… de certeza que encontras alguém que te explica como se faz.

Filipe Correia foi uma escolha óbvia para as vozes?
Só não foi mais óbvia porque a ideia inicial era eu fazer também as vozes. Mas “berrar” tem muito que se lhe diga e iria levar demasiado tempo a aperfeiçoar mais esse instrumento que é a voz. Sou fã dos Concealment há muito tempo e tive oportunidade de os conhecer quando fiz a capa do “Leak”. O Filipe tem um grande vozeirão, além de ser um excelente guitarrista e escrever grandes letras, e não foi preciso muito tempo para perceber que seria a pessoa indicada para fazer as vozes para Kneel. Entretanto, já me tinha convidado para formar os Wells Valley. As coisas proporcionaram-se e pronto, não teve outro remédio senão aceitar o meu convite.


Em nota de imprensa lê-se que Kneel não está preocupado com refrões. Como se pode entender a música deste projecto, ainda mais num cenário nacional com algumas tendências mais vincadas que não o metal experimental e mais matemático?
Como já referi, a única preocupação de Kneel era que soasse bem para mim. Tinha de fazer música que me agradasse. Tens essa liberdade quando não tens uma editora a pressionar-te para fazeres um disco num mês e que tem de vender não sei quantas cópias. Acredito que a música não tem fórmulas pré-concebidas e, como tal, não acho que se tenha de seguir uma lógica em que tens de escrever uns refrões, cantados e tocados até à exaustão só para entrar no ouvido. Eu não sou dessa opinião e gosto de ter liberdade para fazer o que me apetecer. A matemática aqui surge, também pelo facto dos Meshuggah serem a minha banda preferida, porque ajuda a fugir àquele esquema do 4/4 que a meu ver torna as coisas aborrecidas e pouco interessantes. Mas volto a dizer: eu trabalho assim, mas tenho todo o respeito por quem não o faz. É só a minha maneira de ver as coisas.

Sente-se de alguma forma desmoralizado, uma vez que não dispõe de ninguém ao seu lado e o mercado nacional, à partida, lhe é adverso?
É normal que sim. Hoje em dia ninguém (ou quase ninguém) compra música. Não é como há uns anos. Todos querem sacar e sacar, e sacar mais um pouco para encherem os leitores de MP3 e os discos com músicas e bandas que nem sequer vão ouvir, pelo menos com atenção. Já ouvi miúdos a dizerem: “Dez euros por um CD? Para quê? Vou à net e saco!”. É esta a mentalidade que temos de encarar. E para quem tem um projecto a solo, que toca música pouco comum, e que não dá concertos ao vivo, é natural que o mercado seja ainda mais restrito e que daí não tenha algum tipo de lucro com o que faço. Comprei o meu material, plugins, fiz a mistura, masterizei, desenhei a capa, paguei a edição dos CDs, as T-shirts e, no final, ainda fiquei a perder dinheiro. Mas é um facto que não me preocupa - não por ser rico, que não sou - mas porque o fiz de livre vontade e porque já tinha noção de que iria ser assim. Claro que era bom ter algum retorno do que gastei, mas paciência!

O que mais o orgulha quando olha para ou ouve "Interstice"? Há algum tema que se destaque ou mereça particular afeição?
O que mais me orgulha é saber que consegui fazer este disco. Levei o meu tempo, mas consegui fazê-lo. Um sentimento de missão cumprida. Quanto aos temas, gosto de todos, mas curiosamente o meu preferido é o menos citado pelas pessoas com quem já falei, que é o último, “Sovereignty”. Talvez por ter a letra que tem… acho que está com muito power. E até tem uma frase do J.F.K. que diz: "This nation was founded by many men of many nations and backgrounds. It was founded on the principle that all men are created equal and that the rights of every man are diminished when the rights of one man are threatened.". Faz-me pensar…

Em termos líricos, há alguma mensagem específica que tente passar ou é tudo muito abstracto e concebido para que cada um faça a sua leitura?
Sou da opinião que uma letra pode ter diferentes significados para várias pessoas. Prefiro não falar muito sobre o significado das letras por dois motivos: primeiro, porque foi o Filipe quem fez a maior parte e, segundo, porque acho que a leitura e a interpretação deve ser individual. Mas de certeza que há por ali coisas com as quais te podes identificar. As letras estão todas no Bandcamp, por isso, podem ir lá "checkar".

Ocupa-se também dos Wells Valley que deverão lançar o seu disco de estreia em breve. Deixo-lhe este espaço para fazer uma breve apresentação da banda.
Os Wells Valley (www.facebook.com/wellsvalley) começaram a partir de um convite do Filipe. Ligou-me a perguntar se estava interessado em tocar bateria e formar esta nova banda, e claro que aceitei. São um trio composto pelo Filipe na guitarra e voz, o Pedro Lopes no baixo e eu nos "batuques". Em Novembro passado gravámos o nosso primeiro álbum, que atrasou por causa das gravações de Kneel, mas neste momento estou a terminar as misturas e contamos lançar o álbum ainda este ano. Aliás, estamos ansiosos que tal aconteça e quanto mais depressa melhor, porque andamos todos com "fome" de palco.

