photo logopost_zps4920d857.png photo headerteste_zps0e0d15f7.png

Mostrar mensagens com a etiqueta Anomally. Mostrar todas as mensagens

Shredding Night IV: Punkrias substituem WeParasites



Os Punkrias são os substitutos dos WeParasites no cartaz da quarta edição do Shredding Night. Os motivos, segundo a organizadora Isabella Jimenez, devem-se à recente saída de Valter Paços [baixista] do colectivo de São Miguel e falta de apoios.

O cartaz do evento a realizar a 20 e 21 de Dezembro no Bar A Estiva, em Angra do Heroísmo, a partir das 21h30, fica assim completo, no primeiro dia, com as actuações dos Sypia, Punkrias, Beyond Confrontation e Human Hate e, no segundo dia, com os Anomally, Manifesto, Palha D'Aço e Through The Silence.

Os bilhetes estão disponíveis no local a 2.5 euros, com oferta de uma cerveja.

 photo shreddingnight_zpsc91bf593.jpg
Ler mais »

Shredding Night IV: Anomally e WeParasites encabeçam festival terceirense

Anomally


O Shredding Night realiza a sua quarta edição nos dias 20 e 21 de Dezembro com oito projectos açorianos. O festival acontece no bar A Estiva, em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, a partir das 21h00.

Anomally, Manifesto, Palha d'Aço e Through The Silence abrem as hostilidades, estando reservado para o derradeiro dia as actuações dos WeParasites, Human Hate, Beyond Confrontation e Sypia.

Os bilhetes estão disponíveis no local a 2.5 euros (com oferta de uma cerveja). 

Ler mais »

Veja novo videoclip produzido por Miguel Aguiar [Anomally]



Foi lançado no passado sábado "Diz-me Tu", videoclip do mais recente single do músico de pop/rock açoriano Rui Correia. Esta foi uma produção de Miguel Aguiar, teclista da banda de death/gothic metal terceirense Anomally.  

A ocasião foi aproveitada para Rui Correia apresentar também a sua nova formação, composta por alguns elementos ligados ao metal/rock local como Desidério Azevedo [Skar, ex-Black Nails, Code Of Hypocrisy], Freddy Duarte [Palha d'Aço, Art Capital] ou Sílvio Avelar [Palha d'Aço].

Apesar de deslocado do seu universo, Miguel Aguiar acredita que esta experiência pode tornar-se enriquecedora para o seu futuro. "Creio que seja algo que me dê outra experiência e que possa até mesmo vir a ajudar-me a criar algo dentro do meu 'mundo'", afirmou em exclusivo à SounD(/)ZonE.

Iniciou-se no audiovisual há cerca de um ano e meio com um curto vídeo promocional para o festival A Colheita, mas foi no videoclip de "Redrum", do mais recente trabalho discográfico dos Anomally, que evidenciou os seus dotes. A ideia agora é dar continuidade a essa sua nova paixão, independentemente do cariz musical dos seus solicitantes. "Foi uma experiência que, apesar da música não ter nada que ver com o metal, permitiu-me retirar algo que mais tarde posso vir a utilizar em outro projecto. Uma pessoa está sempre a aprender e com o material parado em casa é que nunca vou poder ter aquele à vontade que gostaria num determinado projecto."

Miguel Aguiar explicou ainda que "o facto de ser música pimba, pop, metal ou até mesmo fado, não impede que se crie uma história à volta de um tema", até porque, garante, "todas as músicas têm uma história imaginada pelo seu compositor e é essa que o produtor de vídeo tem que tentar transmitir".

Quanto a "Diz-me Tu", Miguel Aguiar não esconde que foi um desafio e que implicou muita dedicação. "Começámos com uma ideia base muito simples, mas que ao longo do tempo foi-se desenvolvendo. Quando dei por mim, já tinha muitas horas de filmagem, vários dias de trabalho, muito suor e vários quilómetros percorridos que serão resumidos em cerca de cinco minutos. Acrescento ainda que o Rui é uma pessoa que está constantemente a trabalhar para promover o que faz. Não fica sentado na sua sala de ensaio à espera que lhe vão bater à porta. Este vídeo é mais uma mostra disso mesmo."




Ler mais »

Miguel Aguiar [Anomally] produz videoclip para artista pop/rock


Rui Correia, artista de música ligeira portuguesa natural dos Açores, apresenta o videoclip "Diz-me Tu" no próximo dia 5 de Outubro no Auditório do Rádio Clube de Angra, ilha Terceira, pelas 21 horas. Este trabalho tem a particularidade de ser totalmente produzido por Miguel Aguiar, teclista do colectivo de death/gothic metal terceirense Anomally.

Apesar de deslocado do seu universo, Miguel Aguiar acredita que esta experiência pode tornar-se enriquecedora para o seu futuro. "Creio que seja algo que me dê outra experiência e que possa até mesmo vir a ajudar-me a criar algo dentro do meu 'mundo'", afirmou em exclusivo à SounD(/)ZonE.

Iniciou-se no audiovisual há cerca de um ano e meio com um curto vídeo promocional para o festival A Colheita, mas foi no videoclip de "Redrum", do mais recente trabalho discográfico dos Anomally, que evidenciou os seus dotes. A ideia agora é dar continuidade a essa sua nova paixão, independentemente do cariz musical dos seus solicitantes. "Foi uma experiência que, apesar da música não ter nada que ver com o metal, permitiu-me retirar algo que mais tarde posso vir a utilizar em outro projecto. Uma pessoa está sempre a aprender e com o material parado em casa é que nunca vou poder ter aquele à vontade que gostaria num determinado projecto."

Miguel Aguiar explica ainda que "o facto de ser música pimba, pop, metal ou até mesmo fado, não impede que se crie uma história à volta de um tema", até porque, garante, "todas as músicas têm uma história imaginada pelo seu compositor e é essa que o produtor de vídeo tem que tentar transmitir".

Quanto a "Diz-me Tu", Miguel Aguiar não esconde que foi um desafio e que implicou muita dedicação. "Começámos com uma ideia base muito simples, mas que ao longo do tempo foi-se desenvolvendo. Quando dei por mim, já tinha muitas horas de filmagem, vários dias de trabalho, muito suor e vários quilómetros percorridos que serão resumidos em cerca de cinco minutos. Acrescento ainda que o Rui é uma pessoa que está constantemente a trabalhar para promover o que faz. Não fica sentado na sua sala de ensaio à espera que lhe vão bater à porta. Este vídeo é mais uma mostra disso mesmo." 

