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Músicos Avulso - Miguel Santos (Sonneillon BM)

"Redes sociais? Deviam andar a jogar ao pião"

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Entre montes e jogatanas de futebol cresce um portuense de gema que aprecia os valores tradicionais mas com consciência no futuro. Os Kiss e Europe podem ter sido muito "leves" para o que seus ouvidos almejavam, mas foi assim que se lhe abriram as portas para o lado mais negro da música pesada. Homem dos rufos e dos blastbeats nos Sonneillon BM, Cape Torment, entre outros, aprecia as coisas simples da vida e é uma espécie de nostálgico por natureza. A música é para si mais do que rótulos (gosta de rock e blues) e há segredos que não desmistifica... menos em relação às latas de tinta que lhe serviram de primeira bateria.  

A sua data de nascimento?
2 de Abril de 19...

Como descreve sua terra natal e que sentimentos esta lhe traz? Gosta de ter crescido lá ou se pudesse tinha escolhido outra localidade ou mesmo país para nascer?
Eu nasci no Porto e estou muito feliz. Cá ando sempre pelo centro do Porto e Gondomar que gosto bastante e a ainda cá estou! Nostálgico, por vezes. Em Gondomar encontro inspiração devido às suas grandes montanhas e florestas. A natureza em Gondomar é fantástica. Porto é onde estamos a ensaiar, mais propriamente no Centro Comercial Stop, em Bonfim.

Que traço faz da sua infância? Lembra-se das brincadeiras e traquinices que tinha? Que tipo de miúdo é que era?
Era um miúdo rebelde que sempre gostava de andar nos montes a jogar à bola. No entanto, desde muito cedo que me dedico à música. Comecei a ensaiar em minha casa, aquela que foi a minha primeira sala de ensaios.

Na escola era um aluno empenhado? Que matérias/áreas mais o entusiasmavam e, por outro lado, quais as que mais detestava?
Gostava de Geografia, Alemão... Matemática era um pouco complicado mas nunca foi um "bicho de sete cabeças"! [risos] Era muito empenhado em História, ainda hoje o sou. Tenho pena de não ter seguido História na Faculdade. Actualmente, tento pôr nas letras das músicas sempre partes da história humana e guerras medievais, parte que gosto muito. Por exemplo, no álbum de Sonneillon BM vamos ter um tema chamado "Black Death 1348", relativo à era da peste negra, e que dá ênfase ao filme.

Lembra-se de algum momento marcante enquanto estudante? Alguma curiosidade, brincadeira, traquinice, alguma contenda com um professor?
Lembro-me de dizer ao professor que ia à casa de banho e, afinal, acabava no café com os amigos. Regressava à aula a faltar dois minutos para tocar. Uma vez só! [risos]

Concorda com o novo acordo ortográfico?
Não. A nossa escrita devia prevalecer. É a nossa cultura

A sua ligação ao metal surge quando e como?
Desde miúdo, pois na época havia muita gente a gostar e comecei então a tocar bateria. Desde cedo ouvia os vinis dos Kiss e Europe do meu pai e, por aí, tinha o entusiasmo de ser baterista. Porém, queria mais e encontrei o metal na vertente da arte negra, um som mais pesado, como gosto, e com lírica interessante!

Como aprendeu a tocar bateria?
Com bateria de latas de tinta que fiz em casa depois das obras, pois não havia dinheiro para mais. A minha Pearl foi comprada com esforço. Ia trabalhar sempre nas férias da escola para isso. Não queria pedir nada aos meus pais, mas sempre tive apoio e nunca me faltou nada.

Qual foi o primeiro disco de metal que ouviu e o que comprou?
Talvez Immortal, mas já tinha ouvido Crematory, Metallica, Genocide e por aí fora.

Sempre ouviu metal ou teve aquela fase em que ouvia tudo o que lhe aparecia? Tem, por exemplo, vergonha de certas coisas que ouvia?
Não ouço muito metal mas também gosto de bom rock e blues. Gosto de música mas componho black ou death metal. Ouvir outros estilos faz bem para compor.

Qual foi o primeiro concerto a que assistiu?
De metal, penso que foi de Hypocrisy, numa escola.

E o que mais o marcou até hoje?
Os de Immortal e Morbid Angel.

Qual é a sua grande referência musical e porquê?
Neste momento, é Sonneillon BM. Tento ser o mais original possível e ouvir pouca música quando componho. Referência, no fundo, é o mundo da música.

Para si, qual seria a profissão ideal?
Músico profissional, piloto de Fórmula 1 (é um sonho) ou militar. Segui carreira mas saí depois. Gostaria de ter seguido, mas é a vida.

Qual é o seu grande hobby?
Carros e paintball.

Qual a viagem que mais o marcou até hoje e qual é o seu destino preferido de férias?
A que me marcou mais foi a minha viagem a Oslo, na Noruega. Já quanto ao meu destino preferido, é viajar cá dentro.

Que local ou país deseja mais conhecer?
Itália, Grécia... ainda vou lá.

Tem um disco, canção, filme ou série da sua vida?
Canção já tive, agora não sinto isso. Série era o "Kit" ["Knight Rider - O Justiceiro"]... nostálgico, entre outras dos anos 80. Filmes de guerra, adoro!

No sentido inverso: pior disco, canção, filme…
Nada.

Pratica ou acompanha algum desporto?
Sim, atletismo.

É adepto de algum clube de futebol nacional? Qual?
S.L. Benfica, sempre!

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Utiliza as redes sociais? Que visão tem dessas e que papel lhes atribui?
Utilizo para promover a banda. Infelizmente, uso-as, mas acho que põe as pessoas diferentes. Deviam andar a jogar ao pião na rua, isso sim, bons tempos.

Consome ou já consumiu ilícitos?
Não.

Uma noite perfeita?
Guitarra, monte e churrasco.

É casado? Tem filhos?
Não em ambos os casos.

Que facto mais o orgulha e envergonha na história nacional e/ou internacional?
Envergonha-me ver o estado do nosso país. Orgulha-me ver os portugueses que se dão bem lá fora.

Acredita em Deus? É devoto de alguma religião?
Acredito em mim, na natureza e na sua força. Respeito a crença de cada um, mas a minha é essa.

Acredita em fenómenos paranormais? Já presenciou algum?
Não. Sinceramente, nunca vi e acredito pouco nisso. No entanto, talvez haja vida para além da que temos na Terra.

E em extraterrestres?
Não.

Para si, qual é o maior flagelo mundial?
Vai ser a falta de condições de vida para muitas famílias. Comida, água...