Porquê mais um projecto, desta feita dentro do post-metal? É mera "gulodice" musical ou uma oportunidade de ter uma presença mais assídua em palco, até porque o post-metal tem outro nível de aceitação em Portugal?
Quando toca a coisas que gostamos, a "gulodice" é inevitável. Existem várias razões que justificam o nascer deste novo projecto… mas as principais são o facto de querer tocar ao vivo e poder trabalhar com pessoas como o Filipe e o Pedro. Também acaba por ser uma fuga ao que tenho vindo a fazer em Kneel e estimula a criatividade. É bom poder trabalhar vários estilos de som e manter a menta aberta a novos desafios. Não é por acaso que comecei a tocar bateria na orquestra ligeira de Ponte de Sor.

O futuro mais próximo passará, certamente, pela dedicação aos Wells Valley. E quanto a Kneel? Para quando esperar novo material, renovando desde já os votos de que possa subir a um palco um dia? 
Não vou estar parado, isso posso garantir. Já investi em mais material no entretanto e continuo a investir na formação de mixagem e masterização. Podemos sempre ser melhores do que o que somos actualmente, e o que posso garantir-te é que, enquanto puder, vou fazer isso. Portanto, o mais certo é que assim que terminar o álbum de Wells Valley, vou começar a escrever novamente. Wells Valley será a minha prioridade, mas Kneel irá de certeza continuar e, quem sabe, um dia ainda pisará um palco. E quando isso acontecer… cuidado!

Nuno Costa



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Review - Kneel - «Interstice»

KNEEL
"Interstice"
[CD - Edição de autor]

Perdemos de vista Pedro Mau desde 2008, altura em que os Kneeldown deram por finda a sua actividade. Porém, aos poucos se percebeu do seu inconformismo e não demorou até começar a canalizar a sua criatividade para um novo projecto. Kneel - percebe-se perfeitamente a associação ao seu antigo grupo - é uma entidade autónoma e fidedigna para com aquilo que é a actual visão técnica e criativa do músico nascido na pacata cidade alentejana de Ponte de Sor.

Pedro Mau interpreta todos os instrumentos - excepto as vozes, cortesia do convidado Filipe Correia [Concealment, Wells Valley]. A captação, mistura e masterização e até mesmo o artwork estiveram a seu cargo - estará numa fase implacável de expressão e dinamismo. Sem corrermos muitos riscos de falhar o palpite, digamos que Kneel é a versão mais negra, dissonante, psicadélica e, no fundo, aperfeiçoada dos Kneeldown, embora esses últimos só a espaços muito comedidos demonstrassem os elementos aqui referidos - numa clara distinção (só agora mais perceptível) do que era o papel de Pedro Mau na extinta banda. Salvaguardadas as devidas distâncias, este é, para todos os efeitos, um novo mundo para o músico.

Logo na abertura "Murmurs" surpreende-nos pela abordagem rítmica sincopada, fazendo facilmente perceber que Mau está cada vez mais imerso e apaixonado por aquilo que é o universo experimentalista e inóspito dos Meshuggah ou The Dillinger Escape Plan. Com o passar dos temas, fica também claro que a intenção do autor não é encetar qualquer homenagem "parasítica" aos nomes citados, até porque nunca chega a ser tão intrínseco, como comprova temas como "Thrall" ou "Amend" - face da predilecção de Mau pelo thrash/hardcore de uns A Life Once Lost ou Trap Them.

A verdade é que ao longo de nove temas, Kneel acaba por mostrar uma notável mestria na arte de dominar ritmos inteligentemente balançados e mecânicos, o que conjugado com umas guitarras bem graves e directas, mais preocupadas em criar ambientes tensos e sombrios do que qualquer docilidade harmónica, e uma bateria com tendência para se desviar do óbvio, resulta num disco pouco apelativo para as massas, mas bastante sugestivo para quem procura mais do que um conjunto de temas arrumadinhos e formatados para servir hypes. A atitude independentista faz-se aqui sentir, sobretudo para aquilo que é comum no plano nacional. Dir-se-á que podem ir perfeitamente para o pote onde reinam os Concealment - já de si únicos nestas e noutras paragens. Acreditando que a obstinação e perseverança de Pedro Mau vão fazê-lo crescer ainda mais, podemos considerar que este é "apenas" um excelente ensaio para o que pode ser um dos projectos mais interessantes e letais a emergir de Portugal nos últimos tempos. [8/10] N.C.