Abaixo encontra-se um snapshot de "Diz-me Tu", bem como outros trabalhos de Miguel Aguiar. 






Ler mais »

Miguel Aguiar [Anomally] e os metaleiros que tocam covers: «São maçãs podres»


Sensivelmente com um quarto de século de história, o metal açoriano atravessa a sua fase mais complexa e periclitante. Músicos e promotores ligados ao género sentem cada vez mais dificuldades em encontrar lugar para desenvolver a sua actividade e vivem na presença da forte "ameaça" das bandas de versões, vulgo covers, e os DJs que, por ora, lideram as programações culturais.

Miguel Aguiar, teclista da banda de death/gothic metal terceirense Anomally, deixa um testemunho exclusivo à SounD(/)ZonE em que tece críticas às entidades que promovem a cultura nos Açores, aos músicos de metal que deixaram o "ramo" para enveredar pelas covers e até mesmo ao público que teima em não comparecer nos espectáculos, mesmo quando estes são oferecidos.

"Já é um cliché falarmos da insularidade, mas, infelizmente, é algo que não conseguimos evitar", começa por apontar o músico de 33 anos, alegando que é "desmotivante para quem passa bastante tempo da sua vida dedicado a algo que tanto gosta" e depois não consegue conferir-lhe visibilidade.

Depois da insularidade, a profunda crise económica que se vive em Portugal podia ser outra das principais razões para o "divórcio" entre público e metal. Porém, Miguel Aguiar tem outra perspectiva. "Pretexto talvez seja, realidade não. É com grande admiração que constato a presença de cada vez menos público nos concertos de metal, o que não deixa de ser paradoxal, tendo em conta a diminuição desse tipo de eventos e em que, por norma, nem são cobradas entradas."

Ainda sobre a crise, Miguel Aguiar defende que esta não pode ser o bode expiatório para o decréscimo de popularidade do estilo e manda críticas para dentro da "família metaleira". "Estamos a matar-nos. O que é feito daquelas pessoas que diziam à boca cheia 'eu vou a todos os eventos de metal mesmo que sejam bandas de que não goste, mas vou para apoiar a 'cena''? A crise não pode ser o bode expiatório para eventos como o Roquefest, pois nem eram cobradas entradas, muito menos quando se vive uma crise, sim, de eventos de metal."

Nos últimos anos começaram a proliferar as bandas de covers e a música electrónica. As noites nos bares e festivais de todo o arquipélago são invariavelmente animadas por este género de proposta musical e os concertos de metal, que durante, principalmente, a década de 90 tinham grande expressão, são hoje quase uma nulidade. "Estamos a falar de 'maçãs podres' e quando uma maçã apodrece deve ser retirada do cesto que contém as restantes frutas", diz Miguel Aguiar referindo-se aos músicos que abandonaram o metal para assumir uma carreira em que as covers (de tendência pop) são a sua principal, e muitas vezes exclusiva, ocupação. "É certo que quem está no metal acaba por despender do seu próprio dinheiro e tendo em conta a maior aceitação por parte de bares pelas bandas de covers, o que chega a incluir pagamento, acaba por se tornar aliciante para alguns. (...) O dinheiro acaba sempre por falar mais alto".

Ainda na dicotomia "covers vs. música original", Miguel Aguiar estabelece uma comparação com outras áreas artísticas: "Se se tratasse de um pintor que, ao invés de criar obras originais, se limitasse a copiar obras de grandes artistas, certamente que não teria maior destaque do que outro pintor qualquer que criasse obras únicas."

Atendendo a um cenário que aponta para a "monopolização" da oferta cultural, Miguel Aguiar lamenta que os interesses financeiros estejam a impedir o desenvolvimento dos Açores. "A monopolização não é positiva em nenhuma área, logo, não vejo que traga qualquer tipo de vantagem para o desenvolvimento da região. Vejamos o caso do Festival Azure: este ano temos oito artistas locais dos quais sete são DJs. Estão no seu pleno direito. No entanto, qual a vantagem cultural e onde está a diversidade que um evento deste género tinha capacidade de oferecer? (...)Todos sabemos, só não sabe quem não quer, que neste momento qualquer entidade/promotor pretende lucrar com o que quer que seja."

Miguel Aguiar é ainda da opinião de que todos os promotores deviam filtrar a quantidade de bandas de covers que integram os seus cartazes e que perante a dificuldade na obtenção de subsídios que possibilitem a organização de eventos de metal com artistas externos à região - como aconteceu principalmente na segunda metade da década passada - a alternativa é a "prata da casa". "É verdade que há alguns anos a esta parte temos vindo a ver o desfecho de eventos como o October Loud, o Metalicidio On Stage - que ficou-se por apenas uma edição -, o Festival Angra Rock... mas será que não haviam alternativas? Todos nós gostamos de ver e, se possível, tocar com bandas 'de fora'. No entanto, na inviabilidade de realizar um espectáculo com tais artistas, porque não apostar naquilo que temos? Fica um cartaz mais pobre com o risco de atrair menos público? Sim, há sempre esse risco, mas será preferível desistir?"

Continuando em jeito crítico, Miguel Aguiar diz não entender porque o Governo regional subsidia lançamentos de CDs de metal e não fomente a realização de espectáculos dentro desse mesmo género. "É um tanto ou quanto paradoxal mas, na realidade, é o que está acontecer", afirma, descrevendo a situação como "um caso de incoerência política".

Olhando para o futuro com cautelas mas com uma esperança indisfarçável, Miguel Aguiar conclui deixando um apelo: "O metal regional só morre se aqueles que estão nele de alma e coração o deixarem. (...) Se gostam realmente do que estão a fazer, é favor não desistir. Somos cada vez menos a remar contra a maré, mas não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe." 

Ler mais »

Entrevista Human Hate

ÓDIO EM ESTADO PURO
"Sendo um projecto secundário, não é algo em que trabalhemos com frequência, mas a vontade de continuar existe"


Numa região pacata como os Açores e onde o metal até nem vive o seu período mais áureo, podiam escassear as razões para se apostar num novo projecto. Sendo que até já têm um projecto de créditos firmados como os Anomally, a dupla Tiago Alves e Nelson Leal parece quase numa tendência "suicida" ao deixar fluir mais uma criação musical. Podia ser apenas para "queimar algum tempo" ou aproveitar para mostrar mais umas "coisas bonitinhas" (quiçá mais mainstream), mas o que os Human Hate deixam transparecer é que os seus autores não estão numa de brincar em serviço e estão, sobretudo,... sedentos de sangue. Tiago Alves abre-nos as portas deste novo capítulo nas suas carreiras.