Qual é a sua opinião sobre o aborto e o casamento homossexual?
Bem, cada um é como é. Gosto muito de mulheres. Em relação ao aborto, é um assunto complexo, mas se for aborto por violação, estou de acordo.

Gosta de animais? Tem algum?
Sim. Já tive agora não.

Gosta de videojogos? Qual o seu tipo e/ou jogo favorito?
Sim. Era do tempo do Spectrum ZX. Gosto de jogos de Fórmula 1, futebol, estratégia e guerra.

Enquanto músico, qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
Tocar no estrangeiro e vai ser gravar o meu álbum.

E o mais insólito?
Não tenho assim nenhum, de momento, interessante para contar.

Arrepende-se de algo que fez na música?
Não, nada.

Tem ainda algum sonho por cumprir na música?
Gravar ainda mais álbuns e fazer muito mais pelas minhas bandas. Desafios que no futuro irão conhecer.

Qual é a sua banda/artista nacional e internacional preferidos?
Genocide em termos nacionais. Quanto à  internacional, não tenho uma em específico.

O que acha da qualidade dos músicos e bandas nacionais?
São músicos muito bons, mas temos poucas oportunidades. As bandas estão a trabalhar melhor, mas é difícil mantê-las por causa dos objectivos de cada um.

O que acha que falha, se é que alguma coisa falha, no panorama musical nacional? Acha que há qualidade e quantidade de infraestruturas e público suficientes?
Há pouco público, poucos espaços para tocar, falta de espírito, mas são fases, penso eu. Falha que às vezes as bandas perdem-se em algumas direcções desnecessárias. Vejo pouca união!

A internet é um problema ou uma virtude para os músicos e/ou a indústria discográfica?
Problema... pode ajudar mas a informação é tal que, por vezes, fica tudo no vazio.

É a favor ou contra a pirataria?
Contra. O artista tem de ser valorizado. Se ele permitir o download gratuito, aí sim, mas é da responsabilidade da banda.

O que acha dos organismos que gerem os direitos de autor, nomeadamente a SPA?
Deviam apoiar mais as bandas pequenas. Todos ganhavam com isso.

Concorda com as leis que estão a ser estudadas para combater a pirataria (ACTA, SOPA, etc)?
Sim, acho que se deve tomar decisões que apoiem os artistas.

O que é que o irrita mais?
Falta de honra.

Qual é a maior surpresa que o podem fazer?
Ver as coisas feitas, tarefas compridas.

Já praticou algum acto de solidariedade? Se sim, qual?
Ajudei algumas pessoas, mas isso fica comigo.

Acha que ainda tem algum dom escondido por revelar?
Não sei, acho que tenho vários. Ás vezes não sabemos como explorá-los.

Prefere o Verão ou o Inverno? O sol ou o frio? A praia ou a neve?
O Inverno. Não gosto muito do calor frio e neve.

Qual é o carro dos seus sonhos?
Um Ferrari.

Sente-se dependente do telemóvel?
Não

Qual é a sua comida favorita?
Massa.

E a bebida?
Cerveja.

Sabe cozinhar? Qual o prato que confecciona com maior mestria?
Sei cozinhar pouco... arroz, carne, batata frita. [risos] No entanto, vou-me safando na cozinha. Um entrecosto e um chouriço assado, frango... talvez isso!

Tem alguma fobia?
Não.

Neste momento está optimista em relação à recuperação económica do país?
Não, de facto, não. Mas a situação não pode continuar assim. Tinha de limpar-se o parlamento.

Identifica-se com alguma ideologia política?
Identifico-me com aquela que proporcione bem estar às pessoas.

Se pudesse recuar no tempo, até onde e quando recuava? Porquê?
Recuava ao tempo de escola quando tive outras opções e a nível profissional também.

Acredita na reencarnação? Em quem ou no que gostava de reencarnar numa outra vida?
Em Bellerophon, mas não acredito na reencarnação.

É supersticioso? Qual a sua maior superstição?
Sim, sou um pouco, mas não posso revelá-la. [risos]

Para si, como se descobrem as verdadeiras amizades? O que é uma verdadeira amizade?
Descobrem-se nos momentos difíceis da vida. Nos bons estão todos contigo...

Tem tatuagens? Se sim, qual a que mais sentido tem para si?
Não tenho.

E piercings?
Também não.

Considera-se vaidoso? Que cuidados tem com a aparência e a saúde?
Não sou vaidoso, mas tenho cuidados comigo e com a saúde. Todos devemos é ter brio próprio.

Que tipo de roupa nunca seria capaz de usar?
Cor-de-rosa.

Qual o seu maior defeito e a sua maior virtude?
A minha maior virtude é não desistir. Defeito? Talvez ser arrogante! [risos] Dizer as verdades na cara talvez seja a minha maior virtude. 

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Músicos Avulso - Carlos Guerra [SERRABULHO]

"Somos poucos e se estivermos separados por estilos dentro do metal, menos nos tornamos"

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Com Carlos Guerra à direita
Já não é a primeira vez que o campo é inspirador de tanta devastação - sonora neste caso -, mas também irreverência e descontracção. Três anos de dedicação aos nortenhos Serrabulho e um disco de estreia ("Ass Troubles", editado este mês) a consumar uma paixão pelo metal que, no caso do grunhidor Carlos Guerra, deve tanto ao sarcasmo lírico de Quim Barreiros como ao instinto sanguinário dos Cannibal Corpse ou Lividity. Com nome de iguaria tradicional, os Serrabulho até são liderados por um "mestre" em Francesinhas que encontra nos animais a sua grande paixão. Temível... mas só no palco.  

Data de nascimento e naturalidade?
Nasci a 21 de Junho de 1979 [34 anos] na cidade de Vila Real.

Como descreve a sua terra natal e que sentimentos esta lhe traz? Gosta de ter crescido lá ou se pudesse tinha escolhido outra localidade ou mesmo país para nascer?
Nasci em Vila Real, mas cresci numa aldeia próxima do distrito (Vilar de Maçada), terra simpática, calma... A nível de sentimentos, aqueles habituais de infância sobre brincar com terra, animais, etc.... faziam de mim uma criança feliz. Gostei muito de ter crescido lá, mas sinceramente, nos dias de hoje, não me importava nada de ter nascido noutro país, pois da maneira que está este, dominado por lambões que nos espremem até ao tutano… Mas pronto, é o que temos.