Data de lançamento: 29 de Junho de 2013
Nota de estúdio: produzido, gravado, misturado e masterizado por Pedro Mau em estúdio caseiro, em Ponte de Sor (Portugal); masterização em colaboração com Daniel Cardoso; vozes captadas nos Malware Studios, em Sintra.
Estilo: groove/experimental/math/hardcore metal
Origem: Ponte de Sor (Portugal)
Formação: 2010

Alinhamento:
1. "Murmurs" (04:10)
2. "Amend" (03:37)
3. "Occlusion" (04:15)
4. "Lessening" (03:54)
5. "Absence" (02.05)
6. "Cloak" (05:42)
7. "Debris" (03:38)
8. "Thrall" (03:26) (vozes de apoio por Pedro Mau)
9. "Sovereignty" (04:56) (vozes de apoio por Pedro Mau, Pedro Lopes e David Jerónimo)
Duração: 36:11 minutos

Elementos:
- Filipe Correia (voz - convidado)
- Pedro Mau (guitarra, baixo, bateria)

Discografia:
- "Interstice" (CD - 2013)




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Kneel: experimentalismo e dissonância em estreia a solo de Pedro Mau


Encontra-se disponível desde 29 de Junho de forma independente o disco de estreia de Kneel, projecto a solo de Pedro Mau, conhecido pelo seu passado com os Kneeldown e Wells Valley. Intitula-se "Interstice" e é composto por nove faixas totalmente escritas, interpretadas e gravadas por Pedro Mau, com exepção para as vozes, asseguradas por Filipe Correia [Concealment], e com a mistura a masterização a contarem com a colaboração de Daniel Cardoso. Inclusive, o artwork foi assinado por Pedro Mau. 

O trabalho de Kneel baseia-se numa mistura de math metal e hardcore, com uma forte apetência experimental em que as dissonâncias assumem papel de destaque.

Oiça ou adquira "Interstice" no Bandcamp ou através do Facebook do projecto. 



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Monuments: novo vocalista apresentado

Chris Barretto, vocalista dos Pheriphery entre 2008 e 2010, é o novo elemento dos britânicos Monuments. Barretto vem assim substituir Matt Rose que em Março último abandonou dizendo-se "frustrado com a ética de trabalho" da banda.

Baretto também já actuou com os The Haarp Machine e tocou saxofone no novo álbum dos Tesseract, "Altered State".

Os Monuments, formados em 2010 e oriundos de Londres, são liderados pelo guitarrista John Browne, ex-Fell Silent, uma das bandas pioneiras de uma nova vaga de metal progressivo. A sua estreia, "Gnosis", foi editada em 2012 pela Century Media.

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Crossover Festival 2013: variedade e peso este fim-de-semana em Leiria

V3ctors

É já esta sexta e sábado que decorre no Centro Cultural e Recreativo de Bidoeira de Cima, no concelho de Leiria, o Crossover Festival 2013. Da ementa fazem parte seis bandas nacionais e uma internacional, com sonoridades que vão desde o metal moderno até ao rock e post-rock.

Assim, abrem o festival os Horse Head Cutters, Braço de Ferro e os espanhóis V3ctors. No dia seguinte sobem ao palco os Last Hangover, Rooster Claw, These Are My Tombs e Clutter.

Os bilhetes encontram-se para pré-venda até quinta-feira no Café Le France, em Carnide (Pombal, Leiria) a 2 euros (um dia) ou 4 euros (dois dias). No dia os ingressos custam 3 euros e 5 euros.

O início dos espectáculos está agendado para as 22h00.

Mais informações aqui

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Textures: primeira entrevista mundial com novo guitarrista Joe Tal

Ontem pela manhã, os Textures oficializavam a entrada de Joe Tal como novo guitarrista. Fechava-se assim um ciclo com Jochem Jacobs, elemento que se encontrava na banda desde a sua formação em 2001.

Joe Tal vem de Amesterdão e mantém uma intensa ligação com a música, sendo guitarrista há vinte anos, dando aulas actualmente e tendo tocado já estilos como o jazz, rock, fusão e pop. Nos últimos três anos reduziu o enorme leque de projectos a que se dedicava e focou-se nos Illucinoma.

Com a oportunidade de poder ingressar numa das bandas mais respeitadas de uma nova geração de nomes dentro do metal progressivo, acedeu a concorrer ao lugar de Jochem e agora diz que os Textures são o tipo de projecto que há muito ambicionava integrar.

Na primeiríssima entrevista no rescaldo da sua ingressão no grupo, a SounD(/)ZonE colocou-lhe algumas questões sobre as audições (divulgadas parcialmente em vídeo na segunda-feira) e sobre o seu futuro na banda.