Os Human Hate parecem um pouco surgidos do nada, mas não é bem assim. Há quanto tempo guardavam o desejo de criar este projecto?
Este desejo surgiu há mais de um ano. Era algo que o Nelson já tinha em mente e vinha a conversar comigo para fazermos um projecto, mas como a vida profissional está em primeiro lugar, a disponibilidade ia falhando e este foi sendo adiado. No início do ano voltámos a falar, até que houve uma "abertura" de tempo e foi tipo… "é agora". E fizemos os três temas.

Sendo compostos por duas pessoas que se conhecem muito bem, de que forma esse factor contribuiu para a escrita dos temas?
Facilitou imenso, só tínhamos que agradar a duas pessoas. [risos] Falando mais a sério, já somos amigos de longa data, sabemos perfeitamente os gostos e o que cada um é capaz. Sabíamos que caminho queríamos dar às músicas - agressivo e extremo - e se alguma vez estivesse meio perdido na música, um pouco de violência também deveria ficar bem. [risos] À medida que ia escrevendo as músicas, gravava e enviava para o Nelson para ele enquadrar com as letras e testar as vozes e modificarmos o necessário.

Com dois elementos dos Anomally, a questão que muitos colocam é: será possível definirem uma identidade suficientemente equidistante do vosso projecto principal?
São projectos diferentes e à medida que Human Hate for evoluindo terá cada vez mais o seu som e Anomally continuará a ter o seu. Penso que haverá sempre comparações por sermos compostos por dois membros da mesma banda. Eu tenho a minha forma de compor e, por muito extremo ou violento que possa ser, há sempre espaço para melodia, algo que faz parte do som dos Anomally também. Daí se calhar as maiores comparações. E, claro está, a voz também é a mesma.

Até que ponto o material contido em "Chapter 13 - We Came For Blood" não encontra espaço nos Anomally?
Uma vez que sou um dos compositores, não digo que este material não teria espaço nos Anomally mas seria sempre diferente porque, em Anomally, somos seis membros a darem o seu cunho pessoal às músicas, enquanto que em Human Hate a composição é mais pessoal. O Nelson escreve sobre o que quer e eu componho à minha maneira. Obviamente que trocamos ideias para as músicas e damos sugestões. Temos posições bem definidas e o espaço de criatividade é maior e, no final, desde que soe bem e gostemos, é o que importa.

Quanto tempo demorou até terem este trabalho completo (gravação e composição)?
Deve ter durado à volta de um mês e meio. Foi fazer as demos e passar à gravação final. Ambos tínhamos compromissos profissionais, por isso, fomos intercalando o tempo disponível.

Tratando-se esta de uma banda totalmente DIY, que vantagens encontrou no facto de ter sido o produtor?
Como já tínhamos uma ideia bem definida do que queríamos fazer, a vantagem maior foi mesmo o facto de eu poder ter tudo à mão e poder transmitir a minha visão exacta para o produto final.

Embora se trata de um EP de três temas fizeram questão de definir uma mensagem forte?
Já que era para fazer as coisas há que tentar fazê-las o melhor possível. [risos] É certo que não tínhamos fundos para fazer um lançamento em formato físico mas com as tecnologias e os meios disponíveis de hoje, há uma maior facilidade em se trabalhar. Porque não criar um artwork para o EP já que o Nelson faz desenhos e tatuagens (modo publicidade: visitem www.facebook.com/humanhate e encontrarão lá as suas criações também)? [risos] Porque não criar um canal de Youtube e Facebook e promover o trabalho? Só temos a ganhar e, num mundo musical onde cada vez mais os olhos consomem bastante, há que apostar nessa vertente. Criámos um grafismo de forma a ajudar a promover o trabalho.

Como se interpreta o título que até já começa no "Capítulo 13"?
Tínhamos vários nomes em vista para o EP, então conjugou-se tudo. Os três temas do EP compõem a história de uma rapariga que é atacada por monstros que a querem matar e ela vinga-se pensando que depois vai estar em paz, mas fica presa num limbo. Daí vem o "Chapter" e o "13" porque escolhemos lançar o single no dia 13 de Maio, vai-se lá saber porquê [risos]. O "1" explica-se porque é o nosso primeiro trabalho e o "3" porque são três temas... e o "13" é um número bonito. [risos] O subtítulo "We Came For Blood" explica-se pelo facto de tanto os monstros como nós virem para "fazer" sangue e entrar a matar. [risos]

Sentem que podem evoluir enquanto músicos e compositores tendo agora este projecto numa vertente mais agressiva?
A evolução está sempre presente em tudo; seja qual for o estilo, há sempre que tentar tirar o máximo partido de tudo. Para mim, mesmo numa vertente mais de estúdio, é sempre bom, aprende-se sempre algo novo.

O EP já está disponível desde 25 de Maio. Como tem sido o feedback até ao momento?
Tem sido bastante positivo. Algumas pessoas ficaram surpresas com o projecto e gostaram bastante. Continuamos a promovê-lo e vamos tentar levá-lo o mais longe possível.

Há possibilidades do público ver-vos em palco?
Ora aí está uma boa pergunta. [risos] Tem sido das mais frequentes para quem nos ouve: “E quando tocam ao vivo?”. Este é um projecto de estúdio meu e do Nelson mas é uma hipótese que não está colocada de parte. Antes pelo contrário, é um assunto que temos falado e quem sabe num futuro próximo, se surgir alguma oportunidade, convidamos alguns amigos para nos darem uma ajudinha a destruir um palco. [risos]

Uma vez que gere um estúdio num mercado tão reduzido como o açoriano, qual é o balanço que faz desta sua relativamente recente actividade e como está a sua agenda?
Isto de gerir um estúdio com a crise e tal “tás a ver”, pagar aos empregados e tal está muito mau, não há subsídios… se bem que dava jeito atendendo ao preço do material dos equipamentos. [risos] Falando a sério, ainda estou no início, só eu e o meu "quintal das waves", como gosto de chamar, mas tem sido positivo este começo. O feedback relativamente aos meus trabalhos tem sido bom. Quem já trabalhou gostou, por isso estou satisfeito. O mercado açoriano é reduzido - é um facto - mas se as bandas que existem quiserem trabalhar comigo, já fico feliz. [risos] Como objectivo pessoal, defini 2013 como o ano "oficial" de lançamento e de dar a conhecer o Waveyard Studio; só falta fazer o evento! [risos] Tem sido um ano preenchido. Além do lançamento de Human Hate acabei de produzir o EP de estreia dos vencedores do Angra Rock 2013, os Mufasa, que deve sair em breve. Este Verão vou trabalhar com os Palha D'Aço, que regressaram ao activo. São uma banda dos anos 90 do tempo do Liceu. Será um regresso à adolescência. [risos] Para o Inverno, ainda não tenho nada, por isso se houver alguma banda interessada, mesmo que de fora da Terceira, esteja à vontade, posso fazer só a mistura/masterização também.