Que traço faz da sua infância? Lembra-se das brincadeiras e traquinices que tinha? Que tipo de miúdo é que era?
A minha infância foi calmita, nunca tive grandes stresses. Era uma criança calminha, não muito rebelde, obviamente com algumas traquinices do género de detestar bonecas e entupir a sanita com as da minha irmã… Eu queria brincadeiras de homem e ela não alinhava e eu ficava furibundo e zás, tudo lá dentro! Entre outras traquinices, mas mesmo em criança era sempre amigo do meu amigo. Até dava os meus brinquedos todos se os visse tristes. Enfim, velhos tempos.

Na escola era um aluno empenhado? Que matérias/áreas mais o entusiasmavam e, por outro lado, quais as que mais detestava?
Fui empenhado até ter que começar a ler livros para poder estudar, pois sempre fui aluno de aprender com o que ouvia nas aulas. Quando tinha de ler é que estragava tudo. Ficava entusiasmado quando falava de coisas que tivesse a ver com planetas e animais, pois foram áreas que sempre gostei e, como quase todas as crianças, sempre detestei Matemática.

Lembra-se de algum momento marcante enquanto estudante? Alguma curiosidade, brincadeira, traquinice, alguma contenda com algum professor?
Sim, um dia um professor mandou-me para rua e eu esvaziei-lhe os pneus. E noutra ocasião o meu primo trouxe uma garrafinha de gás lacrimogénio e eu e um amigo deitámo-lo pela fechadura de uma turma. E foi tudo parar ao hospital com os olhos irritados! [risos]

Concorda com o novo acordo ortográfico?
Óbvio que não concordo. Sinceramente, acho uma verdadeira palhaçada de quem não tem mais nada que fazer.

A sua ligação ao metal surge quando e como?
Ui, isso agora… Lembro-me de em pequeno um primo meu e um vizinho andarem sempre a ouvir Iron Maiden, Guns N'Roses, etc.. Eu ficava fascinado com aquelas capas de álbuns e com os cabelos e sinceramente adorava as músicas. Ainda me recordo de andar com um primo aos saltos com a música nas alturas. Adorava! Fiz umas cópias pra mim e para o meu primo, até que começámos a descobrir umas vertentes de death metal. Então aí foi o delírio total! Aquelas capas de Cannibal Corpse, Morbid Angel, etc., e suas vozes começaram a entrar de uma maneira que acabámos mergulhados nesse mundo. E passados uns anos continuo fiel à camisola.

Como aprendeu a... "grunhir"?
Conforme fui ouvindo death metal fui sempre acompanhando e tentando fazer igual até que comecei a dar uns grunhos idênticos e disse: gosto disto!

Qual foi o primeiro disco de metal que ouviu e o que comprou?
O de metal mesmo foi o "Butchered At Birth" dos Cannibal Corpse, pois já tinha discos dos Maiden e outros há muito. Mas qual foi o primeiro não me recordo, pois era muito novo.

Sempre ouviu metal ou teve aquela fase em que ouvia tudo o que lhe aparecia? Tem, por exemplo, vergonha de certas coisas que ouvia?
Vergonha? Obviamente que não. Eu sempre ouvi todo o tipo de música e nunca critiquei nada. Cada estilo no seu lugar. Obviamente que o metal está por cima, mas tanto me dou num festival de metal como numa disco, desde que esteja com pessoal fixe.

Qual foi o primeiro concerto a que assistiu?
Não faço a mínima.

E o que mais o marcou até hoje e porquê?
Sei lá, mas foi um concerto qualquer na Queima das Fitas em que passei a noite a fazer um combate de flatulência com uma tipa... e perdi!

Qual é a sua grande referência musical e porquê?
O Quim Barreiros. Adoro as suas letras e a capacidade que tem de conseguir fazer letras normais parecerem maliciosas na mente do português.

Quais são as suas habilitações literárias e qual é a sua ocupação profissional?
Tenho o 12º ano e tenho uma loja de animais.

Para si, qual seria a profissão ideal?
Eu tenho a profissão ideal, pois é das coisas que mais gosto no mundo - essas criaturas maravilhosas!

Qual é o seu grande hobby?
Sem dúvida, a música.

Qual a viagem que mais o marcou até hoje e qual o seu destino preferido de férias?
Talvez Cabo Verde... ver aquela miséria toda e mesmo assim encontrar um povo feliz. Um destino preferido? Não tenho. Gostava de conhecer todos os países, mas os Serrabulho ainda não dão milhões. [risos]

Que local ou país deseja mais conhecer?
Tudo o que me falta conhecer na Europa. O Velho Continente tem sítios fantásticos, já conheci bastantes, mas não descanso enquanto não pegar na motinha com um amigo(a) e percorrê-lo todo. Também gostava muito de conhecer os States.

Tem um disco, canção, filme ou série da sua vida?
Não tenho disso. Ainda pensei no "Titanic", mas não vale a pena! [risos]

No sentido inverso; pior disco, canção, filme…
Zé Cabra.

Pratica ou acompanha algum desporto?
Actualmente só headbanging e moshpit.

 photo guerra8_zps6b593633.jpgÉ adepto de algum clube de futebol nacional? Qual?
Sei que vai haver pessoas que já não vão gostar de mim, mas sou do Benfica. No entanto, pouco ligo ao futebol, pois acho perda de tempo. Eles é que o ganham…

Utiliza as redes sociais? Que visão tem dessas e que papel lhes atribui?
Sim, uso o Facebook em grande parte para divulgação da banda. Se for usado com cabeça até se torna bastante engraçado e bom para fazer certas amizade. Assim não sendo, pode funcionar como um descalabro total.

Consome ou já consumiu ilícitos?
Pelo aspecto já, mas na realidade não consumo absolutamente nada de ilícito.

Uma noite perfeita?
Ui, é só haver imaginação! Não posso divulgar aqui a noite perfeita... [risos]

É casado? Tem filhos?
Não sou casado e filhos tenho uns poucos - os meus bichos.

Que facto mais o orgulha e envergonha na história nacional e/ou internacional?
Envergonha-me este país ter governantes de merda que só vêem o bico deles e o povo que se foda.

Acredita em fenómenos paranormais? Já presenciou algum?
Sim, o meu guitarrista [Paulo]! [risos] Acredito e também já presenciei.

E em extraterrestres?
Há uns poucos...

Para si, qual é o maior flagelo mundial?
A fome. E infelizmente cada vez há mais.

Qual é a sua opinião sobre o aborto e o casamento homossexual?
Sou a favor do aborto quando se detecta alguma doença ou deficiência que poderá influenciar a vida toda de uma pessoa e obviamente sou contra o casamento homossexual, muito mais contra a adopção de crianças entre eles. Nenhuma criança tem culpa de ter um pai chamado Pedro e uma mãe chamada Manuel.

