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Review - Malevolence - "Antithetical"

MALEVOLENCE
"Antithetical"
[CD - Carbon Medien]

Poucos terão na memória quem são os Malevolence, sobretudo as gerações mais tenras. Longínquos vão os anos em que "Dominium" tentou grassar o underground nacional, com maior efeito em 1999 com o lançamento de "Martyrialized". Certo é que o relativo anonimato destes leirienses teve sempre mais que ver com a intermitência do seu percurso (tanto a nível de lançamentos como de concertos) ou mesmo com uma exigente forma de estar na música, mais do que falta de potencial.

Passados vinte anos da sua formação e dois discos que têm que ser analisados num determinado tempo e espaço, poder-se-á dizer que o que prometiam artisticamente na altura está a milhas (muitas) daquilo que apresentam em "Antithetical". Para além das declaradas influências góticas e doom de "Dominium" e "Martyrialized", o espírito aventureiro da sua composição era ainda muito tímido ou quase inoperante. Pelo menos (e reiterando a ideia) em comparação com este novo trabalho. Há, efectivamente, uma barreira muito densa entre o que são os Malevolence de hoje e o que eram nos anos 90.

"Antithetical" é, em primeira instância, o primeiro capítulo de uma nova vida do grupo liderado por Carlos Cariano. Sombrios como nunca, cerebrais como poucos, proféticos na forma como subvertem algumas das regras da música extrema, "Antithetical" são 43 minutos de música inóspita e antitética (claro está) fechada num mundo muito próprio. O death metal é mero peão num circuito íngreme e sinuoso de múltiplas camadas sónicas, onde os teclados e samples representam na perfeição a veia industrial e experimental que hoje assumem.

Com um senhor tão respeitado como Dirk Verbeuren [Soilwork, Devin Townsend, Bent Sea] atrás do kit de bateria, a devastação rítmica assume proporções tóxicas e tudo soa como se estivessem a preparar o Juízo Final. Aires Pereira [Moonspell] no baixo é outra das forças motrizes deste trabalho.

Se com o tema-título surge a única tentativa de soarem orelhudos, os restantes capítulos deste disco são peças alimentadas por uma esquizofrenia capaz de criar algumas náuseas. Exclua-se a totalmente inesperada (mas sublime) passagem de "Exocortex Momentum" com a guitarra portuguesa e o extremismo de "Devoured Unlimited" acaba por ser a representação perfeita da descarga letal e injuriosa que pauta este disco.

Sabe-se, no entanto, que uma composição tão libertina e quase anárquica como a de "Antithetical" resulta, não raras vezes, num perigo para uma digestão suave. A musicalidade é, de algum modo, beliscada em detrimento de uma concepção mais progressiva, o que pode gerar uma relação de amor/ódio por estas composições. O ambiente, a mensagem e a complexidade dos arranjos são as grandes virtudes de "Antithetical". Segue-se o desafio de tentar harmonizar todo este experimentalismo num trabalho de riffs mais vincado. Não obstante, de saudar o enorme esforço de tentarem criar novas linguagens para a música extrema onde nem sempre os músicos são capazes de se libertar das pressões do mercado ou de ideias há muito obsoletas. [8/10] N.C.


Data de lançamento: 22 de Novembro de 2013
Nota de estúdio: produzido por Carlos Cariano; captado por Paulo Pereira no 20M2Sea Studio (Portugal); vozes captadas por V. Santura; misturado e masterizado por V. Santura no Woodhouse Studio (Alemanha).
Estilo: death metal/metal progressivo
Origem: Portugal
Formação: 1994

Alinhamento:
1. "Slithering" (02:53)   
2. "Cult Of The Everlasting" (06:19)        
3. "Devoured Unlimited" (04:21)            
4. "Antithetical" (08:12)               
5. "Equilibrium In Extremis" (04:35)       
6. "Exocortex Momentum" (09:28)        
7. "Mechanisms Of Destructive Behaviour" (07:16)       
Duração: 43 minutos 

Elementos:
- Carlos Cariano (voz/guitarra)
- Fred Noel (guitarra)
- Aires Pereira (baixo)
- Paulo Pereira (teclados/programação)
- Dirk Verbeuren (baterista de sessão)

Discografia:
- "Pleasure Of Molestation" (demo - 1994)
- "Dominium" (CD - 1996)
- "Martyrialized" (CD - 1999)
- "Celebration Of Dysfunctional Becoming" (demo - 2003)
- "Slithering" (single - 2012)
- "Antithetical" (CD ao vivo - 2013)




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Carlos Cariano [Malevolence]: «Todos sabemos quem persegue a música como uma verdadeira paixão»


Os leirienses Malevolence regressaram aos discos a 22 de Novembro com "Antithetical", catorze anos depois de "Martyrialized". O momento é, por isso, marcante e o mentor Carlos Cariano explicou à Against Magazine toda a história em torno do terceiro longa-duração da banda de death metal progressivo. 

Sendo o percurso dos Malevolence bastante intermitente, Carlos Cariano afirma que nem o lançamento de "Antithetical" poderá garantir um compromisso mais rígido com a rotina de banda.

"Não sabemos o que pode acontecer em relação a um novo disco, mas o que podemos assegurar aos verdadeiros fãs é que o processo já está a decorrer", diz o guitarrista e vocalista com um sorriso.

"Somos uma daquelas bandas atípicas que gosta de dar um passo de cada vez e manter muito atenção aos detalhes. Sabemos que para suplantar um trabalho como o 'Antithetical' é agora uma tarefa ainda mais colossal do que foi suplantar o 'Martyrialized'", determina Cariano.

Por motivos semelhantes os Malevolence também não garantem uma intensiva presença na estrada em promoção do seu novo disco.

"O nosso acordo com a Carbon Medien Records inclui essa variante [concertos], mas não no sentido de fazermos longas digressões como muitas bandas actualmente. Acho que isso não faz sentido até certo ponto. Decidimos que vamos seleccionar algumas datas. Tal irá concretizar-se apenas se nos sentirmos totalmente confortáveis em relação às condições para apresentar 'Antithetical' ao vivo e os promotores podem ter a certeza que isso será real."

O músico de 38 anos aproveitou ainda para deixar um olhar sobre a cena "metálica" portuguesa salientado os seus pontos positivos mas também a condição efémera de muitas bandas.

"A 'cena' portuguesa é como qualquer outra no que respeita a bandas. Temos projectos extremamente bons mas também a pura mediocridade em estilo e interpretação. Uma das coisas que me irritam totalmente na nossa 'cena' é a escassez de financiamento que recebemos por estarmos no cu da Europa. Ao mesmo tempo irrita-me a falta de empenho, compromisso e rumo de muitos músicos portugueses. Tenho visto bandas a surgir e desaparecer num espaço de meses e pessoas a saltar para uma carrinha apenas porque foi fixe durante um certo período. No fim de contas, todos sabemos quem persegue a música como uma verdadeira paixão."

Leia a entrevista na íntegra aqui


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