Tem sido muito debatido recentemente o estado da música extrema nos Açores, sendo que depois de alguns anos de crescimento o género parece sofrer uma quebra abrupta em termos de popularidade. Que razões encontra para este cenário negativo?
Penso que o maior contributo para esta queda prende-se com o facto de os espaços para as bandas tocarem serem muito reduzidos. Havia sempre um bar ou outro que apostava em noites viradas para o metal e hoje apenas querem bandas de covers. Preferem uma banda a tocar música conhecida do que apostar na originalidade. Mesmo com a chamada crise, as festas de freguesia e municípios preferem gastar dinheiro a mandar vir bandas de fora e tributos e não arranjam espaço para as restantes bandas locais. Continuo a dizer que há público para todos os estilos, uns com mais aderentes que outros, é um facto, mas há espaço para todos. E quando não tens lugares para tocar e se não tiveres objectivos, as bandas acabam por se afastar.

A que ritmo podemos esperar que se desenvolva a carreira dos Human Hate? Será preciso esperar muito para ouvirmos um novo lançamento da banda?
Sendo um projecto secundário, não é algo em que trabalhemos com frequência, mas a vontade de continuar existe. Pretendemos compor mais uns temas e quem sabe subir a um palco. Para os fãs de Human Hate, esperem por nós e por novos temas e ajudem-nos a espalhar este nosso "Chapter".

Descarregue gratuitamente "Chapter 13 - We Came For Blood" aqui.


Ler mais »

Tiago Alves [Human Hate, Anomally]: «Preferem apostar numa banda de covers do que na originalidade»

Com Nelson Leal [à direita] e Tiago Alves [à esquerda]
Tiago Alves, guitarrista dos Anomally e Human Hate, analisou em entrevista exclusiva à SounD(/)ZonE (a publicar na íntegra brevemente) a  quebra abrupta de popularidade do metal nos Açores, apontando para a escassez de recintos de espectáculos e a mudança de mentalidade dos promotores como as principais razões.

"Penso que o maior contributo para esta quebra prende-se com o facto de os espaços para as bandas tocarem serem muito reduzidos. Havia sempre um bar ou outro que apostava em noites viradas para o metal e hoje apenas querem bandas de covers", argumentou o músico e produtor terceirense.

Tiago Alves acredita ainda que "há espaço para todos os estilos" e lamenta a política "monocultural" dos promotores e autarquias. "Preferem uma banda a tocar música conhecida do que apostar na originalidade. Mesmo com a chamada crise, as festas de freguesia e municípios preferem gastar dinheiro a contratar bandas de fora e tributos e não arranjam espaço para as restantes bandas locais."

Tiago Alves lançou a 25 de Maio o EP "Chapter 13 - We Came For Blood", trabalho de estreia dos Human Hate, projecto partilhado com o vocalista Nelson Leal [Anomally]. Este encontra-se disponível para download gratuito aqui. 


Ler mais »

Entrevista - Anomally (Especial Roquefest)

ELES NÃO DORMEM
"Desistir não faz parte dos nossos planos"

Gradual e sustentadamente assumiram com mérito a liderança do que de melhor é feito nos Açores em termos de metal. "While The Gods Sleep" pontapeou com toda a força os mais cépticos, não deixando qualquer dúvida de que o trabalho e a dedicação andam de braço dado com a evolução. Aí estão os Anomally, uma vez mais em São Miguel no dia 18 de Maio no Roquefest, para espalhar coesão por todos os poros. O teclista Miguel Aguiar, como habitualmente, foi o interlocutor de uma conversa especialmente dedicada à ocasião e ao futuro do metal açoriano.

Com um EP lançado em Agosto, é inevitável chegar a esta fase sem solicitar um balanço dos resultados. Temos verificado notícias e reviews um pouco por todo o mundo. No fundo, o que mudou para a banda depois de "While The Gods Sleep"?
Nos tempos que correm em que não se fala de outra coisa senão crise, o balanço para uma banda açoriana que lançou um EP em Agosto passado não é certamente aquele que pretendíamos.  De qualquer maneira estamos satisfeitos com as críticas recebidas que, na sua grande maioria, reflectem perfeitamente aquilo que sentimos em relação ao nosso EP. Infelizmente, a insularidade tem os trunfos mais altos... e nós saimos a perder.

Os concertos de metal nos Açores, como sabemos, são uma raridade. Como tem sido possível manter a motivação quando há um disco (o segundo para vocês) e um mercado completamente estéril? O Roquefest é, por isso, um momento de especial entusiasmo?
Os concertos de metal nos Açores estão quase tão raros quanto uma vitória do Sporting nos últimos tempos. A motivação vem do gosto pelo que fazemos. Nem sempre é fácil, confesso, mas desistir não faz parte dos nossos planos. E enquanto houver gente como os organizadores do Roquefest, nós cá estaremos disponíveis para tocar. Em relação a esse mesmo festival, é, sem dúvida, um momento de especial entusiasmo, pois, finalmente, temos oportunidade de ir promover o nosso mais recente trabalho em São Miguel.