Gosta, portanto, de animais? Quantos tem?
São a minha vida. Tenho milhares...

Gosta de videojogos? Qual o seu tipo e/ou jogo favorito?
Já gostei mais, agora não ligo muito. "Super Mario", sempre!

Enquanto músico, qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
Quando entrei em palco e havia uma média de 20.000 pessoas à minha frente na Alemanha.

E o mais insólito?
Quando em Chaves toquei para oito pessoas. Mas tanto um como o outro espectáculo foram importantes e especiais.

Arrepende-se de algo que fez na música?
De nada.

Tem ainda algum sonho por cumprir na música?
Há sempre sonhos por cumprir na música...

Qual é a sua banda/artista nacional e internacional preferidos?
Em termos nacionais o Quim Barreiros e internacionais os Lividity.

O que acha da qualidade dos músicos e bandas nacionais?
A qualidade é muito boa e as bandas nacionais são do melhor.

O que acha que falha, se é que alguma coisa falha, no panorama musical nacional? Acha que há qualidade e quantidade de infraestruturas e público suficientes?
Acho que o que falha é mesmo a mentalidade de muito metaleiro actual, pois somos poucos e se estivermos separados por estilos dentro do metal, menos nos tornamos! E sinto que  cada vez há mais “politicas” no metal - religiões, satanás, blá blá blá. Ainda me lembro aqui há uns anos que uma pessoa ia ver uma banda de death metal e encontrava pessoal do black, thrash, etc.… Actualmente, passam a vida a falar mal uns dos outros e quem sofre com isso é o metal a nível geral, pois cada vez tem menos gente nos concertos. Há que apoiar o metal em geral e o que é nacional, pois também cá existe metal do bom.

A Internet é um problema ou uma virtude para os músicos e/ou a indústria discográfica?
Tanto uma virtude como um problema...

É a favor ou contra a pirataria?
Nem a favor, nem contra. Algumas coisas merecem ser pirateadas, outras acho injusto, como, por exemplo, a música - tanto esforço e trabalho para depois não se vender nada.

O que acha dos organismos que gerem os direitos de autor, nomeadamente a SPA?
Uns chulos, completamente!

Concorda com as leis que estão a ser estudadas para combater a pirataria (ACTA, SOPA, etc)?
Concordo, mas nunca irão conseguir combater a pirataria.

O que é que o irrita mais?
Eu estar a trabalhar e alguém a tentar ajudar-me mas a fazê-lo mal feito. Sou um bocado perfeccionista no trabalho.

Qual é a maior surpresa que o podem fazer?
Uma massagem antes de dormir.

Já praticou algum acto de solidariedade? Se sim, qual?
Sim, muitos, quase todos com animais.

Acha que ainda tem algum dom escondido por revelar?
Não, acho que já revelei tudo o que tinha pra revelar.

Prefere o Verão ou o Inverno? O sol ou o frio? A praia ou a neve?
Gosto de todos, cada um no seu lugar. Não gosto de muito frio, nem de muito calor… tudo intermédio. Adoro ir para o rio e para a neve.

Qual é o carro dos seus sonhos?
Ui, são tantos! Mas nada extravagante.

Sente-se dependente do telemóvel?
Completamente! [risos]

Qual é a sua comida favorita?
Azeitonas (nham, nham).

E a bebida?
Whisky.

Sabe cozinhar? Qual o prato que confecciona com maior mestria?
Poucas coisas, mas sei, apesar de não gostar muito. A minha mestria resume-se nas melhores Francesinhas da Península Ibérica!

Qual é o seu maior medo?
Ter uma doença ou acidente que me possa privar de tudo o que vida tem de melhor.

Tem alguma fobia?
Não.

Neste momento está optimista em relação à recuperação económica do país?
Cada vez mais pessimista..

Se pudesse recuar no tempo, até onde e quando recuava? Porquê?
Se pudesse recuar no tempo, recuava até aos meus dezassete anos para tornar a aproveitar a vida da maneira que a aproveitei e que sinto saudades… apesar de não me queixar muito da minha maneira de viver a vida.

Acredita na reencarnação? Em quem ou no que gostava de reencarnar numa outra vida?
Não acredito, mas se pudesse reencarnar que fosse num cão extremamente dócil para as boas pessoas e para os outros cães e extremamente forte e poderoso para detonar todo o tipo de pessoas que maltratam os animais e abusam deles, desde touradas, etc.. Levava tudo na frente! [risos]

É supersticioso?
Não sou.

Para si, como se descobrem as verdadeiras amizades? O que é uma verdadeira amizade?
Quando uma pessoa está mal e precisa de um amigo e ele está presente. Os amigos vêm-se nas más ocasiões... e amigos há poucos.

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Tem tatuagens? Se sim, qual a que mais sentido tem para si?
Sim, tenho. Nenhuma delas faz sentido. Mas pretendo fazer mais.

E piercings? Se sim, quer revelar onde?
Não tenho em lado nenhum.

Considera-se vaidoso? Que cuidados tem com a aparência e a saúde?
Não me considero nada vaidoso, mas tenho cuidados, principalmente com a saúde. Deixei de fumar por isso mesmo já há quatro anos.

Que tipo de roupa nunca seria capaz de usar?
Meias e cuecas sujas! No dia-a-dia era incapaz de usar roupas justas (como a moda anda agora) e cor-de-rosa ou roupa "apaneleirada". Já com Serrabulho ao vivo isto muda tudo e tudo é legal!

Qual o seu maior defeito e a sua maior virtude?
O meu grande defeito é ser amigo de mais das pessoas até me tornar “burro” e elas abusarem de mim. Quanto à minha virtude, é eu dificilmente ser inimigo de alguém, não gostar de confusões e dar-me bem com todo o tipo de gente sem preconceitos.

www.facebook.com/serrabulhogrind


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Músicos Avulso - Ricardo Rodrigues (Calamity Islet)

"Em todo o lado existe talento desperdiçado, mas Portugal abusa"


Aos vinte anos pode-se considerar um novato para a música. No entanto, a garra e ambição são, muitas vezes, os principais indicadores da substância de um artista. Posto isso, tanto nos Calamity Islet como noutras actividades musicais que encetou entretanto, Ricardo Rodrigues demonstra uma crença inabalável nos seus sonhos e princípios e nem a insularidade lhe faz baixar os braços. "Trazido" para o metal através dos Metallica, com o apadrinhamento do wrestling e skating, nem uma educação mais religiosa o fez desviar de um caminho mais "selvagem" - ele que até integrou um coro católico. Assumidamente egoísta quanto baste, é generoso o suficiente para perceber que precisará de trabalhar muito para desbravar a enorme concorrência dos dias de hoje, mas a forma romântica como vê a música - dava uma boa religião, diz ele - parece antever um futuro auspicioso para o jovem funchalense. A "vida" de mais uma figura do metal nacional vista à lupa.