Quais foram os maiores desafios que os Textures lhe colocaram durante a audição?
Não posso dizer que tenha havido algo particularmente desafiante para além de ter que aprender os temas. Eu esperava que eles me apresentassem um riff muito complicado, mas este acabou por nunca aparecer. Fiquei foi surpreso quando quiserem fazer uma jam... não esperava, de facto.

Consegue dar-nos a sua opinião sobre os restantes candidatos?
Cada um tinha a sua maneira de ver os Textures. Todos tocaram muito bem. Com base nas entrevistas publicadas no podcast, podemos dividi-los em dois grupos: aqueles que tinham algo para oferecer à banda e os que podiam e queriam aprender com eles.

Também toca em várias bandas e é professor de música. Porque decidiu acrescentar mais este compromisso à sua agenda? Será que os Textures vão obrigá-lo agora a desistir de alguns e passarem a ser a sua prioridade?
Não há muito tempo despedi-me de cerca de oito bandas, pois queria ter uma principal com material original e, sobretudo, que tocasse metal! Portanto, nos últimos dois ou três anos mantive apenas uma banda e agora os Textures encaixam-se perfeitamente naquilo que pretendo. É uma banda maior que traz mais responsabilidade, logo, torna-se a minha maior prioridade.

Fale-nos um pouco da sua outra banda, os Illucinoma.
Formei-a há cerca de três anos e tocamos prog/tech metal. Continuamos a actuar com frequência na Holanda e, por vezes, na Bélgica e Alemanha. Em 2011, tocámos no Euroblast, na Alemanha, com os Mnemic, Tesseract, Monuments e... Textures! Temos um novo EP a sair este ano (ver trailer abaixo). Já agora, o nosso primeiro guitarrista era de Portugal!

E em relação a um novo trabalho dos Textures, será que chega a tempo de poder dar o seu contributo às composições?
Não posso ainda fazer um ponto de situação sobre um novo registo, mas já há material novo a pairar. Sim, tenho muito espaço para contribuir com ideias, o que não acontece só comigo mas com todos os elementos da banda. É entusiasmante!

O que podem as pessoas esperar de diferente entre si e o Jochem Jacobs? Já tiveram oportunidade de falar depois de oficializada a sua entrada na banda?
Não posso comparar a minha forma de tocar com a do Jochem, pois nunca tocámos juntos. Sim, mantive algum contacto com ele no último mês, até porque estou a comprar algum do seu equipamento.

  



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Textures: «fumo branco» em relação a novo guitarrista

Os Textures anunciaram ao final da manhã que o seu novo guitarrista é Joe Tal. O grupo de metal progressivo holandês apresenta assim com um vídeo algo hilariante o seu novo elemento (ver abaixo).

Na passada segunda-feira foi divulgado um vídeo com as audições feitas a seis candidatos ao lugar deixado vago por Jochem Jacobs em Janeiro (para se dedicar à sua carreira como produtor) e que rompeu assim com uma ligação de doze anos. Nesse vídeo Joe Tal explica que toca guitarra há vinte anos e que nos últimos dez passou por inúmeras bandas, tocando géneros como o jazz, rock, fusão e pop. Actualmente toca também nos Illucinoma.

O músico de Amesterdão refere ainda que para além da qualidade da música dos Textures, adora também a técnica e era capaz de trazer de volta alguns elementos de álbuns anteriores, como, por exemplo, os blastbeats.  






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Textures: veja audições para novo guitarrista

Os holandeses Textures divulgaram ontem online um vídeo das audições que decorrem para novo guitarrista. O grupo de metal progressivo inicia assim a procura pelo substituto de Jochem Jacobs que abandonou a 12 de Janeiro último ao fim de doze anos de contributo.

Neste vídeo é possível ver os Textures a ensaiarem com seis candidatos e curtas entrevistas com os mesmos.

Na altura, Jochem Jacobs referiu sobre a sua saída que "por mais estranho que possa parecer" as suas "prioridades foram mudando gradualmente ao longo dos anos". "Agora chegou a altura para começar a dedicar-me mais a outras coisas. Estou muito ocupado a produzir grandes bandas e outro material no meu estúdio e quero concentrar-me mais nisso", argumentou.  


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Tesseract: primeiros sons de novo álbum divulgados

A referencial banda britânica de metal progressivo moderno Tesseract apresentou nos últimos dias alguns excertos do seu novo disco na forma de um vídeo promocional da sua próxima digressão.

"Altered State", segundo álbum do grupo, estará disponível a partir de 27 de Maio pela Century Media e baseia-se conceptualmente em quatro movimentos - da matéria, da mente, da realidade e da energia. A banda assume que se trata de uma forma de abordar as transformações internas que viveu nos últimos anos.

"O conceito por trás de 'Altered State' é muito simples. É sobre mudança e como a vida tem mudado. Temos atravessado um período muito difícil. É um milagre que a banda tenha sobrevivido", refere nota de imprensa. 


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