Esta será a quinta ou sexta vez que se deslocam a São Miguel para actuar. É escusado dizer que já se sentem em casa. Mas é sempre bom voltar? Há algo distinto preparado para a ocasião?
É sempre óptimo voltar a qualquer sítio onde sejamos bem recebidos e São Miguel é um desses lugares, sem dúvida. Desde 2007 que temos ido com frequência a essa ilha. O ano passado quando lançámos o nosso EP, pretendíamos, inclusivé, fazer uma festa de apresentação em São Miguel, para além da que fizemos cá. No entanto, tal não foi possivel por questões que, infelizmente, não tiveram a ver com a banda. Felizmente que surgiu-nos agora este convite por parte da organização do RoqueFest e vamos, assim, aproveitar para promover o nosso mais recente trabalho junto de quem, se calhar, ainda não teve oportunidade para o conhecer.

Há cerca de dois meses os Anomally lançaram um repto aos fãs para escolherem o vosso próximo videoclip. Antes de mais, porquê entregar-lhes essa responsabilidade?
Desta vez quisemos dar a oportunidade aos nossos fãs de nos dizerem, afinal de contas, o que gostariam que fizéssemos, porque, na realidade, isto é algo que é feito de nós para eles. É uma maneira de lhes mostrarmos que a sua opinião também conta e, como tal, tivemos em consideração a votação que foi feita na nossa página do Facebook .

Os Anomally são do mais Do It Yourself que existe nos Açores. Que se saiba, serão também os responsáveis por esse novo videoclip. Digam em voz alta como é possível manter esse dinamismo e auto-suficiência? 
Somos mentes criativas e não gostamos de estar parados. Gostamos de ter o controlo total ou quase total em tudo o que esteja ao nosso alcance. Também é verdade que não temos o orçamento que gostávamos de ter para podermos contratar os melhores profissionais e confiarmos-lhes o nosso trabalho. Como tal, trabalhamos com quem o nosso orçamento nos permite, ou seja, com a "prata da casa"! [risos] Tanto eu como o Tiago temos vindo a investir em equipamento de vídeo e áudio, respectivamente, que nos permite fazer algo já mais profissional do que há oito anos atrás quando começámos. E efectuando estes trabalhos no nome da banda ajuda-nos a promover o nosso trabalho pessoal. Como disse atrás, assim conseguimos ter o domínio e o nosso cunho pessoal no resultado final.

Existe alguma previsão para o seu lançamento? Qual é o ponto da situação ou que pormenores do argumento podem já ser revelados?
Será lançado quando eu achar que está no "ponto de caramelo"! [risos] O tema escolhido pelos nossos fãs fala sobre uma pessoa que gostaria de saber, afinal, qual a sensação de matar alguém, de ter a vida de outras pessoas na sua mão e fazer o que quiser delas. Portanto, posso adiantar que o próximo vídeo terá como cor predominante o vermelho.

Voltando ao concerto, o que esperam encontrar em São Miguel na fase crítica que o metal regional atravessa?
Esperamos contar com um público cheio de garra como já nos habituaram em outras deslocações nossas a São Miguel. No entanto, temos conhecimento de que a adesão tem vindo a diminuir ultimamente, o que é estranho tendo em conta o decréscimo de eventos realizados nos últimos tempos. Resta mesmo aguardar pelo dia 18...

Com todo esse cenário já pensaram alguma vez em emigrar e continuar com a banda noutras paragens?
Nunca foi uma solução que nos tenha passado pela cabeça. Felizmente, a vida profissional da maioria dos membros da banda está estável. Por isso, não vemos necessidade de emigrar. A banda é algo que temos para escapar à rotina diária do trabalho. Temos os pés bem assentes na terra e sabemos com o que contar nestes meandros.

Como olham para o futuro do metal regional?
O metal regional já esteve de melhor saúde, é certo. Já tivemos mais eventos, mais bandas e acho também que o público já foi mais assíduo. De qualquer maneira, não podemos baixar os braços e deixar que este momento perdure e se torne o futuro do metal regional, pois, infelizmente, o futuro não me parece nada risonho.

Que apelo lhe merece todos os que pensam deslocar-se a São Roque nos dias 16, 17 e 18 de Maio?
Não hesitem e aproveitem um dos poucos eventos que este ano vem acolher o metal açoriano.

Nuno Costa

www.anomally.com
www.facebook.com/anomallyband





Ler mais »

Human Hate: membros dos Anomally com novo projecto (oiça primeiro tema)

Fotografia: Miguel Aguiar

Tiago Alves e Nelson Leal, respectivamente guitarrista e vocalista dos terceirenses Anomally, acabam de divulgar o primeiro tema do seu novo projecto, Human Hate. Segundo nota informativa, esta nova entidade "mostra o lado mais agressivo e extremo dos dois elementos".

"Agony Rose" é o primeiro de três temas produzidos por Tiago Alves no seu Waveyard Studio, na Praia da Vitória (ilha Terceira), e consta do EP de estreia "Chapter 13 - We Came For Blood", cujo lançamento está agendado para 25 de Maio em formato digital (para download gratuito). Nelson Leal é também o autor do artwork deste trabalho (ver capa abaixo). 

Tiago Alves explicou à SounD(/)ZonE que "este projecto foi uma ideia do Nelson no sentido de fazermos algo a puxar mais para o agressivo". "Tive um tempinho agora e então conseguimos concluí-lo. É um projecto para se ir trabalhando e mais tarde compor mais alguns temas para levá-lo ao palco."





Ler mais »

Anomally: «Pandora's Box» é próximo videoclip

No início de Janeiro, os açorianos Anomally colocaram à disposição dos fãs a possibilidade de escolherem o seu próximo videoclip a extrair do seu mais recente EP, "While The Gods Sleep". Hoje a banda divulga os resultados, em forma de vídeo que aparentemente já avança algumas imagens do videoclip de "Pandora's Box".

A 21 de Setembro, o grupo de death/gothic metal lançou o primeiro videoclip para este trabalho, "Redrum", que teve a produção do próprio teclista da banda, Miguel Aguiar. A sua temática relaciona-se com a "obsessão paranóica de uma pessoa por outra".

"While The Gods Sleep" foi editado a 24 de Agosto de 2012 e contou com produção de Tiago Alves (guitarrista da banda), mistura de Fredrik Nordström [Dimmu Borgir, Arch Enemy, Opeth] e masterização de Peter in de Betou [Hypocrisy, Dark Tranquillity]. O artwork ficou a cargo do brasileiro Marcelo Vasco [Soulfly, The Faceless, Vader].


Ler mais »

Anomally: escolha você próprio o próximo videoclip da banda

Os terceirenses Anomally estão a colocar à disposição dos fãs a possibilidade de escolherem o próximo videoclip do seu mais recente EP, "While The Gods Sleep".  Para votar clique aqui.