Data de nascimento e naturalidade?
Nasci no dia 16 de Junho de 1993 no Funchal, Região Autónoma da Madeira, mais precisamente na Clínica da Sé (ao pé da catedral que normalmente aparece nos folhetos turísticos referentes à Madeira). [risos]

Como descreve sua terra natal e que sentimentos esta lhe traz? Gosta de ter crescido lá ou se pudesse tinha escolhido outra localidade ou mesmo país para nascer?
Tenho a dizer que é dos poucos sítios no mundo que ainda não foram completamente destruídos pela estupidez humana. Quem quer viver uma vida calma e desfrutar das pequenas coisas, deve, sem dúvida, pensar em ir para a Madeira - a qualidade de vida é espectacular! No entanto, os contras da vida insular são evidenciados naqueles que querem algo mais, e esse é o caso dos músicos ambiciosos, e não só! Os jovens madeirenses emigram não por não quererem viver na sua terra, mas porque não conseguem obter tudo o que querem dela. Eu agora saí da Madeira e tinha mesmo de o fazer. Mas não, não gostava de ter crescido em lugar nenhum senão na "Pérola do Atlântico". E porquê? Porque a óptima e calma vida que nela se vive, proporcionou-me uma infância perfeita da qual retiro as melhores recordações e ao mesmo tempo, devido à distância do resto do mundo e das dificuldades que isso implica, endureceu-me para perseguir com garra os meus objectivos.

Que traço faz da sua infância? Lembra-se das brincadeiras e traquinices que tinha? Que tipo de miúdo é que era?
Era "passado" da cabeça! Sempre estive a "milhas" de tudo, não pela positiva ou pela negativa mas simplesmente porque não estava consciente do que se passava à minha volta. Tinha o meu mundo próprio. Descobri o que era o futebol entre o primeiro e segundo ano de escolaridade, porque todos gostavam e jogavam e eu não percebia nada daquilo. E sim, cresci a não gostar de futebol. [risos] Passei a maior parte do meu tempo até aos quatro anos ao cuidado da minha avó que é, provavelmente, uma das pessoas mais importantes para mim. Ela ainda hoje fala a toda a gente da destruição que eu lhe causava em casa. Sempre tive as minha brincadeiras estranhas e sempre imaginei muitas coisas. Ainda o faço, e desde pequeno que falo sozinho imenso, sobre os mais variados temas, desenvolvo conversas comigo próprio sempre que estou sozinho e a maior parte das pessoas que me conhece pergunta-se a si mesmo e, eventualmente, perguntam-me se sou hiperactivo. Nop, não sou.

Na escola era um aluno empenhado? Que matérias/áreas mais o entusiasmavam e, por outro lado, quais as que mais detestava?
Até ao fim do secundário não, nunca fui empenhado. Quero dizer, fui mas não por iniciativa própria. Empenhava-me por causa dos meus pais, e ainda bem que assim foi porque não tinha motivação nenhuma para a escola! Sempre adorei línguas e Ciências e odiei Matemática e Educação Física. Um facto curioso é que hoje em dia e já há muitos anos que não sobrevivo sem música, e a música é tudo para mim, mas do quinto ao sétimo ano tinha Educação Musical na escola e odiei, odiei mesmo. Odiava tocar flauta e tudo o que tivesse a ver com música por causa das aulas serem terríveis. Oh, a ironia...

Lembra-se de algum momento marcante enquanto estudante? Alguma curiosidade, brincadeira, traquinice, alguma contenda com algum professor?
Frequentei uma escola religiosa! [risos] Portanto, só me metia em porcaria. Estive perto de ser expulso imensas vezes mas não fazia nada de hardcore. Eram mesmo coisas pequenas e sem importância que os padres levavam muito a sério. Por conseguinte, escusado será dizer que traquinices não faltam, dentro de tantas existem sempre algumas que saltam sempre à mente quando penso no assunto e uma delas foi numa aula de Português. Costumávamos fazer uma mini festa quando era a aula número 100 de cada disciplina e levávamos sumos, etc.... Na aula 100 de Português do sétimo ano levámos aguardente e misturámos com os sumos. E sim, fomos apanhados como não podia deixar de ser! [risos]

Concorda com o novo acordo ortográfico?
Nem pensar. Entendo que a língua tem que progredir mas no caso deste acordo não considero uma progressão, antes uma regressão. Assimilar o português de Portugal ao do Brasil não é o caminho a percorrer na minha opinião. Temos uma língua riquíssima e bastante complexa que está em risco de ser arruinada com medidas como esta. Já para não falar no caso do Egito – egípcio...

A sua ligação ao metal surge quando e como?
Por volta do sétimo ou oitavo ano de escolaridade, porque o meu grupo de amigos começou a ouvir Metallica, Slipknot, etc.... Mas tudo isso veio do wrestling e do skate! [risos] O wrestling porque quando o assistia na televisão estava sempre exposto a rock e metal como soundtrack. E quando comecei a andar de skate, e devido à sua própria cultura, passei a ouvir mais e mais heavy metal até ao ponto em que percebi que era, de facto, o único género musical que estava o mais perto possível de satisfazer-me. 

Como aprendeu, neste caso, a cantar?
[risos] No chuveiro! Quando era pequeno, no primeiro ciclo, pertenci ao coro da escola religiosa que frequentava - inicialmente entrei porque tinha duas raparigas muito bonitas que queria conhecer mas depois acabei por adorar - mas no quarto ano saí e não voltei a fazer nada do género. No entanto, o chuveiro tem sido, desde que me lembro, o meu melhor ouvinte e como adoro cantar fui sempre cantando as músicas de que gostava. Portanto, foi algo muito natural para mim.

Qual foi o primeiro disco de metal que ouviu e o que comprou?
O primeiro que ouvi foi o "S&M" dos Metallica e o primeiro que comprei foi o "Death Magnetic".