A 21 de Setembro, o grupo de death/gothic metal lançou o primeiro videoclip para este trabalho, "Redrum", que teve a produção do próprio teclista da banda, Miguel Aguiar. A sua temática relaciona-se com a "obsessão paranóica de uma pessoa por outra".

"While The Gods Sleep" foi editado a 24 de Agosto de 2012 e contou com produção de Tiago Alves (guitarrista da banda), mistura de Fredrik Nordström [Dimmu Borgir, Arch Enemy, Opeth] e masterização de Peter in de Betou [Hypocrisy, Dark Tranquillity]. O artwork ficou a cargo do brasileiro Marcelo Vasco [Soulfly, The Faceless, Vader].



Ler mais »

II Encontro de Músicos Açorianos - Miguel Aguiar: «Os que passam a vida a queixar-se ficaram em casa»

Miguel Aguiar, teclista dos Anomally, uma das bandas mais representativas do metal açoriano, elogiou a organização do II Encontro de Músicos Açorianos, realizado na passada sexta-feira em Angra do Heroísmo, mas criticou a fraca adesão das bandas terceirenses.

"A iniciativa é de louvar e a pessoa responsável está de parabéns por todo o seu trabalho e esforço na divulgação do evento. No entanto, mais uma vez é lamentável ver que aqueles que passam a vida a queixar-se de que não se passa nada e que não existem oportunidades para as bandas mostrarem o seu trabalho, são aqueles que precisamente ficaram em casa no passado dia 30 de Novembro."

Por outro lado, Miguel Aguiar enalteceu o esforço e a coragem dos que participaram, sem reservas pelo teor ou natureza dos seus trabalhos. "Nós vimos lá projectos que se fizeram conhecer apenas com CD-R gravados em método caseiro, para além de pessoas que se fizeram deslocar de São Miguel de propósito para mostrar o seu trabalho, enquanto que as bandas de cá nem compareceram no evento."

O músico de 32 anos sublinha que este evento "tinha todas as condições para ser mais uma montra de exposição para todo e qualquer tipo de músico, desde o pimba ao metal, sem qualquer tipo de custo para quem quisesse participar ou simplesmente assistir ao evento".  

Os Anomally, actualmente a promoverem o EP "While The Gods Sleep", marcaram presença no evento com uma demonstração de guitarras levada a cabo por Tiago Alves e Luís Brum.

O II Encontro de Músicos Açorianos foi uma iniciativa de Rui Correia. 

Ler mais »

Entrevista Anomally

O HOMEM AO CENTRO DO MUNDO
"Será que cada um é o seu próprio Deus?"

Agarraram o metal açoriano pelos colarinhos a partir de 2005 graças a um discernimento artístico e profissionalismo exemplares. Depois do álbum de estreia, "Once In Hell...", em 2008, fazem-nos chegar o EP "While The Gods Sleep" que, para além de toda a sua intrigante e metafórica mensagem, é um manifesto claro de amadurecimento e da transição do seu death/gothic metal  para algo mais abrangente e requintado. A explicação para tudo isto no discurso sempre muito frontal e realista do homem das teclas, Miguel Aguiar. 

Quatro anos foi o tempo que precisaram para definir o rumo musical e o formato de "While The Gods Sleep". Foi um processo condicente com os vossos planos?
O tempo voa quando estamos a fazer algo que gostamos verdadeiramente. Nem parece que foi já há quatro anos que lançámos o nosso primeiro álbum. O processo, no seu todo, acabou por se tornar mais demorado do que o de “Once In Hell...”, mas por vários factores. Não quisemos apressar as coisas. Motivos profissionais também nos fizeram atrasar um pouco e a meio desse percurso fizemos também uma pequena pausa para participar com a nossa versão de “Unequal Rights” no tributo aos Morbid Death. Apesar de não ter sido completamente de acordo com os nossos planos, esse foi o tempo necessário para conseguirmos reunir todas as condições para permitir editar um trabalho conforme desejávamos.

Será cada vez mais uma tendência editar em pequeno formato, já que os discos não vendem e nem sequer é humanamente possível as pessoas ouvirem a quantidade astronómica que há de lançamentos?
Desta vez demos preferência à qualidade em vez da quantidade. Tudo se trata de números. Queres misturar cinco temas e o produtor leva x dias, mas se quiseres misturar oito ou nove esse produtor já vai precisar de y dias e essa diferença, no caso de um produtor de topo, não se trata de meia dúzia de euros. Tendo isso em mente, decidimos desde cedo optar pela edição de um EP.

Aos poucos vão assumindo o controlo completo das vossas operações (gravação e videoclip por conta própria). É essencial que assim seja até perante um cenário de crise económica?
Temos vindo a assistir cada vez mais a esse cenário por parte até mesmo de bandas com editoras e que já são conhecidas mundialmente. Bandas com os seus próprios estúdios de captação que depois enviam o material para um produtor à sua escolha. Nós, apesar de estarmos longe do profissionalismo das bandas por nós apreciadas, sempre nos pautámos por uma tentativa de "fazer como as grandes bandas fazem". Para além de nos permitir total controlo sobre o que estamos a fazer, também nos permite poupar alguns tostões que podem e irão fazer certamente falta para outros propósitos.

Terá sido também isso que vos ajudou a conseguir investir mais na mistura, masterização e artwork?
Sem dúvida que sim. Quando temos um orçamento específico muitas contas têm que ser feitas e as decisões nem sempre são fáceis de tomar. Contudo, temos que ter os pés bem acentes na terra e pensar em todos os pormenores. Quando temos oportunidade de realizar um trabalho que não nos envergonhe e deixe satisfeitos e orgulhosos, é sempre uma mais-valia apostar em nós próprios.

Parece-nos inevitável a questão: como aparece em cena e como foi trabalhar com Fredrik Nordström, Peter in de Betou e Marcelo Vasco? Os produtores nacionais não foram opção?
Bem, os contactos tanto com o Fredrik Nordström como com o Marcelo Vasco já datam de 2007. Infelizmente naquela altura não tínhamos disponibilidade financeira para nos aventurarmos com tão talentosas pessoas. À medida que fomos trabalhando nos temas que fazem parte deste EP íamos sempre ponderando qual a melhor solução para produzir. Tivemos várias opções em cima da mesa, sendo uma delas mesmo nacional. No entanto, tivemos sempre o desejo de ir mais além. Em 2010 voltei a contactar o Fredrik e, por fim, no inicio deste ano foi tomada a decisão final de que iriamos trabalhar com ele por todo o seu currículo e por acharmos que seria a escolha mais adequada para o que estávamos a produzir. O Peter in de Betou surgiu em cena um pouco pelos trabalhos que já havia desenvolvido em conjunto com o Fredrik. É óbvio que não estou a querer comparar o que temos com trabalhos como “Death Cult Armageddon” mas se tínhamos oportunidade de trabalhar com os mesmos produtores de um grande álbum, porque não aproveitar? Este foi quase que um sonho de criança concretizado, algo que possivelmente será único na nossa “vida de músicos”. Não sei até que ponto vamos voltar a ter oportunidade de trabalhar com alguém assim, por isso, não quisemos perder esta oportunidade.

Musicalmente, "While The Gods Sleep" demonstra um claro amadurecimento e até algum afastamento da sonoridade apresentada em "Once In Hell...". Como decorreu o processo de composição para atingirem este patamar?
Desde cedo que essa era nossa intenção. Portanto, foi algo perfeitamente natural. Acho que o amadurecimento acabou por ser espontâneo e é um facto que quisemos apostar forte neste registo e não repetir uma “fórmula” já usada por nós. Se queremos fazer parte de uma editora não podemos deixar o "comboio" passar. Hoje em dia cada vez mais as bandas mostram estar num patamar que não é fácil atingir, por isso, trabalhar ao máximo e fazê-lo como uma banda profissional é o nosso principal objectivo.

O título deste álbum remete novamente para a religião, mas será que num tom crítico ou apenas metafórico? Ou seja, sempre se manifestarem algo conflituosos em relação a esta questão, mas aqui parece também haver algo a apontar ao comportamento humano como parece evidente no videoclip de "Redrum"...
“While The Gods Sleep” pode efectivamente ser interpretado tanto num tom crítico como metafórico. O título surgiu a partir da frase que frequentemente ouvimos: “Deus não dorme”. E nós questionamos: então se não dorme porque acontece tanta desgraça no mundo? Ou será que não existe Deus nenhum e cada um é o seu próprio e cria as suas próprias regras submetendo os que o rodeiam à sua vontade? Com este título tentamos não só descrever um pouco o que falamos no EP como também chamar a atenção de quem ainda acredita que Deus existe e que vai salvar aqueles que tão fiel e cegamente o seguem.

"Redrum" porquê? São fãs de cinema, de "Shining" particularmente?
“Redrum” porque o nosso vocalista é grande fã de cinema e do “Shinning”, sim.

Creio ser unânime que a qualidade técnica e argumentativa deste videoclip é absolutamente surpreendente, não só nos Açores mas também perante toda a produção nacional. Quer contar-nos como foi possível atingir este nível e como foram vividos aqueles momentos?   
Uma boa ideia é sempre meio passo para conseguir um bom resultado final. Acho que, neste caso, a ideia que tive para este vídeo resultou por completo e a interpretação dos actores também ajudou a atingir o objectivo pretendido. Já tinha tido o prazer de trabalhar com o João Direitinho noutra curta que me surpreendeu bastante pelo seu desempenho e o à-vontade perante uma câmara. Daí a aposta para este vídeo ter sido imediata. Bastou explicar-lhe o conceito e o que tinha em mente para que ele interpretasse o seu papel. As filmagens decorreram relativamente bem. Passámos (banda) duas noites a ser defumados literalmente! [risos] Acho que o “segredo” para atingir o nível referido foi fazer o vídeo o mais profissionalmente possível e tentar fugir dos clichés tipicamente açorianos. Em pós-produção tentei dar-lhe um aspecto cinematográfico, o que também ajudou a atingir o meu objectivo.

Numa altura em que se fala imenso da influência da pirataria nas contas dos músicos e da indústria musical, como analisa o episódio que se registou recentemente na sua ilha?
Analiso o episódio como alguém que apenas sabe dos factos revelados publicamente. Não me sinto em posição para comentar algo que não sei ao certo o que se passou. No entanto, é óbvio que é de lamentar que quem roube milhões ao Estado permaneça impune e quem é apanhado com uns DVD’s ou CD’s piratas seja preso.

Tem havido enorme preocupação nos últimos tempos em relação à posição que as sonoridades mais pesadas assume nos Açores, começando a estar quase por completo relegadas para último plano enquanto aposta cultural. Como lê essa situação? Será que estamos a entrar num processo irreversível? Já pouco se sabe sobre a imensidão de bandas que havia... E em termos de mentalidades, estaremos perante um agravamento do preconceito e consequente restrição da liberdade de expressão?
As mentalidades não são fáceis de mudar. No entanto, a liberdade de expressão é algo que não nos podem retirar. Preconceitos são isso mesmo, não passam de preconceitos e não sei se será por aí que os responsáveis governamentais têm vindo a restringir os apoios concedidos a qualquer evento que esteja ligado ao metal. Por um lado é compreensível que em tempo de crise tenham que cortar em algum lado e, claro está, os cortes serão sempre para as minorias. O metal não dá dinheiro, isso é um facto. Como tal, não nos podemos esquecer que as autoridades governamentais e os produtores não são os únicos responsáveis pelo Governo nos estar a fechar as portas. Eles não apostam em algo que já sabem à partida, e por experiências anteriores, que não vão ter qualquer retorno monetário. Vejamos os casos do Festival Angra Rock ou até mesmo do Live Summer Fest que este ano não teve os apoios que contava ter. É desanimador e ninguém envolvido no metal nos Açores vive disso. Mas será realmente devido aos cortes nos apoios ao metal que se tem visto o desaparecimento das bandas que havia? Se esse é o motivo, algo está mal, e não é ao Governo que me refiro!

Os Anomally são cada vez mais, e sobretudo, um símbolo de profissionalismo. Aparentemente tudo o que fazem é devidamente pensado. É este o conselho que deixam às bandas mais jovens e às pessoas em geral?
Sempre foi nossa política fazer tudo com o maior profissionalismo possível. Os resultados estão à vista. Não temos editora ou agência? Não é problema! Temos confiança no que fazemos e isso é o fundamentel. Se fizeres o teu trabalho com profissionalismo é sinal que acreditas no que fazes e isso já demonstra que não estás aqui a brincar às bandas de garagem ou que és apenas mais uma.