Sempre ouviu metal ou teve aquela fase em que ouvia tudo o que lhe aparecia? Tem, por exemplo, vergonha de certas coisas que ouvia?
Tive a fase pré-metal, sem dúvida. Ouvia tudo o que aparecia, o que dava na rádio, etc.... Desde pequeno que adoro bandas como AC/DC e Pink Floyd por causa dos meus pais, mas antes de gostar de metal ouvia coisas muito más. O lado positivo disso é que ao mesmo tempo que ouvia coisas muito más, ouvia também coisas bastante aceitáveis como Linkin Park, Limp Bizkit, Da Weasel, etc.. Não tenho vergonha porque compreendo que são idades em que é completamente normal não ter um gosto musical definido e ouvir o que está à mão, mas não me orgulho de ouvir o CD da soundtrack dos "Morangos com Açúcar"....

Qual foi o primeiro concerto a que assistiu?
Fui a muitos concertos quando era pequeno, mas ia com os meus pais, daí não saber qual foi o primeiro. No entanto, o primeiro concerto a que quis mesmo ir e fui, e que defino como “o primeiro”, foi o de Dream Theater, Opeth, Bigelf e Unexpect no Palácio de Cristal, em 2009.

E o que mais o marcou até hoje e porquê?
Opeth no Incrível Almadense, dia 20 de Novembro de 2011, porque foi o primeiro concerto headliner que vi da banda que mais gosto e porque foi um espectáculo excelente. Em segundo lugar, fica o concerto de Al Di Meola no Funchal Jazz de 2010, se não me engano.

Qual é a sua grande referência musical e porquê?
Mikael Akerfeldt [Opeth] porque é o frontman e songwriter da banda que me fez querer ser músico, que me deu uma nova perspectiva no que toca a música, arte e harmonia entre ambos. Ele revolucionou a minha vida com a sua música e fez-me perceber que é isso que quero fazer aos outros!

Quais são as suas habilitações literárias e qual é a sua ocupação profissional?
Estou prestes a começar o meu terceiro e último ano de licenciatura em Tecnologias de Comunicação Multimédia na ESMAE, no Porto, e estou a estabelecer-me como artista multimédia freelancer, para além de estar a pôr todos os meus esforços na minha carreira como músico.

Para si, qual seria a profissão ideal?
Gostava de poder dar uma resposta menos cliché mas é impossível. A profissão ideal seria viver da música e viajar pelo mundo inteiro a tocar. Adoro tocar e transmitir algo às pessoas com essas músicas.

Qual é o seu grande hobby?
Para além da música, de ouvir 24/7 e em qualquer local, e de que quando não estou a ouvir estar a cantarolar ou a imaginar alguma música na minha cabeça, é o cinema e o skate.

Qual a viagem que mais o marcou até hoje e qual é o seu destino preferido de férias?
Duas viagens destacam-se imediatamente - uma com família e uma com amigos. A minha viagem de finalistas às Canárias marcou-me imenso, não pelo destino mas pelos momentos que partilhei com pessoal excelente. A outra viagem que me marcou imenso foi há quatro anos quando fui aos Estados Unidos da América e ao Canadá. É um mundo completamente diferente e a coisa que mais gosto quando viajo é mergulhar numa realidade diferente e experienciar a cultura do local de destino. Dito isto, tenho de referir que nenhum dos locais que mencionei são os meus favoritos. Das cidades que visitei, duas destacam-se como os meus destinos de eleição: Barcelona e Roma - duas cidade cheias de cultura, história e beleza!

Que local ou país deseja mais conhecer?
Egipto! Sou apaixonado pela cultura egípcia e quero definitivamente ir lá. Obviamente que nos dias que correm, e por razões óbvias, esta opção não é viável. Mas quem sabe um dia...

Tem um disco, canção, filme ou série da sua vida?
Disco: Opeth – "Ghost Reveries". Canção: não sei mesmo. Assim de repente, lembro-me de “Demon Of The Fall” dos Opeth e de “Anesthetize” dos Porcupine Tree, mas não sei se as posso considerar as "canções da minha vida", até porque a minha vida (espero) acabou de começar! Filme: são muitos, mas adoro terror e a franchise do “Saw” marcou-me profundamente pela positiva. Série: não sei mesmo. Tenho “fases”... a série "Chuck" foi uma dessas fases. Actualmente, diria ou "Walking Dead" ou "Game Of Thrones".

No sentido inverso: pior disco, canção, filme…
Não tenho pior disco. Quando oiço algo e vejo que não estou a gostar paro de ouvir, simplesmente, ou tento habituar-me. De qualquer das maneiras, não consigo enumerar os piores discos. Também não sei até que ponto consigo dizer a pior canção, mas existem canções que me irritam imenso, normalmente por causa do timbre da voz. Singles dos Maroon 5 e Coldplay são bons exemplos disso, irritam-me genuinamente (embora não saiba os nomes das canções). O pior filme que já vi (aviso desde já que provavelmente existe algum que detestei mais mas que de momento não me lembro) foi o “New Moon” da saga "Twilight". Até achei piada ao primeiro filme mas esse segundo foi demasiado mau - uma das únicas vezes em que adormeci no cinema. Pior série? Essa é fácil, "Anatomia de Grey".

Pratica ou acompanha algum desporto?
De momento, não. Devia praticar, eu sei, mas não.

É adepto de algum clube de futebol nacional? Qual?
Não, nem nacional nem internacional, mas tenho de admitir que quando me perguntam costumo dizer que sou do Porto, para não ter de apanhar com as caras de desaprovação do típico português. Talvez por adorar a cidade do Porto e pelo meu pai apoiar o FCP, mas na verdade não tenho o mínimo interesse na modalidade.

Utiliza as redes sociais? Que visão tem dessas e que papel lhes atribui?
Utilizo sim. A minha opinião pode ser resumida com um simples “meh”. Como todas as invenções trouxe enormes vantagens e assustadoras desvantagens, mas nem vale a pena entrar neste assunto porque ocupava a entrevista inteira. Têm um papel fundamental na organização de diversos aspectos na nossa sociedade. São de extrema importância pela sua magnitude e impacto nos dias que correm e creio que é impensável dispensá-las, sobretudo no caso dos músicos e artistas, em geral.

Consome ou já consumiu ilícitos?
Não, nem tenho curiosidade.

Uma noite perfeita?
Saída brutal com amigos depois de um concerto, descontrair com a namorada ou amigos ou uma longa sessão de cinema em casa.

É casado? Tem filhos?
Não e não, e muito mal estaria se com vinte anos alguma dessas perguntas tivesse resposta afirmativa.

Que facto mais o orgulha e envergonha na história nacional e/ou internacional?
Infelizmente, a raça humana não me dá razões para sentir orgulho. Fazemos muitas coisas boas, mas não são nada comparadas com as coisas más... e muitas das coisas boas que fazemos vêm com propósitos duvidosos. Este é mais um daqueles assuntos que tem pano para mangas, como se costuma dizer.

Acredita em Deus? É devoto de alguma religião?
Não e não, ao contrário do que é expectável de alguém que frequentou uma escola religiosa, esteve dez anos na catequese e tem o crisma! [risos] Gostava só de deixar uma dica: existe algo que faz com que milhares de milhões de pessoas se levantem todos os dias com um sorriso na cara e as ajuda a sobreviver até ao fim do dia. Esse algo é a música. Dava uma boa religião, não?

Acredita em fenómenos paranormais? Já presenciou algum?
Não presenciei nada do género e costumo achar que tudo tem uma explicação lógica. Contudo, tenho uma mente aberta... continuo à espera que me provem o contrário.

E em extraterrestres?
Claro, seria extremamente egoísta pensar que num universo tão vasto seríamos o único planeta com vida, sobretudo numa altura em que cada vez mais surgem teorias suportadas cientificamente de que houve vida noutros planetas.

Para si, qual é o maior flagelo mundial?
Não me sinto qualificado para responder a esta pergunta, e isto porque precisava de mergulhar em números e pormenores de vários acontecimentos como as guerras mundiais, o holocausto, etc., para poder determinar qual deles considerava o maior flagelo. De uma coisa tenho a certeza: o 11 de Setembro nem se classifica para entrar nesta ponderação (seriously ‘muricans, grow up already).

Qual é a sua opinião sobre o aborto e o casamento homossexual?
Sou a favor de ambos. Quanto ao aborto sinto que tem que ser algo que seja tratado com responsabilidade, não pode estar ao alcance de qualquer gaja de dezasseis anos que fez porcaria. O aborto deve ser um last resort em casos extremos emocionais, físicos ou económicos. No que toca ao casamento homossexual, a única coisa que tenho a dizer é live and let live. Todos têm (ou pelo menos deviam ter) o direito de serem felizes, e se o casamento homossexual contribui para a felicidade de alguém, então que assim seja!

Gosta de animais? Tem algum?
Gosto mas não tenho nenhum. O meu animal de sonho seria um macaco e, sim, estou a falar a sério!

Gosta de videojogos? Qual o seu tipo e/ou jogo favorito?
Claro que gosto! Embora hoje em dia não tenha muito tempo para jogar, acho que passei mais tempo da minha infância com a minha PlayStation do que com pessoas reais! [risos] O meu jogo favorito de sempre é o "Crash Bandicoot 2".

Enquanto músico, qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
Definitivamente, a semana que passei com os Calamity Islet a gravar o nosso EP de estreia, “See The Colourless”. Foi a mais divertida da minha vida, sem dúvida, e está tudo documentado no nosso canal de Youtube. Vale mesmo a pena ver! [risos]

E o mais insólito?
Cada vez que o meu cabelo fica preso no headstock ou do Carlo ou do Tobias, em pleno concerto, e fico que nem um deficiente a tentar arranca-lo de lá! É sempre um momento interessante, no mínimo! [risos]

Arrepende-se de algo que fez na música?
Nop, nem por um segundo, e a chave para me sentir assim é também a minha regra número um enquanto músico: nunca lançar ou fazer algo de que não se goste!

Tem algum sonho por cumprir na música?
Algum? Pffff, tantos! Ainda vou no início da minha viagem musical, nem atingi nenhum dos meus objectivos! Tenho imensos sonhos por cumprir no que toca à música, mas tenho que dizer que fazer uma tournée mundial de qualidade e com bandas de sonho, provavelmente seria capaz de resumir todos esses objectivos.

Qual é a sua banda/artista nacional e internacional preferidos?
Nacional: Moonspell ou The Firstborn. Internacional: Opeth.

O que acha da qualidade dos músicos e bandas nacionais?
Digamos assim: em todo o lado existe talento desperdiçado mas, na minha opinião, Portugal abusa um pedaço no que toca a esse desperdício.  

O que acha que falha, se é que alguma coisa falha, no panorama musical nacional? Acha que há qualidade e quantidade de infraestruturas e público suficientes?
Infraestruturas existem, não estão é disponíveis tão facilmente... só para quem tem bastante dinheiro ou cunhas. Pelo menos no meio em que me insiro, e em termos de público, até nem estamos mal, e com a nossa situação económica até considero que o underground está a safar-se bem. O que acho que falha imenso ainda é a mentalidade, mas isso são outras lutas.

A Internet é um problema ou uma virtude para os músicos e/ou a indústria discográfica?
Acho que é bastante óbvio que, tal como grande parte das mudanças e evoluções tecnológicas, a Internet trouxe vantagens e desvantagens para o mundo da música. Se não fosse essa, muitos músicos não veriam a luz dos "holofotes". Por outro lado, o facto de todos termos uma hipótese fez com que seja tudo cada vez mais difícil e com que haja uma “concorrência” muito maior, se assim se pode dizer. No que toca à indústria, a Internet mudou por completo o negócio e grande parte das pessoas até hoje ainda não descobriu como monetizar e rentabilizar este meio de distribuição musical. Porém, em termos de divulgação e advertising, entre outros aspectos, foi muito positivo. Portanto, creio que é uma virtude problemática.

É a favor ou contra a pirataria?
Nem um nem outro. Consigo ver perspectivas divergentes no que toca a este assunto. Acho, no entanto, que a pirataria é algo que não devia estar ao alcance do ser humano, não por ser contra a mesma, mas porque a pirataria é daquelas coisas que implica, na minha opinião, um uso responsável, coisa que a maior parte das pessoas não é capaz de fazer.

O que acha dos organismos que gerem os direitos de autor, nomeadamente a SPA?
Muito mau. Tive a sorte de não ter de lidar muito com esses organismos dado que com os Calamity Islet quem tratou disso foi o guitarrista. Mas aquilo é uma confusão enorme, ninguém sabe servir os clientes, dar informações, nada. Demora-se imenso tempo a fazer coisas tão simples e a burocracia é tão chata. Tive de andar de um lado para o outro tantas vezes porque não me sabiam dar informações correctas e então empurravam uns para os outros. Sinceramente, dá vontade de não registar nada.

Concorda com as leis que estão a ser implementadas para combater a pirataria (ACTA, SOPA, etc)?
Não, e sobretudo porque essas iriam afectar bem mais do que a pirataria, já para não falar no autêntico assassínio à liberdade que constituem.