Como se sabe, é extremamente complicado uma banda promover um trabalho nos Açores. Como serão os próximos tempos para os Anomally? Podemos contar com alguns concertos em Portugal continental ou mesmo mais além?
Podem contar com o que o futuro nos aguardar. Estamos ainda em fase de promoção do EP “While The Gods Sleep” e penso ser prematuro fazer algum tipo de previsão do que se pode passar além Açores. É claro que vamos fazer todos os possíveis para tocar o mais além possivel. No entanto, tudo terá que ser bem estudado, pois não adianta irmos tocar a Lisboa para meia dúzia de pessoas e depois regressarmos de peito inchado a dizer que fomos tocar aqui e ali.


Leia ainda:

Ler mais »

Review - Anomally - «While The Gods Sleep»

ANOMALLY
"While The Gods Sleep"
[EP - Edição de autor]

Projectar uma carreira nos Açores é algo, como é reconhecido, de extraordinária dificuldade. Todavia, tal nunca foi nem será castrador de evolução e competência. E quem segue de perto as pisadas deste sexteto de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, sabe perfeitamente do que se está a falar.

Uma demo e um álbum depois, os Anomally regressam num formato mais compacto mas nem por isso menos rico. Aliás, esta será a derradeira ou pelo menos a mais protuberante forma de expressão do seu talento até à data. A algumas (para não dizer muitas) milhas do trabalho apresentado anteriormente, os Anomally denotam um crescimento acentuado na sua forma de escrita, onde é evidente a preocupação pelos arranjos e pequenos/grandes detalhes. Sobretudo no que respeita ao trabalho dos teclados a banda atinge um novo patamar de excelência, o que aliado a uma estrutura musical mais versátil, acaba por circunscrever os Anomally num território que já não só deve ao death metal melódico, gótico e black metal, mas também a um certo progressismo que se pode tornar muito interessante se desenvolvido no futuro.

Sem fúria ou melancolia em excesso, "While The Gods Sleep" é um foco harmonioso e equilibrado de vários elementos musicais, não necessariamente inovadores, mas potenciados por uma maturidade que excede muitos grupos com mais rodagem e/ou expostos a um grande mercado. Portanto, fica a questão para muita gente: e se estes rapazes estivessem fixados noutro lugar do planeta?

Com os meios de que dispõe, a banda foi capaz de construir um trabalho muito sólido, onde o ar profissional emana e espanta: gravação por conta própria (Tiago Alves, guitarrista), mistura por Fredrik Nordstrom [Dimmu Borgir, Opeth], masterização por Peter In De Betou [Hypocrisy, Dark Tranquillity], artwork por Marcelo Vasco [Soulfly, Vader] e participações especiais de Flávio Silva [Oblique Rain], Michael Sousa [R.A.M] e do Coro da Escola Básica e Integrada de Tomás de Borba (capaz de dar um delicioso carácter sinfónico a "Controlled By Oppression").  

De facto, os Anomally não esperam pelo despertar dos deuses ou que os Açores se unam por terra aos continentes para afirmarem o seu trabalho . Para além da capacidade musical deste trabalho, estes rapazes mostram que são inconformados por natureza e já perceberam dos benefícios do trabalho árduo e incondicional. E quando assim o é, as propensões para o crescimento são maiores e este EP é um grande passo nesse sentido. [7/10] N.C.

Data de lançamento: 24 de Agosto de 2012
Nota de estúdio: captado por Tiago Alves nos Waveyard Studios (Portugal); misturado por Fredrik Nordstrom e Henrik Udd nos Studio Fredman (Suécia); masterizado por Peter In De Betou nos estúdios Tailor Maid (Suécia)
Estilo: death/gothic/black metal
Origem: Angra do Heroísmo (Açores, Portugal)
Formação: 2005

Alinhamento:
1. "Controlled By Oppression" (05:46)
2. "Redrum" (04:04)
3. "Cold" (04:40)
4. "Pandora's Box" (04:50)
5. "From Lust..." (01:10)
6. "... To Screams" (03.53)
Duração: 24 minutos

Elementos:
- Nelson Leal (voz)
- Tiago Alves (guitarra)
- Luís Brum (guitarra)
- João Toste (baixo)
- Miguel Aguiar (teclado)
- José Pires (bateria)

Discografia:
- "Anomally" (DCD - 2006)
- "Once In Hell..." (CD - 2008)
- "While The Gods Sleep" (EP - 2012)


Ler mais »

Anomally: «obsessão paranóica» em videoclip

Os terceirenses Anomally apresentaram na passada sexta-feira, a acompanhar um concerto no Blues Bar (Terceira), o seu novo videoclip. Trata-se de "Redrum", single extraído do novo EP "While The Gods Sleep".

Ler mais »

Anomally apresentam novo videoclip esta sexta-feira

Na próxima sexta-feira (21 de Setembro), os terceirenses Anomally apresentam o seu novo videoclip para o single "Redrum", no âmbito do espectáculo que realizam no mesmo dia no Blues Bar, na Praia da Vitória.

Ler mais »

Passatempo Anomally - Conheça os vencedores

Numa acesa disputa por três exemplares do novo EP dos terceirenses Anomally, "While The Gods Sleep", a rapidez e o rigor ditaram que os vencedores do passatempo lançado ontem pela SoundZone são:

Francisco Xavier (Angra do Heroísmo)
Bruno Ferreira (Porto)
Philippe Franco (Nordeste)

Resposta: "Redrum"

Parabéns aos vencedores e um bem-haja a todos os participantes!
Ler mais »

Passatempo Anomally - Ganhe três exemplares de "While The Gods Sleep"

No dia em que os Anomally editam o seu segundo trabalho, a SoundZone tem para oferecer três exemplares do mesmo.

Ler mais »

Anomally apresentam primeiro single de «While The Gods Sleep»

A precisamente uma semana do lançamento do seu novo trabalho, os terceirenses Anomally disponibilizaram para escuta o primeiro single de "While The Gods Sleep".

Ler mais »

Anomally revelam data de lançamento de «While The Gods Sleep»

A 24 de Agosto chega "While The Gods Sleep". O novo trabalho dos terceirenses Anomally é apresentado ao vivo na sede do grupo de teatro Alpendre, em Angra do Heroísmo. Na primeira parte estarão os Mufasa (terceiros classificados no Angra Rock 2012). 

Ler mais »
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...