O que é que o irrita mais?
Em 90% do meu tempo de vida é extremamente difícil irritar-me. É mesmo, até porque levo a vida sempre no gozo. Todavia, quando estou a fazer algo sério é bastante fácil ficar irritado e normalmente são as pessoas que me irritam mais. Tenho também de referir que muitas vezes irrito-me com o computador ou qualquer tipo de tecnologia que não esteja a cumprir a sua função de forma eficaz. Ah, e quando seguranças ou polícias vêm dizer-me que não posso andar de skate em local A ou B...

Qual é a maior surpresa que o podem fazer?
Festas surpresa ou uma viagem surpresa! Os meus pais e a minha namorada fizeram-me há um ano uma festa de aniversário surpresa, pela primeira vez na minha vida, e estava à espera de tudo menos daquilo. Foi o melhor aniversário de sempre! No ano seguinte, ou seja, já este ano, a minha namorada fez-me algo parecido, mas com um número ridículo de amigos meus que me surpreendeu pela magnitude épica da festa! A verdade é que as surpresas têm piada uma vez. Portanto, para no futuro ser uma grande e eficaz surpresa, convém ser algo diferente e novo. Estou pronto, surpreendam-me (pela positiva, please)!

Já praticou algum acto de solidariedade? Se sim, qual?
O pouco que fiz (até agora, pelo menos) foi doar a minha roupa e brinquedos todos os anos. Tenho de admitir que em pequeno dava os brinquedos porque a minha mãe falava-me de como seria ser uma criança pobre sem possibilidades de os ter e eu chorava tanto e dava-os.

Acha que ainda tem algum dom escondido por revelar?
Creio que sim, sobretudo, no domínio criativo audiovisual e de escrita criativa. Quer dizer, não sei se tenho dom algum, mas sinto que tenho jeito para mais coisas ou pelo menos sinto que as faço bem, com facilidade e divirto-me imenso ao fazê-las. Tudo isso será posto à prova agora com este projecto do canal de Youtube e do meu solo project.

Prefere o Verão ou o Inverno? O sol ou o frio? A praia ou a neve?
Fico bastante dividido, mas diria que é o Verão, porque não há nada como um dia de Inverno chuvoso em casa debaixo do cobertor a ver filmes. Mas eu tenho uma condição qualquer, que sei que muitas pessoas têm, que é a seguinte: o meu humor forma-se de acordo com o tempo, sendo que fico sempre mais feliz quando está sol. Portanto, o Verão, para mim, é uma alegria! [risos]

Qual é o carro dos seus sonhos?
Não tenho. É daquelas coisas que são um mero meio para atingir um fim. Desde que me leve a onde quero e com o máximo de segurança possível, é perfeito para mim.

Sente-se dependente do telemóvel?
Infelizmente, sim. Nunca gostei de usar telemóvel, mas, hoje em dia, vejo-me obrigado a não o poder largar, sobretudo, dado que a minha namorada, grande parte dos meus amigos e practicamente todos os meus familiares vivem na Madeira, enquanto eu passo a maior parte do tempo no Porto.

Qual é a sua comida favorita?
Pizza, man! Pizza! Na verdade, qualquer comida italiana.  

E a bebida?
Água... quando tenho sede nada serve sem ser água. No que toca a bebidas alcoólicas, Jägermeister.

Sabe cozinhar? Qual o prato que confecciona com maior mestria?
Sim, tive de aprender a cozinhar desde que vivo sozinho no Porto. E para ser sincero, até gosto, mas não tenho paciência para o fazer diariamente, nem gosto de perder muito tempo a fazer coisas muito fancy. Portanto, diria que a minha especialidade seria Esparguete à Bolonhesa, porque até hoje foi o prato que confeccionei que mais me agradou.

Qual é o seu maior medo?
Perder algum dos sentidos ou capacidade motora. Tenho sempre medo de ficar cego ou de acabar num estado em que dependa de alguém para viver.

Tem alguma fobia?
Não... pelo menos que eu saiba.

Neste momento está optimista em relação à recuperação económica do país?
Não, e sinto que a situação ainda vai piorar antes de começar a melhorar.

Identifica-se com alguma ideologia política?
Numa utopia, num mundo perfeito, eu seria socialista a 100%, mas, como sabemos, o socialismo não passa disso - uma ideologia utópica. Portanto, como tudo nesta vida, há que procurar um equilibro entre a direita e a esquerda para que as coisas resultem
minimamente bem.

Se pudesse recuar no tempo até onde e quando recuava? Porquê?
Recuava o suficiente para presenciar um concerto de uma das melhores bandas de todos os tempos - Pink Floyd, provavelmente o concerto "The Wall" em Berlim ou (e de preferência) arranjar alguma maneira de assistir ao concerto deles em Pompeii.

Acredita na reencarnação? Em quem ou no que gostava de reencarnar numa outra vida?
Não, mas gostava imenso, porque seria uma maneira muito mais positiva e menos deprimente de pensar na morte e no quão curta e insignificante a vida humana, de facto, é.

É supersticioso? Qual a sua maior superstição?
Não, de forma alguma! A única superstição que “pratico” é a de comer as doze passas à meia-noite de cada ano novo e pedir os desejos para esse ano.

Para si, como se descobrem as verdadeiras amizades? O que é uma verdadeira amizade?
A amizade é verdadeira quando, em assuntos sérios, uma pessoa é capaz de fazer tudo para que a outra se sinta bem, mesmo que isso implique abdicar de algo. Além disso, quando em todas as outras ocasiões estão tão à vontade um com o outro que contam tudo e mais alguma coisa sobre a sua vida, sem sequer pensarem duas vezes!

Tem tatuagens? Se sim, qual a que mais sentido tem para si?
Ainda não, sendo "ainda" a palavra-chave.  

E piercings? Se sim, quer revelar onde?
Sim, três no lóbulo da minha orelha esquerda, sendo que um deles é um túnel de
8mm.

Considera-se vaidoso? Que cuidados tem com a sua aparência e saúde?
Curiosamente, nunca tenho cuidados com a minha aparência física, mas tenho no que toca à minha roupa - gosto de combiná-la como deve ser. A saúde, já é outra coisa. Nisso, tento, sempre que possível, ter cuidado.

Que tipo de roupa nunca seria capaz de usar?
Roupa à hippie ou aquela que tem deliberada e unicamente as cores da bandeira jamaicana.

Qual o seu maior defeito e a sua maior virtude?
O meu maior defeito (e que estou sempre a tentar combater) é ser um pouco egoísta. A minha maior virtude é a minha autenticidade e determinação.



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